Especial

A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte VII

Conheceremos essa semana um pouquinho mais da história da casa que pertenceu e foi projetada por Agenor Nascimento. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A Rua Agenor Nascimento é uma das ruas mais populares de São Mateus do Sul. A principal referência da família Nascimento é a criação da Casa Bronze em 1917, importante empreendimento que foi construído por Flórido Nascimento, pai de Agenor e avô de Egon Santos Nascimento. Tudo de mais inovador e diferente eram encontrados no espaço. “Meu avô foi o primeiro revendedor dos brinquedos Estrela aqui na cidade. Também tínhamos ternos da marca Renner e demais produtos de utilidade para a casa como porcelana e panelas”, relembra Carla de Fátima Nascimento Muchalak, filha de Egon e neta de Agenor. Por motivos pessoais, há dois anos, a loja mais antiga da cidade fechou as portas e sua construção foi demolida, mas ainda é lembrada pelas pessoas que passam pelo local. Toda a quadra pertencia a família Nascimento. Ali foi inaugurado o primeiro posto de gasolina da cidade e também um escritório de tipografia.

 

A equipe da Gazeta Informativa visitou nessa semana a residência que Agenor passou os últimos de sua vida, e compreendeu como a quadra onde a casa foi construída é importante para a história da família até hoje. Agenor foi o responsável pelo projeto da casa, que possui paredes duplas de madeira. A família conta que a paixão pela arte era um hobby do são-mateuense, que também foi o responsável pelo projeto do Lar São Mateus e da casa da fazenda Maria Isabel.

A antiga construção da Casa Bronze que encerrou suas atividades há dois anos. (Arquivo Pessoal)

Egon Nascimento era filho de Agenor, e casou-se com Marlene de Lourdes Roderjan Nascimento, que reside na casa junto de sua filha e seu genro nos dias de hoje. “Já fazem seis anos que o Egon faleceu, mas ele foi muito importante para diversos momentos do município. Ele foi o primeiro meteorologista daqui, trabalhou como professor, secretário e diretor do Colégio Duque de Caxias e também era responsável pela loja mais antiga da cidade”, relembra Marlene com carinho. Egon também atuou como tesoureiro do Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes.

Carla recorda que logo pela manhã, faça sol, chuva ou geada, ela e o irmão iam junto do pai para o observatório da cidade acompanhar o trabalho na área meteorológica. “Íamos com cobertor e tudo. Ele media o tempo e voltávamos para casa”, diz. O observatório era localizado onde hoje se encontra o Batalhão do Corpo de Bombeiros do município. Fora essas peculiaridades no trabalho com a mudança climática, Egon também recebeu o título de Sargento do Exército Brasileiro na juventude. “Tenho até hoje a espada que foi do meu pai”, comenta Carla, mostrando a relíquia que divide espaço com outros objetos antigos de sua família, guardados com muito apreço pelos cômodos da casa. “Tenho um rádio onde meu pai e meu avô escutavam sobre a Segunda Guerra Mundial”, explica Carla.

A casa esbanja um jardim repleto de flores e árvores frutíferas. Construída em 1943, a residência também marca a beleza da arquitetura de madeira planejada cômodo por cômodo. “A casa passou por algumas reformas nos últimos anos, mas buscamos manter ela do jeitinho de sempre”, afirma Carla. Dentre essas características, a portinha de madeira, usada para colocar o leite pela manhã deixa fixado na parede de entrada uma história diferente da realidade das compras de supermercado da atualidade. “O leiteiro passava, abria a portinha e deixava o leite. Aí pela parte de dentro da parede, a garrafa era retirada”, explica Carla.

 

As mesas e as cristaleiras guardam ainda a decoração antiga da casa. A pequena escada que dá acesso ao andar superior surpreende quando se chega ao destino final, que tem uma visão privilegiada da Igreja Matriz São Mateus e do Rio Iguaçu. “A praça aqui na frente possui o nome em homenagem ao meu bisavô Flórido Nascimento”, explica Carla, que enfatiza que o local poderia ser mais valorizado pelos representantes municipais.

A família acolhedora compartilhou suas experiências com a casa da maneira mais simpática possível. “Tenho minha hortinha e também as minhas galinhas polonesas”, Marlene indica orgulhosa, apontando também para seus pés de abacate e carambola. Sendo uma leitora assídua da Gazeta Informativa, a proprietária conta que realiza a leitura completa do jornal toda sexta-feira. “Eu amo ler!”, afirma. Esperamos que agora, sentada no quiosque do seu jardim ou deitada em sua cama, Marlene relembre ainda mais dos momentos felizes vividos em um dos lugares mais importantes para a construção do comércio são-mateuense. A casa é linda, a história da família é ainda mais.

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