(Imagem Ilustrativa)

Provavelmente, você já tenha ouvido sobre a história da vaquinha que foi empurrada em um despenhadeiro. Única fonte de alimento para uma família, a vaca fornecia o leite para ser consumido e para produzir queijo. Parte da mísera produção era vendida em uma cidade distante do local onde moravam e a família ia assim, sobrevivendo, em grande pobreza. Certo dia, um mestre e seu aprendiz passaram pela propriedade, se defrontando com aquele cenário desolador e conversaram com o pai que relatou como eles se mantinham. Após partirem dali, o mestre ordenou ao seu aprendiz que voltasse àquele lugar e empurrasse a vaca no precipício. Sem entender, e ainda que muito relutante, voltou e empurrou o pobre animal.

Após alguns anos, o aprendiz decidiu voltar àquele lugar, pois não se conformava com o que havia feito. Encontrou um cenário oposto àquele que tinha na memória, agora belo e verde. Uma nova casa foi construída no lugar do antigo casebre. Carro na garagem, plantações, criações de animais, funcionários e maquinário no galpão. Triste, o aprendiz imaginou que a família havia vendido tudo por não ter mais como sobreviver ali sem a vaca. Mas acabou encontrando as mesmas pessoas. Encantado e surpreso, perguntou como tudo aquilo ocorreu. O pai respondeu: “Lembra da nossa vaquinha? Um dia ela caiu no despenhadeiro e morreu. Tivemos que encontrar alternativas para a nossa sobrevivência e descobrimos habilidades que nem sabíamos que tínhamos e exploramos todo o potencial da nossa propriedade!”

Me lembrei dessa parábola, porque costumo associá-la a nossa realidade local. Em muitos momentos, a unidade da Petrobras que explora o minério de xisto na cidade, foi chamada de “a nossa vaquinha”. Não que precisemos jogá-la no precipício, é claro, até porque, foi ela que trouxe o desenvolvimento local, com toda a infraestrutura necessária para a cidade receber a sua instalação. Geradora de empregos diretos e indiretos, e até de novos negócios, São Mateus do Sul é o que é, em parte por ela estar aqui. Mas, é sentimento de muitos, fruto da leitura da história, de que a unidade serviu de muleta para muitos políticos se apoiarem e não buscarem atrair novos investimentos. Essa falta de visão no passado, seja proposital ou não, hoje cobra o seu preço e são muitos os moradores que precisam se deslocar a outras cidades para trabalhar, justamente pela carência de empregos no setor industrial. Talvez, o amigo leitor, assim como eu, já tenha testemunhado gente nossa sediando sua empresa em algum município vizinho, porque aqui não foi valorizada como lá.

Dia 25 de maio se celebra o Dia da Indústria. Me pergunto, o que temos a comemorar localmente por essa data? É fato a necessidade de o município atrair indústrias, sejam elas do porte que for. Mas, também é fato, que ao fazer esta lição de casa, seja em infraestrutura ou incentivos, é preciso pensar naquelas indústrias que já estão instaladas aqui. Estreitar o diálogo com o setor é parte essencial do processo. Falo isso, porque pertenço a outro setor da economia, o comércio, e sei muito bem onde o calo aperta e onde o município peca. Não há como construir algo melhor, se a experiência e as dificuldades de uma das partes não forem ouvidas.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. E que nenhuma vaquinha nos impeça de explorar todo o nosso potencial! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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