Histórias de Terra e Céu

A melhor chuva de meteoros do ano e um Cometa no céu

Imagem Ilustrativa

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Antes de começarmos a conversa desta semana, amigo leitor, tenho que registrar que não está fácil ser astrônomo nos últimos meses. É difícil lembrar a última vez que vi um céu estrelado em nossa cidade, mas sei que isto tem se repetido em várias outras cidades da região Sul. Na época de Noé, o dilúvio levou apenas 40 dias… Estou quase começando a construir uma arca… Mas deixando o desabafo de lado, e acreditando que voltaremos a ter “céus limpos” neste mês, vamos falar sobre uma chuva de meteoros e um cometa que poderão ser visualizados em dezembro. Embarque comigo nesta história!

Em abril deste ano eu falei aqui neste espaço sobre a constelação de Gêmeos. Mas historicamente é na metade de dezembro que quase todos os astrônomos voltam seus olhares para esta região do céu. Na noite de 13 para 14 de dezembro ocorre o pico da chuva de meteoros Geminídeas. É quando a Terra cruza a órbita do asteroide 3200 Faetonte, e os detritos deste objeto penetram na nossa atmosfera, provocando a “chuva de estrelas cadentes”.

Para você acompanhar esta chuva precisa olhar para o horizonte nordeste (ou seja: entre o leste e o norte), a partir das 23h do dia 13 (mesmo antes disso já podem ser vistos alguns meteoros espaçados). Mas é entre a 1h e as 3h da madrugada do dia 14 que a chuva atingirá seu pico. São esperados cerca de 120 meteoros por hora, mas isso depende muito da qualidade do seu céu. Procure um local bem escuro e sem construções ou árvores que atrapalhem a visão das regiões leste e norte do horizonte. Depois, é só aguardar! Esta chuva tende a ser bem estável, e parece estar aumentando a quantidade de meteoros visíveis a cada ano. Ou seja: o show promete!

Outra boa opção para dezembro é a visualização do cometa “C/2013 us10 Catalina”. Ele foi descoberto há dois anos, e pensou-se que era um asteroide. Depois, acompanhando a órbita dele, foi evidenciado ser um cometa. A primeira observação do Catalina no Brasil ocorreu em maio, pelo astrônomo Marco Goiato, de Araçatuba. Com o aumento de seu brilho, outros astrônomos começaram a registrar observações, mas sempre com telescópios ou grandes binóculos.

Mas neste início de dezembro, após a conjunção com o Sol, o Catalina reapareceu no céu matutino com magnitude 4,7. Então, mesmo com um binóculo pequeno (7×50 ou 10×50) será possível encontrar este cometa um pouco antes do Sol nascer, na constelação da Virgem. Se você registrar em um mapa celeste a posição do cometa, verá que a cada amanhecer ele estará se deslocando, deixando a Virgem na metade do mês e rumando para a constelação do Boieiro.

Vamos torcer para que o dilúvio realmente dê uma trégua e nos permita apreciar estas belezas que dezembro nos oferece.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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