Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes possui ala com 4 leitos de internação. (Foto: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

A situação da saúde em todo o Brasil está crítica e, apesar de todas as notícias que circulam, não está sendo suficiente para sensibilizar a população. O COEF (Centro de Operações Especiais e de Fiscalização da Covid-19) enfatizou para todo Paraná a necessidade de proteção das pessoas em relação ao vírus, pois desde a terça-feira (dia 09) não existem mais vagas nas enfermarias e UTIs de todo o Estado. As poucas vagas que surgem, infelizmente representam falecimentos.

No dia 9 de março, o COEF apontou que haviam 1.071 pessoas na fila de espera por um leito para tratamento da Covid-19 no Paraná. A situação é caótica quando vista sob o ângulo dos profissionais da saúde. Por meio de vídeos que circulam pelas redes sociais, muitos profissionais fazem apelos tentando a conscientização da população. A situação chegou em tal ponto que os médicos, que atendem as emergências e UTIs destinadas aos pacientes de Covid, estão tendo que decidir quem vai ter uma chance de viver e quem vai morrer sem a devida assistência.

As notícias enfatizam o colapso do sistema de saúde, o qual vem trazendo grande preocupação aos profissionais da área. Os dados mostram que, com a nova cepa da Covid, a cada pessoa que entra na UTI devido à doença, em média, permanece por 14 dias. Também há casos de muitos jovens que estão sendo contaminados e encaminhados para a UTI, sendo que em 2020 raramente encontrava-se a população jovem internada por conta desse vírus.

Na quarta-feira, dia 10, a Santa Casa de Irati divulgou um vídeo com imagens fortes de profissionais de saúde prestando atendimento aos muitos pacientes infectados, tentando sensibilizar a população. Na própria Santa Casa houve remanejamento das vagas de UTI geral, transformando em mais UTI’s para o tratamento da Covid e assim ocorreu por todo o Paraná na tentativa de ampliar as vagas existentes. Em uma tentativa de impactar as pessoas e mostrar a real situação do nosso estado, a Secretaria da Saúde (Sesa) colocou que se nenhuma contaminação a mais ocorresse, nosso estado levaria 21 dias para retornar à normalidade.

Paciente entubado de bruços, numa UTI. (Foto: Internet)

O Paraná está vivendo o colapso do Sistema de Saúde, igual ao restante do país, e a todo momento o que mais se ouve é “Não tem leitos disponíveis em todo o Estado”. Chegou o momento em que os profissionais da saúde precisam decidir quem vai ter chance de viver e quem vai morrer. Segundo eles, o sistema chegou ao ponto de que os pacientes estão morrendo nas Unidades Básicas de Saúde ou mesmo em casa, sem vagas ou sem ter como recorrer. Nos hospitais e centros especializados para o Covid, os médicos enfrentam a situação da escolha de quem vai ser internado e os critérios, em geral, estão na questão da idade, a condição física do paciente e o melhor prognóstico, ou seja, aquele que tenha melhores chances de sobreviver.

Em Curitiba, a Prefeitura decretou estado de emergência e requisitou por decreto vagas de hospitais particulares. Dessa forma, mesmo aqueles que não possuem convênio com a Prefeitura ou com o SUS, são obrigados a ceder parte de seus leitos para o internamento de pacientes, formando enfermarias.

Em São Mateus do Sul

Em São Mateus do Sul, dia 12 de março, a secretária de saúde, Marly Perrelli, juntamente com a prefeita, Fernanda Sardanha, apresentaram dados assustadores sobre a atual situação da saúde na cidade em uma coletiva nas dependências da Câmara Municipal. Apresentaram dados para demonstrar o que se passa, sendo que em 15 de fevereiro tínhamos 44 casos registrados, dia 19 eram 51, no dia 26 55, e na sexta-feira, 12 de março, os casos saltaram para 86, demonstrando que o decreto não foi efetivo nessa redução. Também apresentaram que os exames para detectar a Covid-19 estão represados, pois o número cresceu em toda a região. A conclusão é de que ficar em casa, respeitando as normas de higiene e distanciamento, não é apenas para cumprir a lei, “Ficar em casa é questão de sobrevivência”, declarou Perreli.

Em nossa cidade, a unidade Sentinela iria ter seu horário de funcionamento reduzido, mas devido essa crise a ideia foi abandonada. Também foi instalado dentro do espaço alguns leitos para receber pacientes, quando antes era apenas local de exames. Isso se deu com a colaboração da Petrobras-SIX, que providenciou dois containers, e do Rotary Xisto do Iguaçu, que doou camas hospitalares para o Sentinela. Segundo a Secretaria de Saúde, o local continuará temporário, mas está sendo ampliado para estender os serviços ali prestados, devido a crescente dos casos. Haverá um local de triagem para quem os procurar tendo suspeitas de estar contaminado e, após a verificação da situação, o paciente será encaminhado para atendimento especializado, realizando exames e tendo orientações gerais. No local ainda haverá uma ala com 3 leitos para pacientes com sintomas leves a moderado, onde estabilizará sua situação e, se for o caso, será hospitalizado ou transferido para outro espaço na própria unidade Sentinela, ficando isolado onde tem 2 leitos com respiradores.

