Sede do Mercado Pague Menos. (Imagem: Reprodução/Google Maps)

Há alguns dias coloquei em meu perfil pessoal do Facebook uma lembrança e percebi que ela mexeu com muitas pessoas, e isso é sensacional! Quando eu era pequenininha, e desde que eu passei a entender como era a vida racional, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ir no mercado. Mas não era qualquer mercado, era o Pague Menos, na sede de dois andares! Isso tudo era como se fosse uma tradição para minha família, que mês a mês fazia compras (no tempo em que encher três carrinhos de mantimentos não era tão caro assim).

Quando estava perto do começo do mês eu ficava toda ansiosa pela casa pensando no dia das compras. Sem brincadeira, aqueles corredores eram mágicos para mim e eu ficava feliz comprando qualquer coisinha – seja um prendedor de cabelo, uma caneta ou um pacote de iogurte. Talvez você que esteja lendo isso no futuro não se recorde ou se quer conheceu o mercado, mas era um dos maiores da cidade.

Sempre começávamos pelos produtos de higiene, que estavam localizados do lado direito, e era desse jeito que começava a “trip” pelos looongos corredores. Sabe aquelas vias rápidas de Curitiba que os motoristas vão costurando caminho? Era isso que acontecia nos corredores quando o pessoal se encontrava. Às vezes minha avó ficava minutos conversando com algum parente que encontrava nesses desvios.

Também na minha família acontecia uma “escalação” para identificar quem ficava responsável pelos produtos: meu pai pelas carnes, meu avô pelas frutas/verduras, minha avó e minha mãe pelos produtos “grosseiros” e também as coisinhas gostosas. Mas o fato era que eu ficava mais ansiosa para chegar no segundo andar, onde tinha brinquedos (uma prateleira cheia) e utensílios para a casa. Era legal demais!

Mas vamos ao que chamou a atenção na minha publicação lá no Facebook: a engenhoca dos donos do mercado através de um cano PVC! Como o segundo andar possuía um grande número de objetos pequenos, as pessoas que adquiriam eles lá em cima pegavam uma senha e retiravam no guarda volume que ficava perto da porta de saída no primeiro andar. O mais mágico de tudo era como esses produtos iriam parar até ali: eles passavam pelo cano, que ficava entre os dois andares e caiam em uma caixa maior com a senha de tudo. Confesso que antes eu pensava que tinha um funcionário contratado só para essa função de ficar levando, e depois de muitos anos percebi que era a mágica do PVC.

Trago essa lembrança para vocês justamente para mostrar que o mais legal disso tudo é a simplicidade dos proprietários, que conquistou muita gente e fazia parte da vida de muitas famílias assim como a minha. É um sentimento bonito de saudade e principalmente de felicidade, por ter vivido essa magia por toda a minha infância. Obrigada família Ulbrich!

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