Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte V

Gilda Janette Maciel nasceu e vive até hoje em sua casa, construída pelo avô Emílio Carlos Prohmann. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Sabe quando você entra em uma casa e recebe um sentimento positivo daquele lugar? É exatamente isso que a equipe da Gazeta Informativa sentiu quando entrou pela cozinha da casa da simpática Gilda Janette Maciel, de 88 anos, que nos recepcionou com um belíssimo sorriso no rosto e uma memória infalível para as boas histórias.

Talvez você não conheça, ou nunca passou pela frente da casa, localizada no fim da Rua Paulino Vaz da Silva, mas a construção centenária guarda o amor de uma família que possui grande importância para a história de São Mateus do Sul. Gilda não lembra ao certo o ano que a casa foi construída, pois ela nasceu ali mesmo, em um dos quartos da residência. “Meu avô, Emílio Carlos Prohmann, construiu essa casa para a minha mãe, Alvina Prohmann Maciel, onde ela e meu pai, Ovídio dos Santos Maciel, passaram boa parte da vida”, explica Gilda. Seu pai, que fazia aniversário no dia 21 de setembro, faleceu aos 101 anos de idade, tempo muito bem vivido por ele.

Emílio projetou e pensou em cada cômodo da casa, que como a maioria das residências da época, possui as paredes altas que destacam os espaços. De acordo com a historiadora Hilda Jocele Digner Dalcomuni, a família Prohmann, foi uma das responsáveis por trazer a companhia de eletricidade para São Mateus do Sul. Como forma de homenagem, hoje existe a Rua Emílio Prohmann no município. Gilda era a caçula de três irmãos, e uma das principais formas de relembrar da casa no passado, era as brincadeiras que faziam em cada lugarzinho da casa.

 

Gilda não se casou e não teve filhos, mas é muito amada por pessoas que vão lhe visitar sempre. Por motivos de saúde, atualmente ela encontra-se acamada, mas com o mesmo sorriso no rosto que anima qualquer pessoa. Os detalhezinhos nos cômodos da casa lembram (e muito), a casa de vovó dos contos de fada: cristaleira com xícaras lustradas, cadeira de balanço, fogão a lenha, quadros pintados pela sala, tapetes, crochês, armários de madeira enfeitados com flores em relevo, canequinhas de alumínio, cadeiras de palha, e muitos detalhes que só quem conhece a casa encontra.

“Eu gosto de tudo nessa casa”, afirma. Nos fundos podemos encontrar um poço d’água e um forno de barro, que misturam sua tradicionalidade com as flores coloridas que estão começando a brotar. Segundo Fernando Martins, as casas de madeira são um marco para a história do Paraná, que relembram a colonização do Estado. “Em uma cidade fria e úmida, as casas de madeira, muitas construídas com paredes duplas e suspensas, eram exemplos de como lidar com o clima”, enfatiza. A arquitetura em madeira, partindo destes princípios, foi evoluindo e passando por uma fase de construção popular, alcançando níveis surpreendentes e de grande realização à medida que o desenvolvimento tecnológico foi evoluindo.

A casa de Gilda se mantém estável e com importantes diferenciais que ainda mantém viva a antiguidade das construções na cidade. De acordo com o artigo “Arquitetura e Documentação”, existiram três principais fatores que colaboraram para a construção de casas de madeira no Paraná: a vasta reserva de araucária, madeira de qualidade, linear e com galhos; O segundo ponto importante corresponde à quantidade de mão-de-obra de qualidade aliada a grande oferta de material; e o fator da industrialização da extração da madeira proveniente das serrarias que possibilitou uma padronização construtiva, permitindo a formação de mão de obra qualificada. O sistema construtivo era simples, porém não limitado.

Mesmo estando impossibilitada de caminhar pela sua casa nos dias de hoje, Gilda lembra muito bem dos detalhes da residência, como se estivesse visitando cada espaço em sua preciosa memória. A equipe da Gazeta Informativa agradece a colaboração da família Chaves e Bianchini, que foram fundamentais para a realização dessa matéria.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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