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A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte II

Da esquerda para direita: casa de Iede Maria Skalski e casa de Nelson Nadolny. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Provavelmente você já se encantou por alguma das casas de nossa linha especial de reportagens sobre a arquitetura de São Mateus do Sul. Nessa semana conheceremos a tradicionalidade preservada na residência de Iede Maria Skalski, juntamente com a modernidade visível na casa de Nelson Nadolny e Acacia Nadolny. Mesmo com suas diferenças estruturais, as duas casas trazem consigo a magia natalina, que você entenderá melhor logo mais.

Embarque conosco em mais uma viagem no tempo e na história das famílias são-mateuenses!

O passado no século XXI

A casa é toda trabalhada de madeira, possuindo referência no estilo polonês. A atual proprietária mantém a pintura tradicional nas paredes e todos os móveis antigos da época.

Construída em 1930 por Vicente Skalski, a tradicional casa de madeira de estilo polonês marcante ainda guarda um resgate histórico do início do século XX. Com grandes referências internas e externas, a casa é toda decorada com móveis, objetos e detalhes originais de quando foi construída.

Chegando na sala de recepção, as paredes de 4,10 metros são a base principal para quadros, porta retratos e detalhes feitos à mão. A casa arrojada com cômodos espaçosos é um dos principais motivos que fazem Iede Maria Skalski amar o local. Nascida em Pato Branco, município localizado no sudoeste do Paraná, Iede reside na casa há 42 anos, e é a responsável por preservar todos os objetos. “Me considero mais são-mateuense do que pato-branquense”, afirma.

Casada com Julio Skalski, filho de Vicente e Eugênia Skalski, Iede conta que naquela casa seus três filhos foram criados. Com muitas histórias e motivos para admirar aquele espaço, o passado da família está realmente dentro e fora da casa. Seja no pé de cerejeira cinquentenária, ou nos móveis que pertenciam ao Doutor Paulo Fortes, a casa resgata muito mais que uma beleza de época, mas sim, o estilo e a vida de quem já passou por ela.

A casa é toda trabalhada em madeira. Iede relembra que a os detalhes das janelas foram esculpidos ali mesmo. “A madeira foi retirada dos terrenos do pai da minha sogra em Fluviopolis. Todo lixamento foi feito à mão. Um dos rituais usados naquele tempo era de que a madeira precisava ser serrada em uma determinada lua e em um dia específico”, explica. Acreditava-se que com isso as pragas – como cupins – seriam evitadas.

Além de manter toda a decoração da época, o estilo de Iede acrescenta ainda mais na beleza da casa. Apaixonada por coleções, é possível encontrar nas prateleiras galinhas de porcelana, esculturas de coruja e dezenas de pequenas xícaras. Fora esses detalhes, a educação não foge da realidade da família, que possui obras literárias de diversos estilos em uma biblioteca particular.

Uma das épocas do ano mais esperadas por Iede é o Natal. Se você já passou na frente da casa localizada na Rua Tenente Max Wolff Filho nesse período, deve ter percebido a quantidade de Papais Noéis espalhados pelo jardim. “Faço questão de decorar todo ano”, diz. Muitas pessoas fotografam a casa e ficam admirados pela criatividade da proprietária. “Se eu fosse cobrar algum valor de cada pessoa que passa fotografar a minha casa, com certeza quitaria meu IPTU”, diz de maneira irreverente.

A proprietária reforça que não se incomoda com as fotos da parte interna, mas comenta que a entrada só é liberada para grupos de estudantes.

A casa de desenho único

A família conta que muitas pessoas passam fotografar a casa que já se tornou referência o município.

Um lugar onde vive um casal simpaticíssimo não poderia transmitir algo diferente. Logo de cara ficamos impressionados pela estrutura e também pelas nuances e formatos espalhados pelo telhado. Quando entramos, percebemos que cada espaço foi projetado com muita delicadeza. Quem passa pela Rua Barão do Rio Branco e dá de cara com toda essa estrutura, deve criar teorias e imaginar como tudo foi elaborado.

No terreno onde a casa foi construída, anteriormente era o local da antiga residência da família. “Tínhamos uma casa mista de alvenaria e madeira com mais de 200 m². Resolvemos demolir tudo para construção de algo diferente”, dizem Nelson Nadolny e Acacia Nadolny, proprietários da casa. Contando com apoio de dois arquitetos que estavam iniciando no ramo, eles reconheceram o local e em seguida apresentaram o projeto para os proprietários.

“Aprovamos de primeira! Os arquitetos costumam dizer que a nossa casa foi a primeira grande obra deles”, diz Nelson. Pela grande comunicação entre eles, o casal criou uma bonita relação de amizade com os arquitetos, que colaboram até hoje em alguma necessidade estrutural encontrada por eles.

A casa é bastante prática e contém espaços arejados e iluminados. Ela possui diversos níveis de elevação, com quartos e móveis projetados para cada lugar, juntamente com escadarias e um bonito jardim de inverno. “Quando estávamos conversando com os arquitetos, a única coisa que exigimos é que todos os quartos possuíssem terraços. Eu amo esse estilo”, afirma Acacia, encantada com o resultado obtido.

Logo depois de terminada, a casa reunia curiosos que passavam admirados pelo resultado de uma obra tão inovadora e diferente para a época. “Uma vez um casal de fora estava de passagem por aqui e parou para fotografar a nossa casa. Eles pediram o nome do responsável pela obra e queriam fazer uma casa igual para os pais deles lá na Bahia”, relembra Nelson.

Uma das principais lembranças que ligam a casa com São Mateus do Sul é a repercussão da decoração natalina elaborada pelo casal. Para quem não sabe, anteriormente a Prefeitura Municipal realizava concursos que elegiam a casa mais enfeitada no Natal. O vencedor não pagaria o IPTU do recorrente ano. “Ganhamos duas vezes o primeiro lugar. Era lindo, a rua era fechada e muitas pessoas passavam por aqui para admirar nossa produção”, relembra. Nelson comenta que sente falta desse apoio da Prefeitura, e ressalta que pelas limitações da idade, e principalmente pela segurança, hoje não realiza uma decoração tão elaborada como antes.

A Prefeitura Municipal realizava há alguns anos um concurso das casas mais enfeitadas no Natal. A casa da família Nadolny sempre se destacava nessas produções. (Acervo Pessoal)

Apesar de sua diferença estrutural, a beleza retrata a personalidade do casal que compartilha com o município uma vida de bons frutos colhidos.

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