(Foto: Renata Santana/CDL)

Faz cinco anos da primeira versão da Noite dos Noéis. Um pouco tímida se comparada com a edição de 2021, entretanto, foi a semente de um evento que vem se tornando uma bonita tradição são-mateuense, principalmente se for cultivado e aprimorado a cada ano. Inicialmente motivado pelo comércio, que tem na criatividade o motor para sair da sua zona de conforto, teve na simplicidade a forma de contribuir para a alegria desta época natalina.

Naquele ano de 2016, sequer imaginávamos que em breve nos tornaríamos a geração que vivenciaria uma pandemia. Acho que o contato humano não era valorizado como deveria, não porque preferíssemos a solitude, mas porque é natural vivermos na companhia uns dos outros, pois fomos feitos para isso. O aperto de mãos, o abraço e o beijinho eram coisas rotineiras. As conversas de riso aberto e as rodas de chimarrão eram uma constante de nossos dias, e “aglomeração” era apenas mais uma palavra no dicionário. Talvez, por isso, que as festas realizadas eram apenas mais um evento no calendário. Tínhamos o privilégio de deixar passar uma delas sem a nossa presença, para escolher a próxima que fosse mais do nosso agrado. Dei-me conta desse detalhe ao participar da Noite dos Noéis desse ano: neste tempo em que pudemos conter um inimigo invisível e comum, foi-nos permitido reunirmos. Não encontrei ninguém impaciente consultando o relógio, ou perguntando que horas a apresentação terminaria. Nenhum rosto fechado ao próximo ou apontando defeitos naquela iniciativa espontânea e coletiva. Apenas a alegria de celebrar a vida e de estarmos juntos. Entendemos, da forma mais dolorida, que cada dia e cada oportunidade de encontro devem ser vividos com amor, porque o próximo nascer do sol somente a Deus pertence.

Esse contexto também escancara o quanto a liberdade nos é cara. Poder decidir seus passos e circular entre pessoas de forma desprendida, trabalhar com o labor que é de seu agrado para sustentar a si e a sua família, praticar os louvores da sua fé nos templos ou em espaços públicos, realmente, “não tem preço”. O livre-arbítrio que nos dá a possibilidade de escolha em função da própria vontade e, portanto, isenta de qualquer origem de condicionamento, nos foi dado em primeira mão pelo nosso Criador. Sem essa expressão, não seríamos frutos de um Deus que nos ama incondicionalmente, mas de um domínio que nos tiraria todo o horizonte da própria vida. Foi assim que nos tornamos nesses quase dois últimos anos, vítimas não apenas de um vírus assustador, mas também de um estado que diz saber o que é melhor para cada um de nós e que extrapolou, em muitos momentos, os limites da própria lei.

É por esse motivo que devemos nos lembrar, sempre, de que a eternidade não é um tempo antes ou depois do nosso presente, a eternidade está acima de nossas vidas materiais. Mesmo que, por aqui, a liberdade nos seja extirpada, ela nunca nos será tirada por Aquele da qual ela se origina, o verdadeiro Autor de todos os dons. Daí a fé nos fazer espantar qualquer tristeza que venha ao nosso encontro, porque a verdadeira liberdade é sempre aquela que segue pela escolha do bem, enquanto a via do mal fará da nossa existência uma simples escravidão. “Coloco diante de ti a vida e a morte, a felicidade e a maldição. Escolhe, pois, a vida” (Dt 30, 19).

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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