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A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte III

A casa pertence ao Grupo Escoteiro Paul Harris de São Mateus do Sul, e abrigará em sua estrutura salas específicas para as atividades do Grupo. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

O que você estava fazendo no dia 20 de dezembro de 2015? Quem sabe a sua mente não relembre tanta coisa assim, mas você deve ter escutado ou visto o fato que marcou esse dia no cotidiano são-mateuense. A antiga casa de madeira, antes localizada na Rua Rodolfo Wolff, nas proximidades do Campo do Atlético, foi transportada de forma inusitada pelas ruas do município. Sem ter a sua base desmontada (apenas o telhado por logística de locomoção), a casa foi levada por um caminhão até o seu destino e parou a cidade por onde passava. Após a venda, a arquitetura da casa ficou marcada ainda mais na história da cidade.

 

Afinal, o que aconteceu com a casa que foi transportada pelo caminhão?

Sendo uma estrutura de madeira confeccionada no início do século XX, a casa traz a tradicionalidade dos lambrequins (recorte de madeira usada na decoração) em sua estrutura, o que marca ainda mais a arquitetura trazida pelos europeus na época. Com cômodos espaçosos e um ambiente marcado pela altura, a casa teve como primeiro proprietário Jovial Carlos do Amaral Wolff e sua esposa. Muitas famílias e histórias ficaram fixadas no local com o passar do tempo. A casa já sobreviveu a enchentes e diversas variações climáticas.

“Algo que me chamou a atenção nessa casa é que ela possui oito portas de saída”, comenta Mirion Langaro, fundador do Grupo Escoteiro Paul Harris. O Grupo está em São Mateus do Sul desde o dia 21 de setembro de 1981. A ligação dos Escoteiros com a casa trouxe uma nova realidade para toda sua estrutura, que se mostrou resistente durante todo o trajeto dinâmico feito durante seu transporte.

Para contextualizar esse momento, em dezembro de 2015, a casa passou a ter como proprietário o Grupo Escoteiro do município, que é responsável por manter toda estrutura situada em sua sede. “Essa casa foi disponibilizada por Alexandre Godoy, que havia adquirido o terreno onde ela estava localizada. Como ele é escoteiro, ofertou a estrutura por um preço simbólico para nosso Grupo”, comenta Anderson Paulo Nora da Silva, diretor presidente adjunto do Grupo Escoteiro Paul Harris. Com economias arrecadadas no decorrer dos anos, a ideia foi apresentada para os outros membros da diretoria e a casa foi comprada por eles. De acordo com Nora, durante a retirada da casa do local, muitas pessoas ajudaram e foram fundamentais para que a ideia desse certo. “Um dos objetivos do escotismo é encontrar soluções nos momentos de dificuldades.”

Foi aí que começou o planejamento para a mudança. O Grupo Escoteiro resolveu adaptar a estrutura sem perder a essência tradicional da casa, que é marca registrada em São Mateus do Sul. O espaço abrangerá salas específicas para as divisões presentes no escotismo – lobinho (7 a 10 anos); escoteiro (11 a 15 anos); sênior (15 a 17 anos); e pioneiro (18 a 21 anos) -, lugares para os equipamentos e espaço para reuniões e confraternizações. De acordo com Luiz Severo, membro da equipe do Grupo Escoteiro, um importante passo das obras iniciou no mês de abril.

A ideia da repaginada é envolver os escoteiros no trabalho em equipe. “Sempre incentivamos o Grupo a participar dessas mobilizações, assim eles também se sentem parte do local”, diz Severo. As obras estão sendo planejadas para acomodar com segurança todos os escoteiros. “Vamos usar também os métodos de adaptação para cadeirantes nessa casa, para que todos possam frequentar o espaço”, informa.

A equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com Rogério Ehlke, que teve uma relação direta com a casa no passado. Para ele, uma das principais recordações da antiga família que residia na casa, e marcou a sua vida, era um binóculo de Madre Pérola. Com o objeto, ele conseguiu observar a estrutura da Petrobras e a Igreja Matriz São Mateus com outra perspectiva, sendo uma novidade para os olhos que nunca haviam entrado em contato com algo tão dinâmico.

As histórias vivenciadas no interior da casa até hoje fazem parte da obra marcante no município. Muitas pessoas conviveram e muitas ainda conhecerão esse espaço, que além de proporcionar uma experiência de volta para o passado, traz consigo um valor imensurável para a cultura do Grupo Escoteiro do município.

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