Prédio da primeira Câmara de Vereadores de São Mateus do Sul. (Foto: Acervo Casa da Memória)

Todos sabemos que temos nove vereadores na Câmara são-mateuense, dos quais um é eleito como presidente da mesma, conduzindo os trabalhos durante sua gestão. Mas houve um dia especial em que, na mesma sessão, três pessoas diferentes ocuparam a presidência. Embarque comigo nessa história!

A nossa Câmara de Vereadores tem mais de um século de história e é um local onde tudo pode acontecer. Por estas cadeiras passaram grandes personalidades de São Mateus do Sul, mas também algumas pessoas que protagonizaram fatos bizarros. Já tivemos pancadaria em plena sessão da Câmara, já tivemos vereador indo a Brasília e se passando pelo prefeito, já tivemos vereador usando de seu prestígio para nomear a esposa como diretora de escola (caso que envolveu até a primeira-dama da república).

Não pensem os atuais vereadores que estou ridicularizando esse nobre órgão legislativo. Sou apenas um leitor atento da história. Já contei aqui neste espaço como o vereador Ozy Mendonça conseguiu impedir a votação de um projeto, citando que o mesmo era inconstitucional e dizendo que feria determinada lei, sendo que depois de muito tempo ele reconheceu que a lei jamais existira. Quem me segue nas redes sociais também já viu o relato do que ocorreu em 1971, quando os nove vereadores (do mesmo partido!) não chegaram a um acordo quanto à presidência da Câmara, criando um racha, e São Mateus passou a ter “duas Câmaras”, uma com Ronaldo Toppel na presidência e outra com Luciano Staniszewski.

Mas o título desta coluna fala de uma sessão que teve três presidentes e, por mais que possa parecer estranho, neste caso não houve qualquer anormalidade. Estamos falando da primeira sessão da Câmara são-mateuense, ocorrida em 21 de setembro de 1908. Como o município estava sendo desmembrado de São João do Triunfo, assumiu inicialmente o presidente da Câmara triunfense, João Cândido de Lara. Ele deu posse aos vereadores eleitos (na época eram seis): Manoel Eugênio da Cunha, Paulino Vaz da Silva, Luciano Stencel, Florido Gonçalves do Nascimento, Estanislau Zawadzki e Gustavo Ehlke (este não compareceu à sessão). Na sequência, nomeou como presidente interino o vereador mais votado, Manoel Eugênio da Cunha. O “segundo” presidente, assumindo, anunciou que faria a eleição do presidente oficial. Mesmo sendo apenas cinco votantes, a eleição foi “apertada”, ficando Luciano Stencel com três votos e Paulino Vaz da Silva com dois votos.

Após a votação, Manoel Eugênio passou a presidência para Luciano Stencel, que seria o terceiro presidente naquela sessão, e o presidente da Câmara por toda a gestão. Stencel seguiu com a sessão, dando posse ao prefeito (Ewaldo Gaensly) e aos juízes distritais. Depois, anunciou que a sede oficial da Câmara seria a sala onde estavam reunidos, que era parte de uma casa (foto desta coluna) cedida por Joaquim Luiz Gomes dos Santos (Nhoca, o Rei da Erva Mate). Também foram tomadas as duas primeiras decisões da nova Câmara: (1) que seriam mantidas válidas para o município as leis de São João do Triunfo e (2) que definiriam para o dia primeiro de outubro a primeira sessão ordinária da Câmara.

Aproveito este texto para fazer um pedido para a atual Câmara são-mateuense. No site da mesma há um arquivo com o histórico dos vereadores. O histórico está incompleto, pulando várias gestões e, nesta primeira Câmara há dois erros graves: não é citado o vereador Gustavo Ehlke e é colocado como presidente o João Cândido (que nem foi vereador de São Mateus). O correto seria tirar o nome de João Cândido, identificar Luciano Stencel como Presidente, e inserir o nome de Gustavo Ehlke… E não seria pedir demais que o histórico fosse revisado, contemplando todas as gestões…

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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