(Imagem Ilustrativa)

Nessas idas e vindas de publicações no Facebook me deparei com a seguinte frase: “A liberdade de expressão em excesso causa esse tipo de coisa”. Tive que parar tudo que estava fazendo para ler a frase de novo. Liberdade de expressão em excesso? Não, não eu não tinha lido errado. Sim, alguém tinha a escrito com total convicção de que estava certo. Para contextualizar: a publicação mencionava o filme do Porta dos Fundos, envolvido em polêmicas e críticas sobre a forma que a história de Jesus Cristo foi retratada. A manchete da reportagem compartilhada continha o seguinte título: “Justiça manda retirar Especial do Porta dos Fundos da Netflix”.

Sei que para algumas pessoas o filme foi grotesco à ponto de tratar com chacota a trajetória de Jesus Cristo. Respeito muito a opinião de quem pensa dessa forma, afinal, somos livres para expressar o que queremos né? Mas a partir do momento que essas mesmas pessoas passam a tratar com brutalidade e ameaças quem apoiou a liberdade de expressão da produção do filme a história muda completamente.

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Bem, eu trabalho com comunicação e estou na área batendo de frente com pensamentos fechados de que “não pode falar isso por que se não tal pessoa vai pensar aquilo”. Eu mesmo já deixei de expressar algumas coisas que penso por medo de retaliação. Até que ponto nossa liberdade de expressão é válida?

É realmente desanimador ver que algumas pessoas são bitoladas a pensar apenas dentro da própria bolha e não enxergar o que realmente importa: a liberdade de cada um em expressar o que deseja e a livre discussão, sem moralismos e censuras. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a sede da produtora responsável pelo filme foi atacada na véspera de Natal com coquetéis molotov. Sobre o filme, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou o abuso da liberdade de expressão e levou o caso para a justiça. Ao avaliar o caso, a juíza responsável entendeu que somente poderia haver a proibição da exibição do programa se houvesse “a prática de ilícito, incitação à violência, discriminação e violação de direitos humanos nos chamados discursos de ódio”. Nesse caso o preconceito e a censura andaram lado a lado fuzilando a liberdade de expressão. Até quando?

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