Histórias de Terra e Céu

A Revolução, o poeta, o delegado e o Hino

No último dia 21 de março foi o aniversário da criação do Hino de São Mateus do Sul, por isso, convido você, amigo leitor, a visitar essa bela obra de arte. Embarque comigo nesta história!

São Mateus do Sul (que na época ainda se chamava “São Matheus”), viveu um processo de renovação no seu comando político na década de 1930. Quando Getúlio Vargas iniciou sua marcha rumo à Capital Federal, que culminaria com a deposição do presidente Washington Luís, em 24 de outubro, São Mateus não perdeu tempo: na madrugada do dia 05 de outubro de 1930 os membros da “Aliança Liberal, na sua maioria importantes fazendeiros locais”, prenderam o prefeito Tertuliano de Almeida Faria e botaram para correr a polícia.

Após um período de instabilidade de dois anos (nos quais a cidade teve quatro prefeitos diferentes!), São Mateus voltaria a ter paz com três administrações consecutivas das famílias Wolff e Amaral (Bernardo, Durval e Olívio, de 1932 a 1938). É no início deste período que o fazendeiro e poeta Arnoldo Prohmann escreve a “Marcha São Matheuense”, poesia com forte influência do movimento parnasiano, exaltando o bom e o belo e dando virtudes sagradas à natureza.

Este “renascimento” da cidade pós-revolução fica evidente na poesia de Arnoldo, citando o “vigor da mocidade” de São Mateus, e dizendo que ela já havia lutado “vitoriosa, com amor pela grandeza do Brasil”, numa provável alusão aos eventos de outubro de 1930. A poesia foi originalmente publicada no livro do Cinquentenário da Navegação no Rio Iguaçu (recorte que ilustra essa coluna).

Mas a “Marcha São Matheuense” talvez nunca tivesse se tornado famosa, se não fosse o delegado local. José Schenn era natural de Palmeira e tinha 38 anos quando Prohmann compôs a poesia. Quando casou, sua certidão apresentava sua profissão como “artista”. Mas certamente a vida nos palcos não lhe garantiu o sustento e precisou trabalhar no serviço público. Com a Revolução, tendo bons relacionamentos com os novos mandatários, teve a oportunidade de ser delegado na “Rainha Bela do Iguaçu”. E era um delegado obstinado. Certa vez houve um assassinato durante um casamento na Água Branca, no qual ninguém conseguia identificar o culpado. José Schenn fez diligências, colheu depoimentos e não desistiu, até descobrir que o irmão do noivo era o assassino.

Com a mesma persistência, Schenn pegou a poesia de Arnoldo Prohmann e resolveu transformá-la em música. Ao colocar a melodia na mesma, a “Marcha São Matheuense” acabava se tornando o Hino de São Mateus do Sul, eternizando o nome de Prohmann e Schenn na história da cidade.
Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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