Histórias de Terra e Céu

A mais bela das Constelações

Na semana passada falei que para encontrar o planeta Saturno era preciso olhar para a constelação do Escorpião. Vamos então tratar um pouco desta que é a mais bela constelação do céu.

Quando mostramos as constelações no céu noturno, as pessoas geralmente reclamam que os antigos eram bem criativos para enxergar um cavalo alado em um quadrado de estrelas (constelação do Pégaso) ou uma moça onde há apenas uma estrela de grande brilho (constelação da Virgem). Mas quando mostramos o Escorpião, o encantamento é grande, pois o desenho do animal é perfeitamente visível no céu.

Nas garras do Escorpião encontramos o primeiro objeto que vale a pena ser visto. Uma estrela chamada Acrab é a segunda mais brilhante da constelação, e chama a atenção por mostrar-se uma estrela dupla, mesmo em um pequeno binóculo. Na outra extremidade do animal temos a estrela Shaula, que faz um outro asterismo duplo, este visível a olho nu, formando claramente o ferrão do Escorpião.

A constelação também é rica em aglomerados estelares. Um bom binóculo garantirá a sua diversão por várias noites. Cerca de 80 estrelas de décima magnitude podem ser vistas juntas no aglomerado aberto M7, com idade de 220 milhões de ano. Este aglomerado foi catalogado por Ptolomeu em 140 a.c. (e ele não tinha binóculos ou telescópios!!!). Perto dali podemos encontrar M6, outro aglomerado aberto, com 100 milhões de anos, descoberto em 1654. Se você achou velhos estes aglomerados abertos, saiba que os aglomerados globulares são muito mais antigos. E no Escorpião é possível visualizar M80, com milhares de estrelas amontoadas em um pequeno espaço do Universo.

Mas a joia do Escorpião não necessita de telescópios, lunetas ou binóculos para ser vista. É uma gigante vermelha que marca o coração do animal mitológico. Antares tem raio 800 vezes maior que o nosso Sol. Recebeu este nome por ter uma coloração que rivalizava com a do planeta Marte (chamado de Ares pelos gregos). Mas este vermelho significa que Antares está no final de sua vida. Num futuro próximo o Escorpião “perderá” o seu coração. A bela estrela vermelha está a 600 anos-luz de nós, mas mesmo ficando tão longe ela ainda aparece no céu como a 16° estrela mais brilhante, pois tem luminosidade 10 mil vezes maior que o nosso Sol (!!!!). E perto de Antares ainda pode ser visto outro belo aglomerado aberto, chamado M4.

Deixe a Lua sumir na próxima semana para encontrar um local bem escuro e apreciar o céu após às 22h. O belo Escorpião estará no Leste, subindo lentamente em direção ao topo do céu, com suas estrelas duplas, seus aglomerados e seu incrível coração avermelhado.
Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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