Histórias de Terra e Céu

A primeira vez que um Governador visitou São Mateus do Sul

Você que é jovem e está estudando para o vestibular certamente terá que ler o clássico romance “Inocência”, do carioca Visconde de Taunay. Eu, quando li, ficava pensando de onde ele tirava aquelas intermináveis descrições da natureza. Mas depois eu descobri que ele esteve em São Mateus do Sul 22 anos antes da localidade virar município. Sim, antes até da chegada dos imigrantes poloneses! Embarque comigo nesta história!

Eu sei, eu sei, você já deve estar pensando que eu estou inventando estas histórias. Tudo bem, Taunay já tinha escrito Inocência quando ele visitou nossas terras… Mas que ele esteve aqui, isso posso provar! Alfredo d’Escragnolle Taunay nasceu no Rio de Janeiro em 1843, e se tornou Presidente do Paraná (o Governador da época) em 1885. Um ano depois ele decidiu sair em viagem pelo Iguaçu para conhecer as localidades que estavam sob sua responsabilidade.

Taunay registra sua chegada à “barranca de S. Matheus” no dia 03 de março de 1886, onde o vapor Cruzeiro parou apenas para pegar lenha. Ao partir, na madrugada seguinte, Taunay cita parte da fauna local, ao registrar que “acordavam os pássaros e aves próprias daquelas paragens, patos, garças. socós, biguás, martim-pescadores, e outros de hábitos aquáticos”. Também faz a primeira referência ao nosso xisto, ao dizer “Sendo aí a rocha impregnada de substâncias betuminosas, o que fez com que alguns exploradores se abalançassem a tentar a extração de petróleo e outros produtos carburetados, que se encontram nessas pedreiras, cuja forma é pronunciadamente xistosa. Para tal fim se estabeleceram dois alemães no lugar chamado São Mateus. Até agora, porém, não produziu a tentativa resultado valioso e provavelmente abortará, transformando-se os industriais e pesquisadores extrativos em meros agricultores – o que, entre parênteses, vale muitíssimo mais”.

O vapor seguiu em direção a União da Vitória mas, três dias depois, a sete de março, já fazendo a viagem de volta, Taunay pararia novamente em São Mateus, dessa vez conversando com os chamados “fundadores” de nossa cidade, os alemães Rodolfo Wolff e Gustavo Thenius (a quem Taunay chama de “”Thiem”): “Foi a 1 hora da tarde que chegamos a São Mateus, onde se estabeleceram em terras cedidas pelo Estado alguns alemães, no intuito de explorarem petróleo e substância hidrocarburetadas dos xistos betuminosos, tão abundantes em todos esses pontos. Contudo, os Srs. Thiem e Rodolpho Wolf já se mostram desanimados da empresa, e parecem dispostos a se dedicar à agricultura. Com eles estive ali conversando algum tempo, ouvindo depois várias pessoas, que apresentaram pretensões e requerimentos”.

Taunay (imagem que ilustra esta coluna) descreve pacientemente a natureza, exaltando a “beleza das paisagens que se formam ao derredor do Iguaçu”. Todo o seu diário de viagem foi publicado no livro “Paisagens Brasileiras”. Mas se você acha que eu forço a barra ao dizer que o escritor Taunay buscou inspiração em nossa região, espere até a próxima coluna, quando vou contar sobre outros dois poetas famosos, que também são “figurinhas marcadas” nos vestibulares, e que também visitaram nossa cidade antes de 1900, se derretendo em elogios pela Rainha Bela do Iguaçu.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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