(Imagem Ilustrativa)

“Este ano eu não ouvi a doce voz do meu bebê, eu não abracei o andarilho que vinha de longe, eu não vi a minha amada e fraca imagem, eu não tive conversas sinceras com minha irmã, (…) ou dei um passeio no por do sol”. Estas tristes palavras são parte de um poema escrito na prisão por Zhang Xiuhong, presa na China em 2015, mesmo o seu nome não estando inscrito no processo cuja investigação era sobre “operações comerciais ilegais”. Seus advogados, porém, concluíram que sua prisão estava relacionada por suas convicções religiosas, ou seja, pela sua fé cristã.

Assim como Zhang, são milhares os cristãos perseguidos ao redor do mundo. Dentre eles está, também, Rebeca Bitrus, nigeriana cristã sequestrada pelo Boko Haram, grupo aliado do Estado Islâmico, por dois anos. Ela estava grávida quando foi raptada junto com suas duas crianças. Rebeca contou que, como ela não queria ser abusada ou negar a sua fé, os extremistas a batiam, o que provocou a perda do seu bebê, além do assassinato de um de seus filhos. Testemunhou que as cristãs sequestradas eram convertidas em escravas sexuais, além de serem obrigadas a rezar cinco vezes por dia as orações muçulmanas. Nesses momentos ela dizia em seu coração “Eu te amo, Senhor Jesus” ou “Jesus, salva-me!” e recitava a Ave-Maria. Devido as constantes violações que sofreu, ficou grávida e deu à luz sozinha. Foi somente quando os soldados nigerianos chegaram que ela pôde escapar com o recém-nascido e o seu filho sobrevivente, e encontrar seu esposo que aceitou o bebê como filho. Sua família foi recebida em um campo de refugiados mantido pela Igreja Católica.

Essa mesma Igreja que ajuda necessitados em todo o globo, independente de credo, cor ou raça dos auxiliados, teve recentemente no Brasil um de seus santuários invadidos aos gritos de “racistas” e “fascistas”. Liderados por um vereador curitibano do PT, as bandeiras da foice e do martelo profanaram aquele santo local e amedrontaram os fiéis presentes. Devemos lembrar que tal invasão é caracterizada pelo código penal como crime, podendo levar de 6 meses a 2 anos de prisão. No artigo 208, portanto, lemos que “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” é crime contra o sentimento religioso. Ainda que pareça exagero colocar a invasão petista no mesmo nível dos exemplos da China e da Nigéria citados acima, vale lembrar que num país livre como o nosso, é provável que a perseguição religiosa se inicie com xingamentos, ridicularizações e, por que não, invasões aos templos. Esperemos a devida resposta da justiça brasileira a todos os envolvidos nesse caso, para que este delito não se transforme em um modelo de repetição no país ou, até mesmo, evolua para um segundo nível de atos mais violentos, como aqueles ocorridos no Chile, em 2020, numa onda incendiária de igrejas.

Toda essa perseguição cristã foi bem lembrada em 24 de fevereiro de 2018. Naquele dia, de forma comovente, o Coliseu de Roma foi escolhido para ser iluminado de vermelho, local símbolo do martírio dos primeiros cristãos. É fato que, para aquele que abraça a Cruz de Cristo, não são as dores impostas pelos algozes que o entristecem, mas sim, deixar-se cair em medo e negar a sua fé. É por isso, que Zhang conclui seu poema dizendo “Este ano recebi os frutos do Espírito Santo do Senhor: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio; este ano, minha alma se libertou das barras de metal da prisão e subiu para o Reino de Deus”.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço e até a próxima coluna!

Ingrid Ulbrich
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