Unidade Sentinela está sendo ampliada para melhor atender à crescente demanda e também contará com 5 leitos exclusivos para Covid-19. (Foto: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

As obras estão seguindo em ritmo acelerado para entrar em funcionamento até o dia 21 de março. Após essa ampliação, o Sentinela terá 5 leitos. A secretária de Saúde Marly Perrelli enfatizou que, apesar da unidade estar ao lado do Pronto Atendimento, todas as medidas sanitárias foram tomadas e não há perigo de contaminação.

O Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes disponibilizou uma ala de enfermaria com 4 leitos para internamentos de pacientes com Covid e que aguardam transferência. Essa se trata de uma situação delicada, pois o hospital não faz parte do grupo de referência de combate ao Covid e teve que isolar uma área para que os outros serviços pudessem continuar a funcionar, sem riscos para os demais pacientes internados.

Os números demonstram a gravidade do Covid em São Mateus do Sul, pois em todo o ano de 2020 tivemos 13 mortes por Covid e neste ano de 2021, em menos de 3 meses, já foram contabilizadas 19 mortes. Num trabalho de intervenção junto a Sesa, a prefeita Fernanda Sardanha e a secretária Marly Perrelli conseguiram um verdadeiro milagre ao transferirem pacientes, sendo 2 para UTI e mais um para o hospital da Lapa. Infelizmente, elas não conseguiram novas vagas, mesmo apelando a deputados e diretores de hospitais da região.

Situação em Irati

A situação em Irati, frente ao Covid-19, está semelhante as outras cidades da região, com o sistema de saúde no limite de ocupação e sofrendo com a falta de UTI para encaminhar os pacientes contaminado em estado grave. Na cidade, a Prefeitura Municipal e a Vigilância Sanitária, juntamente com a Polícia Militar, formaram uma força tarefa de cerca de 120 pessoas para realizar a fiscalização dos pontos comerciais e outras observações do decreto. “O desrespeito às normas de segurança foi grande, sem a devida preocupação para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, colocando muitos em risco”, disseram os profissionais da saúde do município vizinho.

Paciente numa enfermaria em isolamento, recebendo oxigênio. (Foto: Internet)

As ocorrências apontam que os bares foram os que mais deram problema, pois as pessoas permaneciam além dos horários, trazendo problemas para os proprietários. Iniciou-se um trabalho de conscientização e a reincidência fez com que multas fossem aplicadas, tendo até mesmo alvarás cassados por 30 dias. Foram mais de 6 estabelecimentos fechados por 30 dias e 162 pessoas físicas notificadas, além de 12 jurídicas.

No domingo (dia 07), um grupo de pessoas da 3ª Igreja do Evangelho Quadrangular fez orações e louvores em frente à Santa Casa de Irati. Com dois objetivos, a de levar uma palavra de fé e esperança tanto para os pacientes internados com Covid-19 e outras doenças, quanto os profissionais da saúde, mas também como um alerta à população.

Covid em Prudentópolis

Na cidade de Prudentópolis, com seus 50 mil habitantes, foi realizada uma campanha de conscientização para redobrarem os cuidados e para cuidarem da saúde pessoal e coletiva. A ideia da Prefeitura era que a população entendesse a situação e passasse a evitar locais de aglomeração. Isso evitaria o fechamento do comércio e reduziria a propagação. Também alertaram os comerciantes para que obedecessem aos protocolos de segurança, para que o comércio continue aberto.

Foram utilizados, em conjunto com o comércio, cartazes e spot em rádios para veicular as mensagens, sendo realizada também a divulgação em redes sociais. Essa campanha deverá durar até a maioria da população ser vacinada, tendo surgido para conscientizar a população e o comércio, trazendo resultados sem a necessidade do fechamento de tudo novamente.

Covid em União da Vitória e Porto União

Em União da Vitória e Porto União, teve o trabalho de ambas as prefeituras com a sociedade civil organizada e diversas entidades com a ideia de preservar a vida e a economia. A fiscalização se deu para coibir festas particulares, aglomerações e que o comércio atenda as normas, referentes aos horários de atendimentos e também ao número de pessoas atendidas. As autuações demonstraram que muitos não entenderam a gravidade pela qual passam as cidades e também o Brasil, pois muitos foram notificados várias vezes, sendo necessária a fiscalização e multas. Foi um efetivo de 500 pessoas, entre agentes da Prefeitura e policiais, fiscalizando e tentando conscientizar a população. De nada adianta os decretos sem a participação da população e isso agravou muito a situação da saúde e da economia local. A recomendação dos técnicos e especialistas não foi atendida e foi preciso as restrições de 14 dias para quebrar o ciclo de transmissão do vírus.

Paciente entubado de bruços, em uma UTI recebendo atendimento.

Os hospitais da cidade fazem parte das centrais de UTI da Covid-19 da região e passaram a ficar lotados, tendo moradores locais que não conseguiram vagas para internamento, da mesma maneira que o restante das cidades do Paraná e também de Santa Catarina, onde a situação ficou crítica com o número crescente de casos, chegando ao colapso do sistema.

Situação do Covid em São Mateus do Sul na quinta-feira, dia 18 de março, às 10h:

Hospital: 4 leitos ocupados
Sentinela: 2 leitos ocupados
2 pacientes do Hospital e 2 pacientes do Sentinela aguardam vagas de UTI

Hugo Lopes Júnior
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