(Imagem Ilustrativa)

Já faz um tempinho que os Jogos Olímpicos de Tóquio chegaram ao fim. É comum, em sites esportivos e grandes jornais, encontrar um balanço que apresenta o quadro de medalhas e o recorde histórico de conquistas do Brasil. Dizem que superamos a nossa meta de medalhas.

Mas com base em que foi definida esta meta? É provável que tenha sido estabelecida em função dos resultados dos atletas nas competições que antecederam o grande evento mundial.

Mas será que deveria ser esta a base dos objetivos almejados? O que esperávamos depois das Olimpíadas do Rio 2016? Qual o legado dos Jogos Olímpicos realizados em nosso país?

Quando falamos em legado, não podemos apenas citar obras malfeitas, superfaturadas e infraestrutura inacabada. No mínimo, o que deveríamos ter buscado era a melhoria nas condições oferecidas para a formação de atletas, para manutenção dos talentos e surgimento de novos nomes no esporte nacional.

Vamos pensar naquilo que está mais próximo de nós. Quanto investimos na formação dos professores de educação física? Quanto melhoramos a remuneração dos profissionais de educação física? Criamos bolsas para atletas? Oferecemos oportunidades de aprendizado em função da dedicação à prática esportiva?

Infelizmente, o nosso país não leva a educação a sério e consequentemente, não encara seriamente a formação de nossos atletas também.

Boa parte daqueles que foram competir em Tóquio, tiveram que conseguir recursos próprios, com grande esforço, obtidos em “vaquinhas”, por exemplo, para poder treinar e viajar. Muitos dos que conseguiram resultados, dependeram do esforço próprio para a preparação.

Sinto-me orgulhoso pelas conquistas de nossos atletas, mas poderíamos ter melhor resultado se houvesse um programa estruturado, com políticas públicas para a formação de atletas ao longo do tempo.

Quem ouviu a Voz do Brasil na semana que antecedeu os Jogos Olímpicos pôde perceber que o Governo Federal tentou fortalecer sua imagem, se vangloriando do Bolsa “esmola” Atleta que concedeu.

Alguns podem até dizer que não falta dinheiro para os esportes olímpicos brasileiros. Pode ser que até haja, mas é mal distribuído. Como disse: não investimos na base. Também temos poucas competições internas.

Não digo que o hipismo não seja importante, mas imagine qual foi o custo para o transporte, hospedagem e manutenção de atletas e animais do Brasil até o Japão. Com este montante, quantos competidores individuais poderiam ser custeados? Em toda a história olímpica foram três medalhas conquistadas pelo hipismo, contra um total de 150 medalhas de todos os outros esportes.

Investir no esporte não é só criar a base para conquistas olímpicas. Investir em esporte também é uma forma de qualificação, de geração de renda, de redução da violência urbana. O esporte molda o caráter, cria oportunidades.

Nos resta o sonho, que nos próximos ciclos seja diferente. Que quem ganhe com nossa participação nos jogos não sejam somente os patrocinadores dos materiais esportivos ou dos anunciantes dos programas de televisão.

Também espero que valorizemos aqueles que realmente vestem as cores do Brasil. Sei que o vôlei e o futebol são importantes, mas só uma fração do que investimos nesses esportes seria suficiente para valorizar aqueles heróis, que com o esforço individual e conquistas incentivam a participação dos jovens, inspiram vidas.

Pierre De Coubertin, pedagogo e historiador, um dos idealizadores dos Jogos Olímpicos dizia que o mais importante é “competir com dignidade”. Nossos atletas foram dignos. Todos aqueles que sonham com um futuro no esporte merecem mais respeito. Isto também é dignidade.

Adnelson Borges de Campos
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