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A paixão pela dança: a arte que contempla alma e coração

Emanuella participou do mais famoso Festival de Dança na cidade de Joinville no ano de 2016 com uma apresentação de Dança do Ventre, envolvendo os espectadores em um belíssimo espetáculo. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

A dança é uma expressão perpendicular de um desejo horizontal que é capaz de mudar nossas vidas e transformar em realidade inúmeros sonhos. Foi assim que a trajetória de vida da união-vitoriense Emanuella da Silva Tonon, de 42 anos, vem se desencadeando ao longo dos anos, e faz parte de uma paixão incondicional que só cresce em sua vida.

Filha de Mauro da Silva e Nair Schavalla, a pequena Manu, como até hoje carinhosamente é chamada por amigos e alunos, desde sua infância já demonstra sua aptidão e carinho pela arte da dança, quando residia no bairro São Basílio Magno em sua cidade natal, e semanalmente se reunia com suas amigas do bairro para participar do Clube do Chá Gelado, destinado às meninas que expunham seus dotes artísticos.

“Quando eu era pequena, brincava de trabalhar e reunia as meninas da minha vizinhança no Clube do Chá Gelado para ensaiar várias coreografias, desfiles de moda, apresentações de dança, enfim, tudo que envolvesse o se expor, reunindo todas para os ensaios de coreografia e em seguida para as apresentações”, relembra Manu que ainda conta, “sempre liderei as meninas do nosso bairro nesses nossos encontros”, demonstrando assim sua aptidão e valorização de liderança.

Numa época onde o auge da mídia era a Xuxa e suas paquitas, aquela pequena menina se inspirava junto de suas amigas nas brincadeiras de criança e fomentava ainda mais uma paixão que aflorava em seu coração, e que aos poucos foi sendo reconhecida. “Na minha época surgiu a Xuxa, e eu era encantada com ela e com as paquitas”.

Emanuella conta que desde seus doze anos de idade já sabia o que queria ser no futuro e nunca mudou de ideia. Na época, ainda em União da Vitória, conheceu sua primeira e única professora de dança. “A Jacinta chegou na cidade e mudou a minha vida. Naquela época só existiam escolas de Ballet e eu não gostava daquilo, quando a professora me apresentou um estilo de dança que misturava vários estilos me apaixonei”, relembra emocionada.

Com o objetivo de dar continuidade ao seu amor pela dança, Manu iniciou a faculdade de Educação Física na antiga Faculdades Reunidas de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas de Palmas (FACEPAL), na cidade de Palmas, onde aprimorou seus conhecimentos e pode dar sequência às suas atividades de dança. Manu se formou em 1996, e há 22 anos vem desempenhando a profissão de profissional da Educação Física.

Tornou-se são-mateuense de corpo, alma e coração, quando há 14 anos veio junto de seu esposo, Mateus Tonon, que havia passado no concurso da Unidade da Petrobras e aqui estabeleceu a continuidade de seus sonhos que aos poucos vêm se tornando realidade. “O amor falou mais alto e vim ficar com ele”, comenta Manu que inicialmente ministrou aulas no Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE).

“Hoje eu me realizo, pois até então tive de trabalhar em outras áreas, inclusive como professora, pois era necessário iniciar. Agora tenho meu próprio espaço, onde dou aula daquilo que eu mais amo, trabalhando com a dança e a ginástica”. Espaço que foi durante muito tempo seu sonho, o qual conseguiu concretizar com o apoio de sua família e amigos.

Como fruto concebido do amor do casal, nasceu a pequena Valentina da Silva Tonon, que hoje ostenta o orgulho da mãe, que relembra que seu espaço começou a ser construído com ela na sua barriga e ainda com oito meses de vida já participou de sua primeira apresentação artística. Vestida de borboleta no colo da mãe, ela se apresentou pela primeira vez e nunca mais parou, sempre acompanhando sua inspiradora.

Ao longo de seus 14 anos em São Mateus do Sul e há 7 anos com seu estúdio de dança, a professora não para. Foram centenas de alunos que já puderam conhecer de perto seu amor pela dança, o qual transborda e inspira tantas e tantas meninas, muitas que hoje são mães e não deixam de frequentar suas aulas e levar suas filhas para conhecer esse mundo, tão especifico.

“Me emociono com minhas alunas as quais pude colaborar com elas e hoje as mesmas são mães e me procuram para que eu seja professora de suas filhas. As crianças conhecem a dança sempre motivadas pela mãe, muitas delas acompanhando nas aulas e logo com 4 anos de idade já iniciam as atividades por amor a dança”.

Junto às alunas a apresentação que mais marcou a professora foi uma que contou com a encenação dos deuses gregos. Cada uma das meninas pesquisou e procurou se inteirar de cada um dos papéis. A apresentação foi há 4 anos, mas Manu relembra emocionada até hoje, “eu me vejo nessas meninas e vejo o potencial em cada uma delas”.

Um dos maiores orgulhos de Emanuella é sua atuação com a Dança do Ventre, a qual comenta que é a responsável pela redescoberta da dança depois de certa idade, quando incorporou o estilo em suas aulas. “Esse tipo de atividade engrandece a alma das mulheres e por meio dessa linha de ação com esse tipo de dança, pude realizar um dos meus maiores sonhos que foi participar do Festival de Dança da cidade de Joinville em Santa Catarina”.

Manu em uma apresentação de dança do ventre. (Acervo Pessoal)

O Festival de Joinville foi o momento mais especial na vida da dançarina, “foi desafiador, pois me inscrevi enviando uma coreografia e fui selecionada em meio a dançarinas de todo o país. Foi tão emocionante que no primeiro dia, na primeira apresentação esqueci a coreografia, recuperei minha memória quando já estava na metade da apresentação, tudo movida pela emoção”, suspira emocionada.

Uma cidade inteira que respira dança. Qualquer palco montado em qualquer esquina lota de dezenas de pessoas que prestigiam e valorizam cada apresentação. “Me apresentei na feira da sapatilha em 2016”, relembra e comenta que seu atual sonho é levar sua turma de dança do ventre para se apresentar em Curitiba, demonstrando assim a capacidade de cada uma delas.

“Você não pode desistir, com o tempo vamos ganhando experiência com as dificuldades que muitas vezes iriam impedir de fazer o que você gosta”, completa a professora e dançarina que conversou com a equipe da Gazeta Informativa em meio a uma de suas aulas de Pilates, outra área que é encantada e como ela mesma diz, que contempla seu amor pela dança.

Alexandre Müller
Alexandre Müller

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