Histórias de Terra e Céu

A primeira eleição de São Mateus do Sul

Estamos em período eleitoral e também nos aproximamos do aniversário de São Mateus. Por isso resolvi contar um pouco dos aspectos peculiares da primeira eleição para prefeito e vereadores em nossa cidade. Embarque comigo nesta história!

O Paraná no início do século XX seguia polarizado entre dois partidos. De um lado os governistas, liderados por Vicente Machado, e de outro lado a oposição, liderada por Generoso Marques. A colônia de São Mateus tinha total simpatia pela oposição, e por isso a emancipação do município era barrada por Vicente Machado. Mas um ano após a morte do todo poderoso Vicente Machado, o deputado Generoso Marques finalmente conseguiu aprovar na Assembleia o “projeto 62” que propunha a criação do município de São Mateus. Na sequência, em 02 de abril de 1908, foi assinada pelo governo a lei 763, transformando a localidade em município.

Mas era preciso eleger prefeito e vereadores (na época chamados de “camaristas”). No dia 24 de maio o diretório da Coligação Republicana, com apoio de Generoso Marques, apresentava sua chapa, com Ewaldo Gaensly para prefeito e como camaristas: Manoel Eugênio da Cunha, Paulino Vaz da Silva, Luciano Stencel, Florido Gonçalves do Nascimento, Gustavo Ehlke e Estanislau Zawadzki.

A eleição ocorreria a 21 de junho e os adversários (aliados do falecido Vicente Machado) não tinham nomes nem para compor a sua chapa. Então, tentaram armar uma confusão, apresentando uma chapa na qual parte dos nomes eram os mesmos que estavam na chapa de Ewaldo Gaensly. Mas a população são-mateuense sabia quem apoiava. A eleição foi um massacre. Enquanto Gaensly foi eleito com 371 votos, os adversários tiveram apenas 18. Para a câmara foram eleitos todos os candidatos da chapa do prefeito (Manoel Cunha, 349 votos, Paulino Vaz da Silva, Luciano Stencel, Florido Nascimento e Estanislau Zawadzki, todos com 248 votos, e Gustavo Ehlke, com 247 votos). Os candidatos da oposição somaram 30 votos.

Mas o município só seria instaurado três meses depois, e as ruas da cidade estavam em situação deplorável. Foi então que o novo prefeito e os vereadores se reuniram e decidiram começar a trabalhar mesmo sem serem nomeados. Usaram recursos próprios e o apoio dos comerciantes para repararem ruas e colocarem em ordem a “Rainha bela do Iguaçu”. Sem nenhuma remuneração, aqueles homens públicos mostraram à população que honravam os votos recebidos. Até mesmo o terreno e o prédio onde a câmara funcionaria (foto que ilustra esta coluna) seria doação de um dos políticos: Joaquim Gomes dos Santos, o Nhoca.

Em 21 de setembro de 1908 finalmente haveria a instalação do município, com a presença do deputado Generoso Marques e do vice-governador Manoel Correia de Freitas. Foi eleito como primeiro presidente da Câmara o farmacêutico Luciano Stencel (numa eleição apertada, vencendo por 3 a 2). Ali começava a história oficial, de uma terra cheia de belas histórias.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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