Máquina do Tempo

A tatuagem na História

Maud Wagner, primeira tatuadora americana, ela também era trapezista e contorcionista circense. (Foto: Moda Histórica)

A palavra vem do francês tatouage e essa prática de desenhar na pele de forma permanente é muito mais antiga do que se pensa. Desde os tempos pré-históricos, vários povos se tatuaram, por diferentes motivos, utilizando diversas técnicas. No Antigo Egito, por exemplo, a tatuagem estava ligada à questão religiosa. A múmia de Amunet, sacerdotisa da deusa Háthor, possuí inscrições dedicadas à divindade no abdome. Na Nova Zelândia, os povos maoris tatuavam-se em rituais religiosos. Outras várias múmias pertencentes aos povos pré-colombianos, principalmente da região dos Andes, outras das regiões gélidas como a Sibéria e os Alpes, e ainda, dos povos germânicos, múmias vikings principalmente, nos dão conhecimento que essa prática tem pelo menos 5.000 anos. Porém, o ser humano tatuado mais antigo, se chama Otzi. Sua múmia congelada foi encontrada nos Alpes por dois montanhistas alemães. Apesar de ser conhecido como o “homem do gelo”, ele viveu na Era do Cobre, e possui em média 60 tatuagens, todas feitas em pontos estratégicos do corpo, uma espécie de acupuntura, mostrando que a tatuagem também tinha fins medicinais para os homens pré-históricos. Na Grécia e Roma antiga, a tatuagem era utilizada para identificar escravos, criminosos e prisioneiros de guerra.

Durante a Idade Média a tatuagem foi proibida pela Igreja Católica, por ser associada à pratica do paganismo, religião dos povos politeístas, alguns citados acima. Com a proibição, a conotação negativa da tatuagem ganhou força. A partir do século XVI, as navegações marítimas fizeram com que as tatuagens fossem adotadas por marinheiros e piratas, daí uma velha tradição de tatuagens com temas marítimos “a la Popeye”. Por conta disso, os primeiros estúdios de tatuagem surgiram em cidades portuárias. Ainda muito discriminada, a prática só começou a se popularizar no século XVIII quando a nobreza começou a se tatuar. Era costume reis e nobres tatuarem seus brasões familiares, por exemplo. Durante a era vitoriana no século XIX, com a tatuagem popularizada entre as classes altas, as mulheres aderem fortemente à prática, como tatuadas e tatuadoras. Nessa época, era muito comum, mulheres tatuadas se tornarem atrações circenses, e foi a partir daí que as classes mais baixas aderiram ao costume. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial a tatuagem se popularizou entre os soldados, que tatuavam o nome de pessoas amadas, diante da saudade e da incerteza de retorno para casa. Apesar disso, no Brasil a tatuagem chegou apenas no pós-guerra, na década de 60 junto com o rock and roll. Com uma herança ancestral de preconceito, hoje em dia, é crime discriminar alguém pela presença de tatuagens, desde que elas não incitem à violência ou façam apologia à tortura, ao terrorismo, preconceito de raça, cor, religião ou à regimes totalitários, como o nazismo, por exemplo. Por um mundo rabiscado e sem preconceitos, hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
Últimos posts por Jéssica Kotrik Reis Franco (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
YO-HO, no Paraná tem Pirata sim!
I Want to Believe made in Samas
Uma Tradição Natalina Polonesa