(Imagem Ilustrativa)

Há cerca de um ano, a notícia de que a prefeita de Roma forneceu aos seus cidadãos, o caminho para se tornarem informantes, me surpreendeu. Não era algo normal para os nossos dias, ao menos até então. Virginia Raggi criou um canal de comunicação na internet para denunciar pessoas que estivessem desobedecendo, sob qualquer aspecto, a quarentena romana em virtude do Covid-19. Foi criada uma Autoridade Supervisora, ou seja, um “serviço ao cidadão”, pago pelo cidadão e pelo “bem do cidadão”: o Sistema Único de Denúncia. Não demorou muito, para que os denunciados fossem também, cristãos reunidos nas igrejas. A notícia de abril de 2020, relata que “recentemente, a polícia interrompeu uma cerimônia de adoração eucarística presenciada por entre 10 e 20 pessoas, espaçadas entre si dentro da igreja em observância aos protocolos de distanciamento, e autuou formalmente todos os presentes, incluindo o pároco, Padre Carmine Petrilli”.

No Brasil, não seria diferente. Notícias de autuações, muitas das quais violentas, a indivíduos no exercício de seu trabalho e de interrupções a cultos religiosos, ocorreram de lá para cá, mesmo com os cuidados sanitários sendo cumpridos. A liberdade religiosa vem encontrando obstáculos que aumentam pouco a pouco, como que a nos habituar a uma nova realidade, mesmo sendo garantida em nossa Constituição. Sabiamente escrito, o Artigo 5º. garante aos brasileiros, que todos são iguais perante a lei, com direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. E, precisamente no seu Inciso VI, diz que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.”

Há alguns dias, sob a Cruz na parede do Supremo, o STF julgou e decidiu, que governadores e prefeitos decidem se igrejas e templos podem abrir suas portas. Os ministros, que deveriam ser os guardiões da Constituição de 1988, decidiram suprimi-la às decisões municipais e estaduais pelo Brasil afora. O presidente do Supremo, confessou em sua fala, que eles não têm expertise em saúde, mas mesmo assim, resolveram o assunto baseando-se nos dados alarmantes que a mídia notícia. Os defensores da nova ordem, dizem ser isso algo temporário, mas aprendemos que, no judiciário, todo precedente aberto justifica a abertura de um novo. E por essa via, devíamos nos perguntar: quantos mais de nossos direitos ainda serão feridos?

Por sua vez, o Advogado Geral da União André Mendonça, defendeu que as igrejas continuassem de portas abertas, seguindo-se todos os protocolos sanitários. “Não há cristianismo sem vida em comunidade, sem a Casa de Deus e sem o Dia do Senhor.” Como esperado, ocorreu a tentativa de ridicularizar Mendonça, pois defender a fé para seus opositores é alarmado como algo antiquado, ideológico e atualmente, nocivo à vida. Uma martirização que não é física, mas moral, como bem frisou o Papa Bento XVI, em uma das suas homilias: “o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, desconjuntado, esquartejado; não obstante, aqueles que proclamam a fé com fidelidade nos tempos atuais, muitas vezes devem pagar outro preço: ser excluído e ridicularizado”.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
Últimos posts por Ingrid Ulbrich (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Covid-19: lições entre o aperto de mãos e a CPI
Medjugorje: 40 anos de um Roteiro para a Paz
O Milagre da Mula