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A Tradição Indígena e a Terra da Erva-Mate

No dia 03 de julho desse ano, foi concedida à cidade de São Mateus do Sul o título de Terra da Erva-Mate através do Projeto de Lei nº 104/2017. A cidade possui uma forte tradição de produção e consumo dessa planta, de nome científico Ilex paraguariensis, classificada cientificamente pelo botânico francês Saint-Hilaire em 1822, quanto este integrava a Missão Francesa (1815) em território sul da América Latina. Nos livros de história a erva-mate é nomeada como sendo o “ouro verde” do Estado do Paraná, pois sua produção e exportação foi a base da economia paranaense no final do século XIX e início do século XX. Contudo, os primeiros a fazerem o uso da erva-mate como alimento foram os indígenas, que apresentaram tal costume ao homem branco.

A erva-mate era utilizada pelas populações indígenas desde o ano 1000 a.C. Índios Quíchua, Inca, Xetá, Kaingang e Guarani a consumiam sendo mastigada, ou através da infusão das folhas da planta com água, dentro de uma “cabaça”, um tipo de ancestral da cuia que conhecemos e utilizamos hoje. Para os índios, a erva-mate possuía propriedades místicas. Ela oferecia força e vitalidade, e também estava ligada à fertilidade. Assim, diante da chegada dos colonizadores europeus em solo brasileiro por volta de 1500, e do início das missões jesuíticas em 1549, afim de catequizar os índios, o homem branco foi apresentado ao primeiro chimarrão. Entretanto, os padres jesuítas acabaram por proibir seu consumo por um período de tempo, por acreditarem que a erva-mate possuía efeitos alucinógenos, sendo considerada por eles como “a erva do diabo”. Apesar disso, diante da força do costume, a tradição indígena acabou sendo incorporada não só pelos jesuítas como pelos bandeirantes, que difundiram o costume. E é aí que se insere nossa cidade.

O ciclo bandeirista na região sul, em regiões como Castro, Curitiba, Ponta Grossa e São Mateus do Sul, tinha por intuito o desbravamento do interior do território da Colônia. Os bandeirantes também capturavam e vendiam índios como mão de obra para as lavouras. Essa interação, fez com que os bandeirantes adquirissem o costume de beber a erva-mate e acabassem difundindo-o pelos territórios onde passavam, assim como, quando vendiam o nativo cativo, este levava consigo seus hábitos e costumes. Aqui na região de São Mateus, havia a predominância das etnias do tronco linguístico Jê, como os índios Kaingang e Botocudo, que também faziam uso da erva-mate. E assim, através de uma tradição indígena, começou a história da Terra da Erva-Mate. Hoje vou ficando por aqui, até a próxima viajem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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