Artigo de Opinião

A linha tênue entre união e respeito

(Imagem Ilustrativa)

Naquele dia estava chovendo, e encostada no ponto de ônibus, tirei o celular do bolso na esperança de ter caído alguma notificação para matar o tempo. Estava sem internet. Sem saber o que acontecia no meu mundo tecnológico, guardei o celular novamente no bolso e comecei a molhar a ponta do meu sapato na poça d’água que estava ganhando forma na minha frente.

Distraída com meus próprios pensamentos, não tive como escapar da conversa que acontecia do meu lado. Duas moças, uns 2 ou 3 anos mais velhas do que eu, estavam debatendo um assunto que me chamou muito a atenção. Mesmo sendo irrelevante e não interessando nada a mim, percebi como às vezes somos superficiais.

Mostrando a indignação sobre o resultado de um concurso de beleza, as moças usavam tons sarcásticos para “argumentar” a preferência individualizada. Trazendo para perto a comparação e tratando as candidatas como um produto em um catálogo, elas estavam fissuradas em intensificar o ódio fantasiado de opinião.

O ônibus que eu esperava cruzava a quadra. Armei meu guarda-chuva e corri apressada até a porta. As moças ficaram no ponto, variando suas expressões e alegações.

Você, mulher, já parou para pensar em como vivemos numa constante competição? É difícil, mas estamos condensadas a criticar, comparar e agredir a autoestima de cada uma de nós. A falta de união e a necessidade de viver sempre em uma disputa sobre quem está se saindo melhor, se vestindo melhor e trabalhando melhor, se enraíza em nosso subconsciente e incentiva as outras pessoas a nos tratarem desse jeito.

Aprendemos a nos afastar. Trabalhamos num repertório agressivo umas com as outras, e nos sentimos superiores quando alcançamos o objetivo de machucar psicologicamente.

Hoje percebemos o espaço que a mulher está alcançando na sociedade, e junto com essas responsabilidades esquecemos do fundamental: do apoio umas com as outras. Em todas as ramificações de nossa vida, quando nos unimos demonstramos a nossa força e alcançamos esse respeito que deveríamos ser tratadas sempre.

Na hora de falar da roupa curta da vizinha, do batom vermelho da prima e da vida de solteira da colega, não esqueça que você é mulher e também é livre para vestir, usar e fazer o que quiser. Se quer ser respeitada, respeite!

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