(Imagem Ilustrativa)

“Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz”. Este grande dia, segundo o autor da primeira carta redigida em terras brasileiras, ao menos a que temos registro, era numa quarta-feira, pela manhã, dia 22 de abril do ano de 1500. Um dia antes, os tripulantes da Esquadra de Cabral já haviam toupado, pra usar o verbo escrito por Pero Vaz de Caminha, com “aves a que chamam de fura-buxos” e com os primeiros “sinais de terra os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam de botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno”.

Ao ler essa carta, agora com mais atenção e admiração do que tive em meus tempos de escola, eu poderia chamá-la de um belo documento que registrou o início da nossa história. Mas, eu sei, estou sendo simplista demais. Nossa pátria, parece órfã de heróis e registros que façam cultivar nosso amor por aquilo que nos antecedeu e por conseguinte, por aquilo que agora somos. Não que esses símbolos não existam, mas eles não são lembrados e estudados como deveriam. Não pouco, muitos de nossos personagens históricos sofreram caricaturas, sendo suas personalidades satirizadas e seus defeitos, existentes ou não, realçados ao extremo em novelas e minisséries globais. Não construímos conteúdos que façam nossos corações vibrarem de emoção e de orgulho brasileiro, parece que apenas seguimos narrativas que são construídas ou desconstruídas, para algo que, no final das contas, algum estudioso nos dirá: “na verdade, isso é lenda!”.

Carentes de nossas raízes e carregados de nossas mazelas, nosso Brasil avança para ser sempre o país do futuro. Dizem que não amamos aquilo que não conhecemos, e essa é a mais pura verdade. Por consequência, também não defendemos aquilo que não amamos. A ignorância, em todos os sentidos, parece ser a melhor ferramenta usada em nosso país por aqueles que chegam ao poder, em todas as esferas, não somente na política. Podemos com tristeza, ser os ignorantes com diplomas nas mãos, sem a mínima sabedoria daquela que é encontrada em pessoas, que muitas vezes, não sabem escrever o próprio nome. Podemos ser assim, os tais ignorantes úteis ao establishment vigente, e justificar nossas posturas e ideologias com a frase recorrente: “vá estudar!”.

E nesse caminho, em mais um Dia do Descobrimento do Brasil sendo, por assim dizer, uma nota de rodapé nos calendários, chegamos a mais um mês de abril. Infelizmente, são poucas as notícias que nos fazem sorrir como, tenho certeza, fez sorrir o Rei de Portugal, a notícia da descoberta de nossas terras ao ler a Carta de Caminha. Notícias como a recente anulação das condenações de Lula pelo STF, por exemplo, não é algo que faça sorrir a maioria dos brasileiros. Havia comentado em um texto anterior, que esperaria que os ministros do Supremo não dessem provas de que o crime compensa no Brasil. Não foi o que ocorreu. Infelizmente, uma instituição que deveria contribuir para a estabilidade do país, vem provocando exatamente o contrário. Um modelo oposto daquele que precisamos para continuar construindo a nossa história. Ética e honestidade, por fim, são os maiores desejos do povo brasileiro.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
Últimos posts por Ingrid Ulbrich (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
A Vaquinha, o Xisto e a Indústria
Covid-19: lições entre o aperto de mãos e a CPI
O Alerta de Fátima para os nossos Tempos