Prismas

A primeira resposta quase nunca é a melhor resposta

(Imagem Ilustrativa)

Há muitos anos, fiz um treinamento sobre criatividade. As organizações valorizam pessoas criativas, aqueles capazes de pensar diferente, de fazer diferente, de fazer diferença.

O diferente, o novo, nem sempre é grandioso. O inovador é simplesmente o necessário para aquele momento, para resolver determinado problema, para impulsionar uma caminhada. Inovação puxa inovação e quando conseguimos quebrar a inércia, quando conseguimos nos movimentar, há sempre a possibilidade de uma boa e longa jornada pela frente.

Não há como fazer diferente, se não pensarmos diferente. Se fazemos algo sempre do mesmo jeito, é muito provável que os resultados sejam sempre iguais. Portanto, sempre que surgir um desafio pela frente ou quando surgir uma dúvida, busque várias respostas. Descarte a primeira, observe mais, analise mais, busque uma segunda, uma terceira, quantas respostas forem possíveis. Na maioria das vezes, a primeira resposta ou a resposta pronta não traz a melhor solução, não gera os melhores resultados.

Como diria um amigo meu, pensar não paga imposto. Então, pense! O cérebro humano é uma máquina preparada para pensar. Quando não pensa, atrofia, paralisa.

Trabalhei durante algum tempo com a implantação de programas de certificação para qualidade. Quando você estabelece um padrão, cria um procedimento para determinada rotina, é importante conversar com quem mais conhece sobre a tarefa e aprender com o conhecimento daqueles que já a executam por mais tempo. Porém, as pessoas tendem a se acostumar com a rotina e não buscam formas diferentes para a execução da tarefa, perdem oportunidade de melhorar, de buscar maior produtividade ou de aplicar menos esforços ou recursos.

Quando se quer ajudar a aprimorar um procedimento, a pergunta comum a se fazer é “Por que isto é feito desta forma?”. Em minhas experiências, a resposta que quase sempre se repetia era: “Porque sempre foi feito assim.” Nesses momentos eu aproveitava para repetir uma história que ouvi certa vez:

Um quartel receberia a visita de um General. Quartéis normalmente são bem cuidados, porém nos momentos que precedem uma visita importante, todos trabalham para que tudo fique ainda melhor. A grama é novamente aparada, instalações são repintadas e por aí vai.

Para um dos oficiais a visita coincidia com o seu último dia naquele quartel. Os bancos da praça haviam sido pintados pouco antes da chegada do oficial superior e ele destacou um soldado para que ficasse ao lado do banco para que ninguém desavisado sentasse nele. O general veio, o dia se acabou e o oficial partiu para uma nova missão em uma nova unidade militar.

Passados vários anos, o oficial voltou, para comandar sua antiga unidade. Entrou em seu gabinete e afastou a cortina, olhando para a praça. Para sua surpresa, havia um soldado montando guarda ao lado de um banco, o mesmo outrora pintado às vésperas da chegada do general. Reuniu os oficiais e perguntou o que o soldado fazia lá. Todos entreolharam-se, sem uma resposta, até que um arriscou: “isso sempre foi assim!”.

E você? Costuma se conformar com sua rotina ou se autoquestiona e busca novas respostas? Nossa vida, nossas organizações estão repletas de bancos sendo cuidados sem necessidade e para guarda-los gastamos nossa energia, nossos recursos. Tudo podia ser melhor aproveitado.

Na próxima Coluna, continuaremos abordando este tema e os desafiarei a saírem dos seus quadrados.

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

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