Cena do videoclipe Thriller do cantor Michael Jackson, lançado em 1982.

A viagem pela arte caminha em vários segmentos, como as produções visuais (quadros, pinturas, arquiteturas), e também no audiovisual (cinema, teatro e videoclipes). A magia cultural nos clipes envolve muito mais que sentimentos. Ela é capaz de modificar a forma com que interpretamos uma canção e a visão que temos do artista, que caminha em protagonismo e/ou bastidores da produção.

Desde sua criação, a música – que era muito utilizada na antiguidade em rituais –, começou a ser um dos principais meios de identidade. No início as melodias e canções eram limitadas apenas para o sentido auditivo.

De acordo com Marcelo Lopes Vieira, estudioso e admirador de produções, com o advento do cinema falado, o som foi casado com a imagem e para o videoclipe foi apenas um passo. “Primeiro vieram os musicais, mas neste caso o contexto era o mesmo das óperas, onde a música era um adorno que ajudava a contar uma história. Até meados do século XX, vídeos com a música como personagem principal somente eram vistos em programas de televisão até que vieram os Beatles”, destaca Vieira.

Os garotos de Liverpool revolucionaram o mundo audiovisual, pois suas canções embalavam produções cinematográficas nos anos 60. As produções uniam-se em um contexto, como se o filme se transformasse em um videoclipe para todo o disco. Se procurarmos um pai para os videoclipes como os conhecemos hoje, o DNA seria positivo para Richard Lester. O produtor foi que deu um tratamento surreal às imagens que rodavam junto às canções dos Fab Four em filmes como Hard Day’s Night de 1964 e Help de 1965.

Com o passar dos anos, as produções passaram a fazer parte da identidade do artista, que passou a ser conhecido muito mais do que pela letra e melodia da canção, mas sim por toda produção audiovisual. Os anos 80 ficou conhecido como a década do videoclipe, e o estilo próprio começou a fluir em 1982. Uma das referências nesses quesitos foi o cantor Michael Jackson, que transformou em praticamente um “curta-metragem” a música Thriller, afinal, incontáveis pessoas ainda imitam zumbis quando a música começa a tocar.

Muito mais do que referenciar uma canção, a criatividade e a forma atrativa com que os takes são feitos durante a produção de um videoclipe fazem com que essa arte seja uma das que eu mais admire, tanto pela forma representativa quanto pelas emoções carregadas em cada cena. Quando assisto um bom videoclipe, sinto que faço parte – brevemente –, do mundo representado.

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