(Imagem Ilustrativa)

Já faz tempo que temos levado uma vida movimentada e corrida que exige cada vez mais do nosso tempo e dedicação, e isso inclui o tempo que tínhamos para comer de verdade, com calma e com vontade.

Desde a revolução industrial e o surgimento do fast-food que nos vimos imersos e muitas vezes obrigados a essa realidade de dividir as refeições com outras distrações ou compromissos que deveriam estar fora das nossas mesas: comer vendo tv, mexendo no celular, trabalhando, dirigindo, andando, respondendo e-mails, rolando os feeds das redes ou comendo muito rápido para que sobre tempo para esses outros afazeres.

Parte do ritual da alimentação ideal, além de preparar seu alimento, é servi-lo em um prato bem apresentado e distribuído, colorido e diversificado; sentar à mesa e comer com atenção, e se possível acompanhados. Isso tudo é parte super importante da alimentação saudável e também é um ato de resistência à essas imposições modernas que nos tiram o foco do que comemos e como comemos, e é uma maneira de fortalecermos e alimentarmos também as nossas relações afetivas.

A praticidade e a grande oferta dos produtos embalados, to go ou take away [embalados para levar/comer andando], nos convence a consumir frequentemente os alimentos industrializados e ultraprocessados, que podem ser consumidos enquanto vivemos nossas vidas olhando para outro lado, sem se importar com o que estamos nos alimentando e como isso pode interferir em nossa saúde.

O Ministério da Saúde há algum tempo disponibiliza o Guia Alimentar para a População Brasileira, que fala sobre o ato de comer e da influencia de comer bem de verdade, com o aproveitamento dos alimentos, o prazer da alimentação, o tempo e a atenção dedicados ao comer, o ambiente onde se faz as refeições e a comensalidade.

São três as orientações apresentadas: comer com regularidade e com atenção; comer em ambientes apropriados; e comer em companhia.

Quando adotamos essas orientações, sentimos a melhoria na digestão dos alimentos porque quando comemos com atenção, comemos mais devagar, dando tempo suficiente para o nosso organismo perceber a saciedade, nos satisfazendo com menor quantidade de comida e consequentemente diminuindo a produção de ácido (suco gástrico) e sintomas de azia e refluxo.

Durante as refeições ainda temos a oportunidade de conviver com as pessoas que gostamos e de ampliar nossa interação social, que também aumenta o prazer pela alimentação.

Repensar nossos hábitos alimentares vai além de escolher seus vegetais e evitar a gordura em excesso, precisamos dar a devida importância a forma como o fazemos.

Não precisa ser da noite para o dia, nem às pressas. Aos poucos podemos voltar a conviver – se possível -, sentarmos à mesa e comer com calma e com tempo. Depois, naturalmente vamos evoluindo e percebendo os benefícios desses novos hábitos e como a nossa saúde e nossas vidas se tornam melhores e mais agradáveis.

Essa semana a receita é um convite à reflexão sobre a forma que nos relacionamos com a comida, e para resgatarmos os rituais de alimentação para que os prazeres à mesa sejam mais que saborosos, mas também conscientes e afetivos.

Bom apetite!

Lincoln Molinari
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