Histórias de Terra e Céu

A perfeição de Roberto Angewitz

No último sábado tive a oportunidade de apresentar a pesquisa histórica que fiz para resgatar a vida de Roberto Angewitz. Mais do que simplesmente o fato de que o cara tinha uma perna-de-pau e tirava óleo de pedra, foi possível abordar um pouco do aspecto humano deste gênio, principalmente sua vida anterior ao xisto. Embarque comigo (no resumo) desta história!

Roberto Angewitz nasceu em 29 de outubro de 1878, em São Bento do Sul, filho dos imigrantes polacos Maximiliano Andziewicz e Natália Cyms. Sim, os pais de Angewitz eram polacos, e não alemães como a maioria dos autores sustentava. No relatório de pesquisa apresento os registros obtidos na Polônia que comprovam isso.

Antes de completar três anos de idade perdeu a mãe. Aos oito anos foi picado por uma jararaca e teve que ser levado a Joinville, de carroça. A viagem até lá levava mais de 24h, e a perna chegou completamente gangrenada, precisando ser amputada. O que esperar de um garoto órfão de mãe, com uma grave deficiência física, que teve que abandonar a escola, e que pertencia a uma família de imigrantes pobres (Maximiliano teve 20 filhos, somando os casamentos com a primeira esposa e com Marianna Wielgosz)? Se tratando de Roberto Angewitz, podíamos esperar tudo!

Mesmo sem frequentar a escola, o menino lia todos os livros que encontrava, aprendendo sobre química, física, eletricidade, metalurgia etc… Preparou uma perna-de-pau usando tocos de madeira, que ele mesmo substituía conforme crescia (e que lhe rendeu o famoso apelido). Começou a trabalhar com o pai como ferreiro, mostrando muita habilidade para a profissão. Antes dos 16 anos já havia fugido de casa por não suportar a madrasta (que era realmente pirada e malvada). Em Curitiba trabalhou por dez anos na Fundição Mueller (atualmente Shopping Mueller). Neste período casou com Helena Henning e teve 3 filhos. Em 1905 o espírito empreendedor falou mais forte: abriu sua própria fundição, chegando a consertar um cargueiro alemão que havia estragado no Rio de Janeiro, e que ninguém conseguira colocar em funcionamento.

Em 1915, por causa da Primeira Guerra, teve dificuldades com importações e foi à falência. Perdeu a casa e a fundição. Quando finalmente conseguiu receber um dinheiro, investiu em um carro, que adaptou para poder dirigir, transformando-o em um táxi. Com o dinheiro obtido no táxi montou uma oficina mecânica, tocando estes trabalhos até o início da década de 30, quando fez uma corrida de táxi para São Mateus e descobriu o potencial do xisto.

O resto da história todos conhecemos. Por mais de 10 anos Angewitz fez a mágica de tirar óleo de pedra. Venceu dois incêndios que acabaram com sua Usina. Foi o primeiro homem a produzir combustíveis de forma contínua no Brasil. Em 1942 o Governo lhe tirou a Usina, e o Perna-de-Pau faleceu em 1947, pobre e vítima de ter aspirado os gases do xisto sem proteção.

Mas seu sonho seguiu vivo e, poucos anos após a sua morte, o Paraná já começava a tratativa para trazer para São Mateus uma Usina de xisto que acabaria sendo a nossa SIX. A semente plantada por Roberto Angewitz mudou drasticamente o futuro de nossa cidade.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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