Perfil

A Madá é pop

Conheça a história de vida da comerciante e seu quiosque que já estão fixados na história de São Mateus do Sul. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Alto astral, um bom gosto musical, histórias, conselhos e uma mãezona para muitos grupos de amigos. Esses sinônimos são indispensáveis quando falamos de Maria Madalena Choma Chornobay, ou “Madá” para os mais chegados.

Com seu quiosque localizado logo na entrada de São Mateus do Sul, a irreverência e a maneira amiga de tratar o público são marcas registradas da mulher que passou a infância na cidade de Mallet. Hoje com 68 anos e há 22 anos à frente do quiosque, quem passa e convive com o ponto de referência do município percebe o amor de Madá com o espaço conquistado com muito trabalho e apoio de familiares e amigos.

“Meu pai foi comerciante e uma das minhas principais inspirações para tratar bem o público”, afirma Madá, que comenta que desde muito cedo ela e os nove irmãos ajudavam no comércio da família Choma.

Sempre apoiada pela família nos estudos, Madá conta que seu pai tinha técnicas de “incentivo” para que seus filhos frequentassem a escola. “Se não terminássemos o segundo grau ele não nos deixava casar”, relembra de maneira irreverente.

A história de amor de Madá com seu esposo parece aqueles roteiros de filmes norte-americanos. Conhecendo Lauro Chornobay, o famoso “Bigode”, em uma festa de igreja em Mallet, Madá afirma que foi amor à primeira vista. “Eu estava no canto da igreja e ele estava no bar tomando uma cerveja com o primo que trabalhava com nossa família”, conta.

As escolas de Mallet não ofereciam o segundo grau, então Madá e os irmãos frequentavam as escolas de União da Vitória. Voltando de viagem entre essas idas e vindas até o município vizinho, a jovem se depara com uma carta do Bigode. “Tenho quase certeza que foi o primo da festa que passou o endereço da nossa casa para ele enviar essa carta.”

Daí em diante as cartas tomaram conta da vida do casal. Lauro trabalhava para o Exército no município da Lapa, e nos tempos onde não existiam celulares, as cartas eram a opção de namoro à distância. “Ele mandava cartas de 7 páginas ou mais”, diz Madá.

Namorando e praticamente noivando por meio das palavras, Madá afirma que um dos principais motivos por ela se apaixonar foi que Bigode escrevia muito bem. “Ele mandou uma carta no mês de setembro dizendo: escolha uma data em dezembro que eu estou voltando para nosso casamento”. A festa de casamento durou três dias.

Após o casamento, Madá e Lauro tiveram que ir embora de Mallet por conta do trabalho. Morando em Brasília, Mato Grosso do Sul e outros estados brasileiros, o casal construiu a própria família que hoje engloba três filhos homens e cinco netos.
A família de Madá também saiu de Mallet e fixou raízes em São Mateus do Sul, e montaram um comércio, onde hoje é a atual Frutolândia próxima à Praça da Rodoviária. “Meu marido se aposentou como Tenente do Exército e estávamos morando em Curitiba. Minha irmã era a proprietária do quiosque, e resolveu me fazer um convite para vir embora para cá e tocar o espaço. Aceitei de primeira!”

Em 1996, no mês de abril, Madá veio fazer um teste para ver como se saia com o empreendimento e o resulto foi o melhor impossível. No mês de dezembro, ela voltou para Curitiba buscar o marido, os filhos e a mudança. Instigada sobre como foi o primeiro dia de quiosque, ela relembra que o público era muito grande naquele período, e que ali foi o início de grandes amizades.

A praça em frente ao quiosque foi até batizada pelos frequentadores de Praça da Madá, e é o ponto de encontro de amigos e motoqueiros viajantes. “Fico muito orgulhosa por ter o reconhecimento de tanta gente.”

Chegando no quiosque você percebe a marca registrada do lugar. Sempre com um rock embalando as tardes e noites, as cadeiras e mesas espalhadas pela praça aproximam o lugar do público que marca presença nos dias e finais de semana.

Além das cervejinhas, refrigerantes, sucos e crepes, o lugar proporciona para cada pessoa uma relação de afetividade e carinho por Madá. “Muitos já chegaram para mim e disseram que eu sou a segunda mãe. Fico tão feliz com isso”, afirma.

Contando e ouvindo histórias, Madá também organiza eventos e traz para perto dos amigos seu espírito vivaz. “De uns anos para cá estamos organizando festas de Halloween aqui na praça. Ano passado a piazada trouxe um caixão e eu entrei lá dentro. Tiraram até foto e foi agito total”, Madá relembra e afirma que foi um dos momentos mais legais de sua vida.

Junto da diversão, a responsabilidade de cuidar e manter a praça sempre em bom estado está acima de tudo. “Nunca houveram reclamações sobre o quiosque. O pessoal entende que aqui só vem gente do bem”, ressalta.

Questionada sobre os planos para o futuro, Madá afirma que o quiosque é a sua paixão e deseja permanecer ali para o resto da sua vida. Com a construção da Rua do Mate, Madá diz estar insegura e preocupada com os planos do projeto, mas garante que ela e seus amigos vão fazer de tudo para que seu quiosque tenha um espaço no novo ponto turístico municipal.

CHARGE:

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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