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A renda extra do trabalho artesanal na fabricação de chocolates

Janete empenha-se anualmente com inúmeros pedidos de ovos de chocolates e com isso ajuda na renda familiar. Além de atuar na linha de ovos de Páscoa, Janete também possui mãos de fada ao se tratar de bolos e docinhos para aniversários e diversas comemorações. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Além de chocolates e várias guloseimas que animam crianças e adultos, a Páscoa também é sinônimo de renda extra para muitas famílias em todo o país. Quando voltamos nossos olhos à realidade são-mateuense, são inúmeras donas de casa que investem tempo, amor, carinho e dedicação para esse importante momento de celebração.

O mercado brasileiro, apesar do clima quente e do alto nível dos produtos industrializados, possui um grande mercado em potencial para o produto feito artesanalmente. Os pequenos fabricantes têm o costume de unir bom preço à boa qualidade, adotando uma política realista de mercado.

Na época mais gostosa do ano, enquanto uns se esbaldam nos chocolates, outros fazem dele matéria-prima para ganhar dinheiro. Há oito anos, a técnica em eletromecânica, Janete Zielinski de Oliveira, investe nas produções de chocolates tradicionais, ovos de colher, ovos trufados, caixas de bombons, coelhinhos e pirulitos de chocolate, para ganhar uma renda extra e ajudar a família.


“Fiz o curso de eletromecânica e assim que conclui percebi que em São Mateus do Sul não havia campo de trabalho, havendo muito machismo nesta área que é mais voltada aos homens”, relata Janete que encontrou nesse momento uma oportunidade.

Instigada pelo irmão que a incentivou na fabricação dos chocolates, a doceira iniciou a produção visando atender sua família. Ela imaginou que poderia ser um excelente início para testar suas habilidades. “Se eu conseguir vender para eles, será um bom início”, pensou. “Sempre gostei de fazer doces e várias guloseimas, mas nunca havia mexido com chocolates.”

Em 2010, Janete iniciou as atividades com o chocolate e vendeu 100 kg. No início trabalhava com chocolates simples. Com o passar dos anos foi buscando o aprimoramento e hoje só trabalha com chocolates nobres, o que exige ainda mais empenho na necessidade de se dar o choque térmico. “Com o passar dos anos cada vez mais clientes vinham me procurar. Me empolguei com os resultados e dei continuidade”, relembra emocionada.

Tempos depois, Janete aprimorou também seus dotes culinários com os bolos e doces, ampliando sua área de atuação e por consequência, a arrecadação. Mas o carro chefe na produção e procura é a Páscoa.

Segundo a artesã culinária, neste período de crise que vem atormentando a sociedade, há oito anos era mais fácil a comercialização, e consequentemente o lucro era muito maior. “A pessoa não comprava apenas um ovo, comprava vários.”

Janete relata que neste ano está sendo difícil pois a Páscoa será no dia 1º, e a maioria dos salários não haverá saído ainda. “Eu, como a maioria das mulheres do ramo, não trabalho com cartões de crédito ou débito, apenas com dinheiro ou cheque. Apesar disso estou crente em superar minhas expectativas novamente.”

Hoje a vantagem em se trabalhar com o chocolate artesanal é que cada ano surgem novas ideias e novas receitas, garantindo um aprendizado constante. “Todos os dias busco por novidades, faço inúmeros cursos on-line. Quem gosta desta área, não para”, enfatiza. Janete lembra que antigamente as pessoas olhavam o chocolate caseiro com outros olhos devido a qualidade que era muito inferior aos industrializados, e com o passar dos anos a realidade mudou.

A são-mateuense iniciou as atividades de artesã de chocolates com o objetivo de ajudar nas despesas de casa e ter um dinheirinho para seus afazeres. Hoje ganha em média até dois salários mínimos em tempos de movimentação do mercado, e relata que encontrou num momento de crise econômica a oportunidade ideal para seus anseios. “A época da crise é um momento de adequação, você acaba tendo várias ideias para ganhar um dinheirinho extra”.

Há pouco mais de uma semana da Páscoa, a movimentação da comemoração e o simbolismo dos ovos de chocolate vêm ganhando intensidade no comércio local. Segundo Janete, na área que compete o trabalho caseiro, “a movimentação iniciou valendo no último domingo. Na última semana vêm apurando o movimento e as pessoas são acostumadas a deixar para a última hora.” Ela garante que nesse período vive exclusivamente em função das atividades, uma época única, que tem de haver muita dedicação.

Nessa onda, a entrevistada comenta que existem épocas do ano que não tem mais tempo para fazer nenhuma encomenda, logo que ganha com seu trabalho toda a repercussão e carinho das pessoas. “Principalmente do mês de agosto para frente”, diz.

Janete garante que seu diferencial é fazer tudo fresquinho, além de depositar nos produtos artesanais muitas doses de amor e carinho, regadas à dedicação de se fazer um a um.

Com opções que vão de R$ 1 à R$ 75, a doceira afirma que o chocolate trufado é o mais difícil de se fazer, e que além de ter camadas separadas por recheio, ele exige muito empenho com as práticas para deixar o trabalho impecável, por isso talvez seja o mais gostoso. Para a realização de encomendas, converse com Janete no telefone (42) 98825-9402, e escolha seu produto artesanal.

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