Especial

A originalidade da arquitetura são-mateuense – Parte VIII

Não poderíamos deixar de falar da casa de Rui Eduardo de Paula e Silva em nossa linha especial de reportagens sobre a arquitetura são-mateuense. A propriedade que teve sua fachada tombada como patrimônio do município em maio de 1996, mantém intacta a estrutura de um dos primeiros empreendimentos de São Mateus do Sul.

Localizada próximo a praça do Rio Iguaçu, de acordo com os registros do documento do tombamento, a casa foi construída no início do século XX com tábuas de madeira de imbuia sem emenda e de primeira qualidade, que são mantidas até hoje pelo proprietário. “As paredes são duplas, porém existe uma peça que possui três camadas de madeira”, diz Rui.

Segundo a história da casa, residiram ali membros da família Hauer vindos de Curitiba, que trouxeram para o município um estabelecimento comercial que foi bastante movimentado com o começo das navegações, logo que a casa está localizada em um ponto estratégico do início do município. Mais tarde o local pertenceu à família Bumester que continuou a explorar a atividade comercial no espaço. Posteriormente o imóvel passou a pertencer à firma Jordan S/A. O sogro de Rui, Arthur Von Linsingen foi o penúltimo proprietário, passando o imóvel para a filha que casou-se com o atual dono da casa.

Entrando pelo portão da residência típica da arquitetura europeia, as flores de inverno florescidas agregam ainda mais a cor leve da casa. O céu azul faz contraste com as cores nas paredes, que refletem de forma simétrica a sombra dos lambrequins que contornam a residência. “Nas laterais mantive os lambrequins originais da casa. Esses que estão na entrada foram feitos especialmente para ela”, explica Rui. O são-mateuense, que já trabalhou em diversos ramos no município – principalmente com a erva-mate –, comenta que a casa já passou pelas cores verde, rosa e amarelo.

Observando a rua pela varanda alta, percebemos as águas do extenso Rio Iguaçu, que se mesclam com a paisagem da praça construída para entretenimento da população. “Moro aqui há mais de 30 anos e a enchente maior chegou na esquina da casa”, diz. Entrando na parte interna, o assoalho de imbuia bem lustrado traz a sensação de volta ao passado. Os móveis consistentes remetem a decoração de época, que estão demonstradas pelos cômodos. A casa faz parte da rota nas visitas dos turistas no “Caminhos do Mate”, atividade que apresenta o município, a cultura da erva-mate e a colonização para as pessoas de outras cidades. “O pessoal fica impressionado com a parte interna”, afirma. O proprietário também comenta que muitas pessoas passam, param e fotografam a casa como forma de recordação. “Meus vizinhos até comentam que percebem alguns carros parando aqui na frente e registrando partes da casa”, diz.

Rui também deixou a sua marca em alguns detalhes de decoração da casa. A churrasqueira foi construída por ele, que moldou, lixou e envernizou todas as madeiras. Os vasos de flores também possuem detalhes em ferro, que dão um acabamento completo para toda a obra. A parede que divide a copa com a sala de estar possui um arco de madeira, que desenha todo o espaço.

A residência já está registrada na documentação de tombamentos de São Mateus do Sul, mas principalmente na vida de Rui, sua esposa (em memória) e dos filhos e netos, que cresceram e dividiram a história da casa com a memória do início do município.

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