Os alunos viajam até União da Vitória, Irati e Canoinhas – Santa Catarina, em busca de graduação. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Diariamente, centenas de alunos realizam o trajeto de mais de 160 quilômetros – ida e volta – até União da Vitória, em busca de profissionalização em uma graduação, cursos técnicos ou até mesmo uma pós-graduação. Com a rotina apressada, que envolve trabalho, família e viagens, os alunos afirmam a necessidade de uma faculdade em São Mateus do Sul, que fixaria a permanência e a vinda de mais jovens ao município. Há também estudantes que realizam o caminho até Irati e Canoinhas – Santa Catarina.

Com coberta, travesseiros e livros em mãos, alguns alunos também dividem marmitas durante o trajeto. A missão é conciliar estudo, café da manhã ou até mesmo o jantar no caminho que soma mais de 1 hora de estrada. Para alguns, esse é o momento que sobra para tentar descansar após o cotidiano de trabalho, para outros, é motivo de preocupação com os perigos na estrada. Para Nathaly Snak, estudante do 5º semestre de psicologia, a viagem pode afetar o desempenho de alguns alunos em sala de aula. “Há pessoas que ficam tensas durante todo o caminho, e esse sentimento pode abalar a atenção quando o aluno chega na faculdade. A preocupação com acidentes ou até mesmo a distração durante o caminho também são prejudiciais.”

Segundo Gabriely Guimarães, aluna do 3º semestre de nutrição, há dias que alguns alunos só têm uma aula, e dessa forma, precisam ficar aguardando na faculdade até o término dos estudos de outros períodos. “A rotina é cansativa. Se tivéssemos uma faculdade em nossa cidade, poderíamos voltar para casa em momentos como esse para descansar”, expressa.

Jackson Santos é um dos motoristas responsáveis por levar os estudantes até as instituições de estudo. (Acervo Pessoal)

Jackson Santos é um dos motoristas que realiza o trajeto todos os dias, de manhã e à noite. Totalizando mais de 320 quilômetros diários, o motorista, que atua há 12 anos na área, enfoca na responsabilidade presente em sua profissão. “Um dos principais problemas que enfrentamos é a falta de sinalização em alguns trechos. As estradas esburacadas causam prejuízos mecânicos nos ônibus”, conta. É comum alguns veículos estragarem durante o trajeto – mesmo com a manutenção feita periodicamente pelas empresas –, e a colaboração de outros motoristas é fundamental. “Somos um grupo muito unido, independente das empresas. Quando vemos que um ônibus está parado no acostamento, já encostamos para ajudar no que for necessário, como levar os outros alunos até o seu destino”, diz.

A rotina que começa no fim da madrugada, finaliza no início do outro dia, e é a responsável por histórias e momentos de convivência. “Quando chegamos na faculdade, contamos com uma casa no local de estacionamento, que possui banheiros, sala de TV e também uma cozinha quando necessitamos”, conta Jackson. O espaço é utilizado por motoristas de toda a região.

Apesar da rotina apressada e cansativa, alguns alunos enxergam a recompensa no final da graduação. Só quem realmente convive com o trajeto e sabe dos caminhos feitos diariamente, reconhece o esforço e o mérito no momento da formatura.

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Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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