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A vida dos são-mateuenses embarcados nas plataformas petrolíferas brasileiras

São-mateuenses fazem história e exercem trabalho de grande responsabilidade em alto-mar. (Foto: Arquivo pessoal)

A produção de petróleo no Brasil é marcada pelo aumento acelerado do desempenho nos últimos anos. Atualmente, o país já detém a autossuficiência do produto. Segundo dados da Petrobras, a produção brasileira atual é de mais de 2 milhões de barris por dia. Tal desempenho coloca o país na segunda posição na América Latina (atrás apenas da Venezuela), e em 17º no ranking mundial. No Brasil a extração e produção é realizada em nove bacias petrolíferas, das quais quatro merecem destaque: as bacias de Campos, de Santos, do Espírito Santo e do Recôncavo Baiano.

Cerca de 10 são-mateuenses atuam abordo das inúmeras plataformas instaladas nas referidas nove bacias petrolíferas, dentre elas, existe a atuação de nossos conterrâneos nas plataformas P50, P54, P55 localizadas na Bacia de Campos, a bacia petrolífera com maior potencial de crescimento do Brasil. Sua localização se estende desde o litoral sul do estado do Rio de Janeiro até o norte do estado de Santa Catarina.

A equipe do jornal Gazeta Informativa conversou com Kemmel Nicolau Abib, técnico em segurança do trabalho que já atua há dois anos na plataforma P55, na Bacia de Campos no Rio de Janeiro, à 220 km da costa do Campo de Goitacazes, cidade localizada ao norte do Rio. O ponta-grossense chegou em São Mateus do Sul em 2002 como técnico em segurança e em 2005 entrou na Petrobras, porém na unidade de Natal – Rio Grande do Norte, ficando um ano lá. Após esse período atuou na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR) na cidade de Araucária, onde ficou 6 anos e de lá saiu para assumir uma vaga na sede da Petrobras no Rio de Janeiro e ficou 4 anos, “não aguentava mais as loucuras do Rio de Janeiro e já pleiteava uma vaga para trabalhar embarcado”, comenta Kemmel.

“Muitos motivos me levaram a encarar essa realidade, dentre eles o financeiro, pois os adicionais por se trabalhar embarcado são bastante favoráveis e eu estava cansado do Rio de Janeiro por uma série de motivos, além de este trabalho me permitir voltar para o Paraná e poder ficar perto da minha família”, relata Kemmel ao ser questionado sobre quais foram os motivos que o motivaram a encarar a realidade de estar embarcado em uma das plataformas da Petrobras.

A Plataforma P55 é uma unidade estacionaria de produção do tipo semissubmersível, instalado em uma lamina d’água de 1.800 metros com sistema de ancoragem composto por 16 amarras distribuídas em suas 4 colunas, mede 130 metros/10 mil metros quadrados de área equivalente a dois campos de futebol e pesa 52 mil toneladas. São 11 postos produtores e 6 poços injetores. A P55 trabalha com 156 tripulantes diariamente.

F tipo semissubmersível, a Plataforma P-55 é a maior desse tipo no Brasil. (Foto: Divulgação)

Segundo Kemmel, a plataforma onde atua é responsável pela extração de petróleo e gás, onde o petróleo é estabilizado, tirando a água e o sal, além do gás que possui o mesmo procedimento, ambos são comprimidos e enviados para as plataformas de armazenamento. “Embarcado retomei minha paixão pela minha profissão de técnico em segurança”, comenta.

De acordo com Kemmel, ele desempenha suas funções ao longo de 15 dias e retorna à terra por outros 20 dias. “Sou técnico em segurança e tudo que pensarmos em termos de periculosidade na minha função na plataforma se eleva à 3 a 4 vezes o grau de perigo. Já tivemos 4 situações de perigo que foi exigido a atenção máxima”. O acesso às plataformas é realizado através de helicóptero e segundo Abib, são 50 minutos no ar antes do pouso na unidade.

Kemmel relata que, “para se trabalhar em plataforma tem que ser solteiro ou ser casado com uma mulher como a minha”, se referindo às várias questões peculiares existentes a bordo. “Você tem de ser muito tolerante para conviver com todos embarcados”, pois a convivência com os demais colegas de trabalho é de suma importância, haja visto o empenho de todos à quilômetros de distância da costa. Inclusive por esse motivo cada dia tem algo diferente para diminuir o impacto pela distância, além das disponibilidades de academia, sala de cinema, excelentes camarotes (dormitórios) e um cardápio alimentar diversificado e saboroso.

A conectividade com o mundo é através do Facebook, os celulares são lacrados, não sendo permitido o uso interno. “Apesar que no Natal pude ter acesso ao meu aparelho, diante autorização do gerente da plataforma para poder conversar via vídeo com minha família”, comenta.“Pretendo me aposentar atuando na plataforma, pois posso ter esse horizonte que atuo, com a perspectiva de durar mais 20 anos”, completa Kemmel que se demonstra focado em sua atuação em alto-mar.

A equipe da Gazeta Informativa conversou com Kemmel Nicolau Abib, técnico em segurança do trabalho que já atua há dois anos na plataforma P55, na Bacia de Campos no Rio de Janeiro, à 220 km da costa do Campo de Goitacazes, cidade localizada ao norte do Rio. (Foto: Acervo pessoal)

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