Máquina do Tempo

A polonesa sufragista

Alfabetizada em polonês, ela foi uma das melhores alunas de sua turma na universidade. Imagem: gazetadopovo.com.br (Acesso em: 23/09/18)

Nessa semana conheci uma daquelas histórias de pessoas as quais são a própria história; além de ser paranaense, e assim como muitas mulheres de nossa cidade, descendente de imigrantes poloneses, Dona Elvira Wolowska Kenski, foi a primeira dentista no Paraná e pioneira na luta pelos direitos das mulheres no cenário paranaense. A história dela me faz lembrar muito a história de Enedina Alves, a qual contei numa das minhas primeiras colunas aqui. Assim como Enedina, que foi a primeira mulher negra a se tornar engenheira no Brasil e a primeira mulher a adentrar no curso de engenharia na Universidade do Paraná (hoje UFPR), Dona Elvira que nasceu no ano de 1914 em Curitiba, tem uma história de vida digna de um livro. Filha de imigrantes poloneses, seu pai, um marceneiro e sua mãe dona de casa, sempre a incentivaram a estudar. Mas a inspiração concreta veio de sua irmã mais velha, Wladislawa, que se formou em Medicina no final da década de 20 e depois de casar e se mudar com o marido para Santa Catarina, foi a primeira médica mulher do Estado.

Dona Elvira se formou em odontologia em 1938, também na Universidade do Paraná. Ela sofreu na pele o machismo, diante do preconceito por frequentar a universidade e ser mulher, aliado à xenofobia, discriminação contra imigrantes e estrangeiros. Quem relata tudo isso, é ela mesma. Ela completou 104 anos na semana passada e deu declarações no jornal Bem Paraná, onde conta em detalhes sua trajetória e luta. Nas palavras dela: “Era horrível. Os vizinhos não nos aceitavam. Diziam para os filhos; ‘não brinque com elas porque são polacas’”. Anos mais tarde, um jornal da cidade ainda criticou a família: ‘Onde é que nós chegamos que até um operário está com pretensões de ter uma filha médica e outra dentista?”. (…)  “Naquela época mulher nem entrava para faculdade. Mas eu lutava porque queria que a coisa fosse para frente. Se levávamos na rua uns desaforos, uma xingação, não dávamos a mínima. Fazíamos tudo para que nossas filhas e netas tivessem o seu espaço”. Além disso, ela participou dos protestos sufragistas na capital paranaense, que exigiam o direito ao voto para as mulheres. Sua coragem e vanguarda não pararam por aí, antenada, ela também trouxe para a terra das araucárias a última tendência em moda de São Paulo, o uso de calças femininas. Sim! Era uma afronta mulheres vestirem calças, e naquela época, a prática teve um significado muito mais simbólico do que estético. Vestir calças era uma revolução, significava exigir direitos iguais, de estudar, trabalhar, votar e de mandar no próprio corpo! Se você leitor (a), quiser conhecer um pouco mais da história dessa mulher incrível, disponibilizo o link da entrevista: www.bemparana.com.br/noticia/dona-elvira-uma-das-primeiras-feministas-de-curitiba-completa-104-anos. Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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