Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte I

Em nova linha de reportagem, conheça um pouco mais sobre a história das casas que marcam a arquitetura municipal. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Andando pelas ruas de São Mateus do Sul, seja na cidade ou no interior, você acaba encontrando casas de diversos estilos. Seja de madeira ou alvenaria, as residências trazem consigo o bom gosto de seus moradores, unindo dessa maneira uma arquitetura diferenciada e que deixa registrada a singularidade do município.

Para valorizar todas essas diversidades na história da cidade, a Gazeta Informativa estará realizando uma linha especial de reportagem que tem como objetivo principal compartilhar com todos os nossos leitores um pouquinho sobre a arquitetura das casas mais adoradas do município. Conheceremos sobre a história de cada local juntamente com a vida dos moradores que ali residem. Sabe aquela casa que você passa pela frente e tem vontade de conhecer? A Gazeta Informativa saciará a sua curiosidade. Embarque conosco nesses registros!

Mas espera aí… Aqui não mora uma bruxa?

O chalé foi projetado pelo proprietário Mirion Langaro há 40 anos, e guarda muitas lembranças e histórias entre familiares e amigos. Toda estrutura do chalé é feita de madeira, que aproxima ainda mais as pessoas com o estilo não convencional admirado por Langaro.

Calma, calma, sabemos que esse subtítulo assusta um pouco, mas é o que muitas crianças pensavam quando o chalé estava sendo construído há 40 anos. No alto da Rua Monoel Eufrásio Côrrea, a residência clássica de madeira coleciona muitas lembranças da família Langaro, que compartilha com a cidade o seu estilo diferenciado e acolhedor.

A casa toda de madeira foi projetada pelo próprio dono, Mirion Francisco Langaro, que é natural da cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul. Tendo o sonho de trabalhar como desenhista, Langaro relembra que sempre gostou desse ramo. “Penso que isso tem ligação com a hereditariedade, pois meu avô materno e meu tio eram desenhistas. Gostava de ver meu tio trabalhando em seus projetos”, diz.

Com o passar dos anos, sem deixar de lado a paixão pelo desenho, mudou-se para Curitiba incentivado por um amigo. Após realizar um concurso na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em 1971, fixou residência no município, que lhe acolheu de braços abertos. Naquela época, Mirion adquiriu alguns terrenos no seu atual bairro, e após três anos, a construção da casa começou a ser feita. “A rua não era aberta e dava para contar nos dedos as casas que tinham aqui na região. Haviam também muitos terrenos com plantação”, comenta.

Apaixonado pelo estilo não convencional, Langaro pensou em cada cantinho de sua casa. “Lembro que eu queria uma casa que me ajudasse a economizar, por isso optei por um chalé. Eu gastaria pouco dinheiro para fazer as paredes”, diz Mirion, que no final admite que não chegou a somar todos os gastos para ver se realmente poupou algum custo.

Com telhado marcante e robusto, as paredes do chalé medem um metro de altura, e a dimensão da casa é bastante nítida no meio de sua estrutura. O muro de pedra também possui um diferencial, possuindo uma referência com as construções feitas no Rio Grande do Sul. “Esse tipo de estrutura é muito usada para a divisão de campos no sul, algo que era feito muito pelos escravos no passado”, explica. Para melhorar a qualidade do solo e facilitar as plantações, as pedras eram retiradas e reutilizadas na construção de muros. Na casa dos Langaro, profissionais vindos diretamente do estado gaúcho foram responsáveis pela sua edificação.

 

“Lembro que quando estávamos construindo, muitas pessoas pensavam que nossa casa seria uma igreja. Algumas crianças cogitavam a ideia de que aqui seria a casa de uma bruxa”, comenta Mirion de maneira irreverente. Separada em dois andares, a estrutura do chalé de madeira tem como ponto positivo a resistência em variações de terreno. Por possuir um formato triangular, resiste a alterações climáticas, como ventanias. “O triângulo é a estrutura mecânica mais equilibrada que existe, garantindo uma estabilidade dimensional que evita deformações”, informa. Nos fundos, o chalé comporta garagens destinadas aos veículos antigos de Langaro, que preserva grandes relíquias para apreciadores de automóveis.

