Espaço do Leitor

A nossa paineira

Antes

Nossa árvore foi maltratada na terça-feira, dia 17 de outubro, no Centro de São Mateus do Sul, onde resido. É, eu estou falando de nossa linda paineira, que plantamos há 22 anos, bem na frente de nossa casa. Plantamos, regamos quando em tempos de falta de chuvas, adubamos durante toda a sua vida.

A nossa paineira cresceu, ficou linda, enchendo-se de flores na primavera e fazendo sombra para carros e pessoas, nos dias de sol mais intenso. Ela era admirada por todas as pessoas que tinham percepção, e sensibilidade pelas coisas da natureza.

No dia 17, veio aqui um pessoal, composto por um engenheiro florestal que é professor de uma faculdade e uma meia dúzia de alunos seus e mais dois funcionários da Copel, estes com um caminhão equipado para fazer podas de árvores. Pois bem, vieram para fazer uma poda simples, tirar alguns galhos que estavam próximos dos fios de luz e outros que estavam, digamos, doentes, secando e outros já secos, e com isso os alunos iriam assistir a uma aula prática, sobre o que fazer corretamente, para evitar o adoecimento da árvore e sua possível morte.

Até aí tudo bem, eu acompanhei os trabalhos, sempre cuidando para que não ocorresse algum tipo de procedimento que viesse a prejudicar a paineira, e estava indo tudo muito bem, conforme conversamos com o professor engenheiro. Tive que me retirar por alguns minutos, tranquilo, pois o professor me garantiu que a poda iria ficar só naquilo, no combinado, que iriam cortar só as pontas de um enorme galho que estava tocando os galhos da árvore do outro lado da rua porque era necessário, devido tais pontas apresentarem sinais de algum tipo de fungo ou coisa parecida, sendo que, dentro de pouco tempo isso teria que ser feito.

Quando voltei, o serviço já havia terminado, mas ao invés de cortarem só as pontas daquele galho enorme, como me havia prometido o professor, cortaram o galho inteiro. Cortaram na sua base, um galho que pesa, possivelmente, uns 400 kg ou mais.

Fiquei com um misto de tristeza e raiva ao ver aquilo, com certeza, faltou a todos os que fizeram o serviço, bom senso. Não tinha necessidade alguma de fazer o que fizeram, não oferecia nenhum tipo de perigo, foi reconhecido como um galho epicórmico. Eu já ouvira falar em ramos epicórmicos, não sabia que um galho enorme daqueles era epicórmico, pois sou leigo. Aqueles brotos que agora vão surgir ao redor de onde se localizava o galho, serão epicórmicos?

Vizinhos e outras pessoas que passam por aqui todos os dias, amigos nossos, meus familiares, perguntam: quem fez essa barbaridade? Por que fizeram isso? Ouço dessas pessoas vários adjetivos como: malvadeza, insensibilidade, imbecilidade, que judiação, que pecado etc. e será que não haverá um desequilíbrio e a árvore cairá? Um vendaval por exemplo.

Nossa relação sentimental com a paineira, é muito grande, minha e de minha família. Nossa paineira não vai morrer. Ela está ali, firme bela, frondosa, forte, mas mutilada, menos charmosa.

Mas agora… Inês é morta. Não há mais o que se fazer, que pena, que pena…

Eu observei, pessoalmente, que no tronco, onde ficava o galho serrado, não havia fungo ou bactéria. Observem as fotos! O galho era sadio, como toda a árvore. Vejam como ela era antes, como está agora e a quantidade de partes dos galhos podados.

Artigo escrito pelo leitor José de Barros. Quer enviar o seu texto? Entre em contato! É gratuito!

Depois

Redação do jornal Gazeta Informativa

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