Prismas

A vida é feita de ciclos

(Imagem Ilustrativa)

Quando a pitangueira da casa vizinha se enche de frutos, a natureza me alerta de que o ano está se findando. Logo em seguida percebo os primeiros pêssegos, nectarinas e ameixas nas prateleiras dos supermercados. Quando criança, eu acompanhava o crescimento delas no quintal de casa. São algumas de minhas frutas preferidas e, assim, muito esperadas.

É bom quando chegam! Posso dizer que hoje as aprecio ainda mais, aproveito cada pedacinho. Quando penso em quantas delas já saboreie, não posso deixar de lembrar de quantos ciclos já se passaram, de quantas vezes a espera pela chegada das floradas, da formação das frutas e das colheitas foram contadas, ano após ano. Nossas vidas são assim, feitas de ciclos. Muitos bons, outros nem tanto. O tempo se conta através dos ciclos da natureza.

Quando jovem, eu não dava tanta importância para o tempo. Ele parecia infinito e, muito embora eu soubesse, como dizia minha mãe, que “ninguém fica para semente”, tudo parecia muito distante e pouco provável que ele se findasse no curto prazo.

Não tenho certeza de ter conseguido, mas tentei viver da melhor forma possível, fazer da melhor forma possível, pensando que se a vida terminasse, aqueles que de mim se lembrassem poderiam acreditar que tentei.

Hoje já posso dizer que eu sou um dos privilegiados por poder observar cada ciclo desses a um tempo bem razoável. Espero que ainda venham muitos mais, mas tento aproveitar um pouco mais o meu tempo. O corpo começa a dar sinais de que cansaço de que a energia se esgota. Assim, se não consigo a mesma intensidade da juventude, tento aplicar a maturidade em meus atos para quem sabe conseguir um pouco mais de qualidade nas ações.

Nesta semana, alguém me abordou e me perguntou se eu pratico o que escrevo, se faço tudo o que falo. Eu tento! A vida é um constante exercício, um permanente desafio em busca da firmeza de propósito. A acomodação, a conformação e a aceitação são fortes adversárias. Vencê-las não é fácil!

Já que estamos falando de ciclos. Sempre que um novo Natal chega, penso que mais do que um momento de presentear e ser presenteado, este é um tempo para agradecimento pelos presentes que a vida nos dá durante todo o ano. Um dos melhores presentes que recebi neste ano foi este espaço, nesta Coluna, neste jornal.

Como não ficarei para semente, acredito que eu tenha deixado algumas sementinhas que alimentarão a mente de alguns de meus leitores. Se consegui, talvez o que eu tenha escrito perdure por mais algum tempo. Se não é um passaporte para a eternidade, “que seja eterno enquanto dure”.

Até 2019, se Deus quiser!

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

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