(Imagem Ilustrativa)

Na semana passada estive lendo um artigo de um americano chamado Hugh McGuire, intitulado “Por que nós não conseguimos ler mais?”

Ele começava seu texto afirmando que, embora o seu trabalho estivesse ligado aos livros, ao estímulo à leitura, no último ano ele havia lido apenas quatro livros. Começava a ler e parecia insuportável passar da quarta frase, do primeiro parágrafo, quem dirá terminar um capítulo.

Para seguir em frente, tentava intercalar algumas frases do livro com a leitura de uma mensagem, uma olhada no Facebook. Mesmo assim, era difícil seguir em frente.

Tentando entender o que acontecia, encontrou informações de que o cérebro recebe certos estímulos para liberar determinadas substâncias químicas no organismo. Entre elas está a dopamina, ligada ao movimento, a memória, a euforia, a sensação de prazer. Vou me concentrar nesta última: a sensação de prazer.

Quando alguém utiliza substâncias químicas, por exemplo, o cérebro libera uma grande quantidade de dopamina, aumentando a sensação de prazer imediato e assim, surge a necessidade de usar novamente para se obter novamente a mesma sensação. Segundo o autor, interrupções digitais, como ler um e-mail, uma postagem no Facebook ou uma mensagem no WhatsApp nos proporcionam doses de dopamina com efeitos similares.

Segundo ele, os celulares, os aplicativos e a rede são formatados e possuem muitos dispositivos projetados para atrair a nossa atenção, para nos proporcionar prazer. Isto vicia, nos tira tempo e disposição para outras atividades como trabalhar, ouvir música, tocar um instrumento, conviver com amigos e familiares, ou voltando ao assunto, ler.

Os comerciais na TV tentam nos convencer que devemos ser multitarefas, multitelares, o que é impossível, pois o cérebro humano processa, foca uma coisa de cada vez. Se tentamos realizar duas tarefas ao mesmo tempo, uma delas sempre fica a cargo do “modo automático”, num segundo plano.

Por falar nisso, a televisão é outro proporcionador de dopamina. Séries e mais séries disponíveis por preços módicos. A qualidade da imagem e a perfeição dos efeitos especiais tentam roubar a nossa atenção, disputar o nosso tempo com os e-mails, mensagens e imagens recebidos e conseguem que a leitura seja nossa última prioridade.

Ele concluía o texto com a informação de que achava ser impossível livrar-se desse mal, porém tentou e conseguiu minimizar os efeitos dessa ansiedade por interrupções digitais. Voltou a sentir prazer em ler. Não conseguiu se livrar dos e-mails, pois o trabalho dificulta isto, mas minimizou os efeitos de outras mensagens ou mídias eletrônicas em sua vida tentando (não está sendo fácil) não acessar o Twitter, Facebook ou leitura de artigos durante o dia de trabalho. Depois do jantar não liga a televisão. Não leva smartphones ou computadores para o quarto, trocando-os pelos livros.

Vamos experimentar também?

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

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