(Imagem Ilustrativa)

Em todos os momentos de crise, de dificuldades, um ponto que podemos chamar de positivo é o aprendizado.

Se você fizer uma rápida pesquisa na Internet procurando os termos “redução do número de acidentes de trânsito”, vai perceber, de forma generalizada, que tivemos menos feridos, menos mortes durante o período de maior isolamento social com o Coronavírus. O mesmo deve estar ocorrendo em relação a acidentes de trabalho e mortes violentas como latrocínios e homicídios, por exemplo.

Isto ocorre não só pelo menor fluxo de pessoas ou pelo maior número e paralizações da atividade econômica. É certo afirmar que em momentos de crise, as pessoas passam a se conscientizar da importância da prevenção, da segurança e da saúde. Valorizam mais a vida e se preservam. Também se tornam mais cooperativas.

Com algumas pessoas com quem conversei, recebi a informação de que o número de pessoas esperando em unidades de pronto atendimento também se reduziu significativamente. Alguns deixaram de procurar o atendimento por medo de contaminação, outros simplesmente deixaram de procurar os serviços pois seus casos não eram preocupantes e aí sobrou espaço para se atender quem realmente precisava. E a contaminação em ambiente hospitalar deve ter diminuído mesmo, pela menor concentração de pessoas.

Ainda é cedo para se afirmar, mas outro motivo da redução de pessoas procurando os serviços de saúde foi o aumento dos cuidados com a higiene. Assim, provavelmente o número de doentes, de forma geral deve diminuir nos próximos meses e espero que nos próximos anos. Fazer a correta higienização das mãos, dos utensílios, limpar a residência, o local de trabalho, as vias públicas são alguns cuidados básicos que todos deveríamos ter, sempre. É nisso que a sociedade deveria investir, é isso que os governos deveriam priorizar.

Conscientização gera resultados a curto prazo, educação pereniza esses ganhos. É bem mais barato oferecer água e sabão para a população, investir em saneamento do que gastar com internações e medicamentos.
Assim, da mesma forma que os acidentes diminuem e as filas nos hospitais encolhem, a poluição reduzida nos permite voltar a ver as estrelas. Animais ressurgem em nossa volta. Presos, redescobrimos a beleza e a importância da natureza.

Isto significa que devemos viver isolados para sempre? Não. Tudo sinaliza que podemos fazer tudo de forma mais racional, mudando paradigmas, nos tornando mais produtivos, mais efetivos, mais humanos. Tudo neste mundo está nos esperando para um recomeço.

Neste momento de dificuldade, percebemos que podemos ser mais bondosos, generosos. Campanhas são formuladas, voluntários usam parte de seu tempo para conscientizar e amparar. São gestos simples e que deveriam acontecer no dia-a-dia. Um pouquinho do que você tem pode ajudar quem não tem nada.

Outra percepção gerada com os cuidados no combate a pandemia: carga horária elevada, nem sempre é sinal de produtividade. Com o teletrabalho descobriremos que é possível atender às demandas da organização com qualidade e dedicar um pouco de tempo para a família. Trabalhando em casa teremos que enfrentar menos trânsito, menos riscos de assaltos, entre outras vantagens.

Em nosso país, particularmente, espero que todos tenhamos resgatado a importância da ciência em nossas vidas. Que voltemos a investir em universidades, na pesquisa e desenvolvimento.

As empresas também perceberam que precisam investir mais em programas sociais, pois proteger a vida também é garantia de manutenção do mercado para seus produtos e serviços.

Sei que cada um de vocês poderia destacar um ponto de aprendizado, identificando formas de ganho para a sociedade. Também poderá apontar algumas falhas e ajudar a corrigi-las, para que as futuras gerações enfrentem melhor um problema similar. Pense a respeito e avalie como pode ajudar.

Adnelson Borges de Campos
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