A sua voz é bem conhecida pela cidade, principalmente pelos ouvintes do Espaço Livre, que começa depois das 11h da manhã no programa Bom Dia São Mateus, apresentado na Rádio Difusora do Xisto. Quando o locutor Lucas Silveira comunica que está na hora dos anúncios da Regina, é só pegar o papel e a caneta para marcar os produtos procurados, de venda e troca mencionados rapidamente pela são-mateuense. “Aprendi a falar tão rápido porque quando ligava do orelhão tinha tempo para as fichas”, menciona a vendedora. Hoje a facilidade do WhatsApp melhora a comunicação, mas sem perder os costumes dos ligeiros anúncios.

Persistência desde cedo

Ana Regina da Silva Ribas, conhecida popularmente como “Regina do Espaço Livre”, é uma são-mateuense que prioriza a fé e acredita no potencial de tudo que passa pelo seu caminho: sejam as pessoas, as situações e os produtos garimpados. Nascida e criada na Vila Amaral, local que vive até hoje, foi neste bairro que seus sonhos foram se realizando.
Vinda de família com nove irmãos, de sangue e coração, Regina desde cedo demonstrava facilidade em se comunicar com as pessoas. “Lembro que minha mãe me dava dinheiro para comprar pão. Ia na mercearia, comprava o pão fiado e usava o dinheiro para comprar presilhas para meu cabelo”, conta. Para pagar o pão, a jovem oferecia serviço de babá e diarista, e dessa forma foi conhecendo cada vez mais moradores da região por meio do serviço de troca. “Não sei mais viver sem esse contato com o povo”, afirma.

Desde os 15 anos a são-mateuense buscava independência financeira. O trabalho pelas casas foi formando a honestidade da jovem que cresceu e construiu a sua própria família. Mãe de Rafael e Fernando, hoje Regina é avó de quatro netos amados por todos.

“Sempre batalhei por tudo, com coragem e muita persistência”, diz. Regina conta que na enchente de 1983 estava grávida de 8 meses. Com personalidade forte e sem pestanejar, ela com a ajuda de vizinhos, fizeram a mudança dos pertences da família para um local seguro. “Acredito que a intuição vale mais que a razão, e durante a enchente pude me preparar e amparar minha família e vizinhos”, relembra. Essa força ainda é uma virtude que identifica sua formação cidadã.

O respeito que Regina foi adquirindo com o passar do tempo fez com que ela conhecesse pessoas do bem que a ajudaram em momentos de vitórias. É o caso de Pedro da Cruz Sobrinho, responsável na época pelo Centro de Tradições Gaúchas (CTG), localizado na Raia. “Como eu sou apaixonada por trabalhar com as pessoas, foi com a ajuda do Pedro que organizei um baile no CTG, animado pelo grupo Os Müller. Foi com esse baile que consegui dinheiro para comprar um terreno e conquistar tudo que tenho hoje.”

Os “cacarecos”

Com o passar dos anos e das experiências no ramo comercial, Regina começou a valorizar os produtos usados, tanto pela qualidade quanto pela importância da reutilização, e resolve montar o seu famoso brechó. “Nesse mesmo tempo eu comecei a prestar mais atenção no programa da Rádio Difusora e na forma que o Lucas Silveira se comunicava com o povo”, diz. Com ligações feitas de orelhões espalhados pelo bairro – alguns com filas de espera –, Regina começou a anunciar os produtos que chegavam até ela, ficando conhecida pela sua forma irreverente de comunicação.

No brechó da Regina você encontra de tudo: telhas, armários, sapatos, roupas, vasos, janelas, guarda-roupas e produtos que de alguma forma serão úteis para alguém. “Sempre fui de escutar os conselhos dos mais velhos, principalmente pela experiência de vida de cada um deles. Sou grata por ter convivido com Jeca Ribeiro e Antonio Ferraz, que sempre me respeitaram e me ensinaram a olhar o que tem ao meu redor”, agradece.

A participação no Espaço Livre despertou a curiosidade dos moradores de São Mateus do Sul e região, que passaram a procurar os serviços oferecidos pela proprietária. “O que mais fazemos aqui é a troca”, enfoca Regina, que no início precisou lutar com a relutância de alguns moradores sobre a venda de objetos usados. “Eu gosto de resgatar os produtos que para os outros não têm valor, mas que será importante para alguém.”

O brechó fica em anexo à casa da são-mateuense, na Rua Evaldo Gaensly, 699, e segundo ela, não possui horário de atendimento. “Se alguém procura o meu serviço eu estarei aqui para atender”. Em horários vagos Regina lê materiais sobre o comércio intensificando seu amor pela profissão. “Eu não amo apenas a meu contato com o povo, eu amo São Mateus do Sul!”, finaliza.

CHARGE

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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