Máquina do Tempo

A Mãe de muitas Mães

Na imagem Dona Estefânia. (Divulgação)

Em homenagem ao Dia das Mães, trago nessa semana, a história da parteira Dona Estefânia, ela que ajudou a trazer a este mundo muitas vidas, estima-se que em torno de 1000 crianças, teve um papel fundamental num dos momentos mais importantes na vida de uma mulher que se torna mãe, o parto.

Entrei em contato com a história desta incrível mulher, através da pesquisa realizada pela Profª Hilda Jocele Digner Dalcomuni, quando esta defendia a cadeira em nome de Dona Estefânia, no Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul. Meu agradecimento a Profª Hilda por compartilhar conosco tão bela história. Dona Estefânia Hetka Janowski nasceu em 19 de Junho de 1898, na Colônia Taquaral. Era uma mulher magra, alta e branca, com fortes traços poloneses, e seus cabelos estavam sempre presos por tranças que ela mesmo fazia. Muito vaidosa, usava saia, meia grossa e tamanco de madeira.

Durante seu ofício de parteira, utilizava um avental branco e carregava uma maletinha. Muito católica, tinha um pequeno altar dedicado à Nossa Sr.ª de Czestochowa em sua casa.Seu marido, Ladislau Janowski, era marceneiro e participou da construção dos vapores do Rio Iguaçu, ele também fazia caixões para as pessoas que faleciam. Um fato curioso sobre ele, é que o Sr. Ladislau, acompanhava todos os enterros, carregando uma cruz em madeira e rezando em polonês até o cemitério (naquela época, os velórios dentro de casa eram comuns). O casal que acompanhava o nascimento e a morte de seus conterrâneos, teve cinco filhos, Mienceslau, Romualdo, Casimiro, Jadwiga e Marta.

Quando a criança estava para nascer, Dona Estefânia era chamada para fazer o parto. Assim que chegava na casa da família, pedia para matarem uma galinha bem gorda para a canja da parturiente, também pedia água quente e muitos cueiros. Conta-se que ela dizia para as outras crianças da casa, que o novo membro da família tinha vindo da cidade. Depois do bebê nascer, ela dava o primeiro banho na criança e assim procedia até o sétimo dia.

Entre as recomendações que dava as mães que tinham acabado de ter filho (a), era a de não tirar a criança para fora do quarto até o sétimo dia, afim de não pegar o temido “quebrante”; para guardar uma parte do cordão umbilical da criança ou enterrá-lo debaixo de uma roseira, pois dizia-se dar sorte; e que a duração da dieta deveria ser de 40 dias para menina e 41 dias para menino.

Dona Estefânia era uma mulher esclarecida, lia jornais que vinham da Polônia, lia muito sobre remédios, e se informava com os médicos. Dr. Oséas, médico que atuou em São Mateus naquela época, sempre dizia: “está com Dona Estefânia, está em boas mãos”. Apesar dela não ter o costume de cobrar pelos seus serviços, as pessoas sempre lhe ajudavam. Dona Estefânia faleceu em 30 de agosto de 1966, vítima de uma hemorragia cerebral. Hoje, seu nome ficou eternizado nas ruas de São Mateus e na memória daqueles que podem dizer: “eu nasci pelas mãos de Dona Estefânia”.

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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