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A vida de quem tem pouco, mas que multiplica muito

Solange de Lima Nunes trabalha na Cosamar há 9 anos, e faz da venda de fardos de materiais recicláveis a sua fonte de renda. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando falamos em renomes de pessoas são-mateuenses, o cargo que ocupam no município fazem com que elas se tornem conhecidas por onde passam. Muitas das pessoas influentes e reconhecidas por São Mateus do Sul são profissionais que atuam diretamente com a população, usando de meios como as redes sociais para mostrar todo trabalho que é realizado.

Talvez você não conheça a protagonista da edição de perfil dessa semana, ou quem sabe você já tenha a visto pela cidade. Talvez ela não faça parte da sua lista de amigos nas redes sociais, mas que da mesma maneira que um profissional reconhecido em São Mateus do Sul compartilha seu trabalho online, o emprego realizado por ela é de grande importância para alcançar o reconhecimento de todo município.

Hoje vamos conhecer um pouco do cotidiano e da vida de Solange de Lima Nunes de 43 anos, que trabalha na Cooperativa São-mateuense de Materiais Recicláveis (Cosamar), há 9 anos.

Nascida em São Miguel da Roseira, comunidade no interior de São Mateus do Sul, Solange trabalhou desde muito cedo com os nove irmãos, plantando milho, feijão, arroz e sapecando erva-mate. Perdeu a mãe de uma maneira trágica, mas que não abalou a força de vontade de sempre buscar uma vida melhor.

Conheceu o atual trabalho através de familiares que a indicaram para o emprego. Uma cooperativa de materiais recicláveis é um meio de junção entre a responsabilidade de separação de resíduos da população, que consequentemente traz uma forma de lucro para os trabalhadores que fazem de maneira direta o serviço.

Materiais como vidro, plástico, papel, papelão e alumínio são passados por uma triagem (que consiste na separação dos materiais) de acordo com suas características, e todo esse trabalho manual é realizado por Solange e pelos 14 funcionários da Cosamar.

Mãe de quatro filhos, leva a família como principal alicerce, batalhando todos os dias para suprir as necessidades que por eles são passadas. Instigada pelas histórias que já passaram, Solange relembra o dia que encontrou R$ 180,00 enquanto separava os materiais recicláveis para a venda.

“Sabe essas caixinhas de Café Melitta que tem o alumínio por dentro? Eu peguei e vi que estava pesado e resolvi abrir para ver o que tinha, quando percebi, enxerguei um maço de dinheiro embolado. Nesse dia eu precisava levar meu filho para o médico em União da Vitória mas não tinha dinheiro, quando encontrei os R$ 180,00 respirei aliviada por poder levar meu filho para consultar”, conta.

E não é só coisa boa que é encontrada pelos resíduos deixados na Cosamar. A falta de consciência e disseminação de informações fazem com que restos mortais de animais sejam jogados com grande descaso dentro da cooperativa, fato que preocupa Solange, que também salienta o forte número de abandono de animais. “Se a gente pudesse, levava todos esses animais abandonados para casa”, diz.

“Um recado que eu deixo para as pessoas é que elas entendam que aqui não é um lixão, mas sim um lugar para materiais recicláveis. As vezes elas misturam os resíduos com comida, papel higiênico e fralda descartável e aqui não é lugar disso”, ressalta.

A Cooperativa São-mateuense de Materiais Recicláveis (Cosamar) está localizada no Loteamento São Joaquim, área industrial.

Apesar de muito trabalho, o salário ainda é muito desvalorizado e varia de acordo com o mês e a quantidade de materiais que chagam até lá. Cada um separa e recebe de acordo com a sua produção, “os materiais são prensados e colocados em fardos. Em média, um fardo de papelão é R$ 0,43 o quilo, já a garrafa pet é R$ 1,40”, informa.

Depois do dia de serviço, Solange gosta de chegar em casa e assistir as novelas do sbt. Como toda dona de casa, o amor por cozinhar também se faz presente, que lembra, “eu cozinho de tudo quando tem o que cozinhar. Apesar de ganhar pouco, as vezes a comida faz falta”, e conta que o salário pode chegar à R$ 600,00 ao mês.

Mesmo com todas estas necessidades, Solange é uma pessoa que preza sempre pela paz e fé, que são alguns dos seus principais objetivos: a esperança em um mundo com maior reconhecimento e respeito entre as pessoas.

O trabalho realizado pela cooperativa conveniada com a prefeitura são-mateuense é de grande valia para manter os resíduos destinados de maneira correta. Realidades como a de Solange fazem parte do cotidiano de muitos funcionários na Cosamar, que testemunham todos os dias, a importância de materiais que muitas vezes são considerados lixos.

“Minha casa tem televisão e fogão porque encontrei eles aqui dentro. Muitas pessoas chegam e deixam utensílios que ainda tem utilidade para nós, mas que para elas é considerado como algo descartável”, informa.

As separações de materiais recicláveis são importantes para manter vidas como a de Solange melhores. “Tem muitas pessoas que se enojam com a gente, mas aqui dentro nós somos uma família, e por isso que eu convido as pessoas para que venham conhecer o nosso trabalho de perto e entender a nossa realidade”, encerra.

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