A curiosidade dos moradores faz com que a residência se torne cenário para ensaios fotográficos, que deixa Mirion contente pelo reconhecimento de tanto trabalho. Uma das marcas registradas da casa é o “gaúcho de lata”, feito em Paço Fundo – Rio Grande do Sul. “A pessoa responsável pela confecção do gaúcho foi o neto do homem que construiu a nossa casa há 40 anos”, enfatiza.

Além da referência em seu estilo, muitas pessoas compartilham lembranças positivas do chalé, que com toda a certeza ficará marcado para sempre na história de cada um que conviveu no local. “São Mateus do Sul me concedeu muitas oportunidades de conhecimento no meu trabalho. A construção dessa casa é um agradecimento por tudo que a cidade já me proporcionou”, encerra Langaro emocionado.

 

Era uma casa muito engraçada, “só” tinha teto…

A casa que “vai até o chão” já virou ponto de referência em São Mateus do Sul.

“Mas espera aí, essa casa tem janela?”; “Ouvi dizer que ela tem entradas subterrâneas”; “Mas será que alguém consegue ficar de pé lá dentro por conta do telhado?”; “Ela deve ser uma casa bem escura”… Essas e outras dúvidas permanecem há anos na cabeça das pessoas que passam pela casa de esquina que se destaca na Rua Eduardo Sprada. O telhado dinâmico e a estrutura misteriosa guarda muitos pontos importantes para a arquitetura municipal.

De acordo com o arquiteto responsável, a casa foi projetada nos anos 90. Ela possui um estilo arrojado e foi pensada na personalidade do irmão do arquiteto, que deixou o projeto na autonomia criativa do profissional. “Acredito que as casas refletem a personalidade das pessoas, então usei exatamente esse pensamento para elaborar o projeto”, diz. A casa reservada guarda consigo uma estrutura que foge dos padrões convencionais, “quebrando” a dimensão da esquina, oportunizando dessa forma, uma visão ampla da continuidade da rua.

Construída em um terreno de desnível, a adaptação para a construção dos cômodos dimensiona ainda mais toda a parte interior, que se divide em dois andares. Um dos segredos da casa é o jardim interno, responsável por boa parte da iluminação do espaço. Os quartos se encontram na direção norte, que também colabora com a entrada de luz solar. “Nessa obra, o desenho urbano foi rompido e na minha opinião, foi o que me deixou mais feliz”, afirma o arquiteto.

Com o passar dos anos a casa foi vendida, e atualmente os proprietários Ivanes Tortelli e Lucia Tortelli, residem no local. “É muito bom usar a casa como referência. Quando encomendamos alguma pizza e pedem o nosso endereço, é só falar que moramos na casa que ‘vai até o chão’ que o entregador sabe de primeira”, comenta Lucia.

 

O casal natural do Rio Grande do Sul, morou em um determinado tempo na capital Curitiba. Após oportunidade de trabalho, fixaram residência em São Mateus do Sul. “Quando chegamos no município estávamos procurando alguma casa para comprar. Como o irmão do Cezariel estava de mudança, viemos conhecer a casa e me apaixonei de primeira”, afirma Lucia.

Surpresos com a estrutura, o casal fechou negócio e em poucos dias, já estava morando no local. Lucia comenta que muitas pessoas passam por ali curiosos para saber como é a parte interna da casa. “Gosto muito da vizinhança, que foi bem acolhedora conosco”, enfatiza. Representando bom gosto, a casa é aconchegante e simboliza muitos momentos de felicidade na vida dos atuais moradores. “Quando estou aqui dentro, me sinto protegida”, encerra Lucia.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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