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O gambá, mamífero marsupial que em algumas regiões do sul do Brasil é chamado erroneamente de raposa, é um animal que não oferece nenhum risco ao ser humano. Apesar de ter dentes muito afiados, sua maior defesa quando atacado é se fingir de morto e tentar fugir na primeira oportunidade. Na verdade, ele é um benfeitor pois ajudar a controlar a população de cobras e escorpiões. Sim, o gambá suporta dezenas de picadas de escorpião. Ne entanto, ele realmente se alimenta do sague de galinhas se tiver oportunidade, razão pela qual se tornou um problema para quem tinha criação e galinhas. Mas encerro aqui meus comentários sobre a vida do bichinho para não correr o risco de errar. Deixo os detalhes para os biólogos, veterinários e zootecnistas. O importante é deixar claro que gambás são necessários ao ecossistema. Um deles é personagem da nossa história, acontecida nos gloriosos anos 1990.

Os dois amigos, Sérgio e Odenir, voltavam pra casa às 3h da manhã. Os dois estavam acometidos de problemas de mal funcionamento da endolinfa no labirinto membranoso. Essa falha, no caso dos nossos protagonistas, foi causada pela ingestão voluntária de quantidade significativa de uma substância orgânica composta por dois carbonos, seis hidrogênios e um oxigênio. Muito conhecida e útil, essa molécula é chamada de álcool etílico ou etanol. Sim, estavam embriagados, ou como dizem aqui no RS, borrachos!

Eles juravam que a rua Evaldo Gaensly estava mais longa, afinal estava muito difícil chegar em casa naquele dia. Ao entrarem na rua Olivio Wolf do Amaral, sabiam que faltavam apenas 4 quadras para o descanso e conversavam animadamente sobre os planos para o sábado. Tudo corria muito bem até chegarem na esquina com a rua Odemira Cunha, em frente à escola (na qual me orgulho de ter iniciado os estudos). Ali avistaram um animal atravessando a rua em direção a um terreno baldio. – Olha lá! Uma raposa. Garanto que vai atacar o galinheiro de um vizinho – disse Odenir cochichando pra não espantar o bicho. – Vamos erguer no chute esse bicho – respondeu Sergio. Sim, infelizmente tínhamos essa reação ao ver um gambá, porque aprendemos desde criança que eram sinônimo de prejuízo no galinheiro.

Correram em direção ao animal e Sergio, que chegou antes, desferiu um chute certeiro no bicho arremessando-o longe. A sandália havaiana do pé direito foi junto enquanto ele caia sentado gritando de dor. Só então perceberam o “etílico equívoco”. Não era um gambá! Ele havia chutado um ouriço, também conhecido como porco espinho. O pé ficou parecendo uma escova com dezenas de cerdas nas cores amarela e preta.

Tentaram tirar os espinhos ali mesmo, mas descobriram que a tarefa era difícil e dolorosa. Foram mais de 15 minutos para caminhar as 3 quaras restantes apoiado no ombro do amigo e ao chegar em casa os gemidos de dor acordaram o pai que olhou a cena e disse: – Mas você já é burro meu fio! Nessa idade confundir raposa com ouriço! Mas pelo cheiro já sei que foi por causa de outro bicho chamado tatuzinho. (fazia uma referência à cachaça tatuzinho).

Alguns espinhos entraram fundo e clareou o dia sem que fossem removidos. E o velho pai colocando pilha: – Espinho de ouriço se entrar na veia caminha pelo corpo e para no coração! Você tem que procurar um médico! – Sim o “seu Antônio” perdia o amigo, mas não perdia uma oportunidade de fazer piada. Já de manhã o mano Erni, pescador e mateiro experiente acalmou o “caçador de raposas” e se prontificou a leva-lo ao hospital para tratar o pé, a essa altura bastante inchado.

No hospital o problema foi resolvido com certa facilidade. Instrumentos adequados e habilidade da enfermeira livraram o rapaz dos últimos espinhos. A enfermeira só não pode livrá-lo do pito que tomou de uma freira que apareceu no PA.

  • Que vergonha! Um marmanjo dessa idade chutando um animalzinho indefeso! Disse a freira se esforçando para manter uma expressão séria. – Como assim indefeso? Olha aí irmã. O estado que ficou o meu pé!
  • O gambá está vingado meu filho. O gambá está vingado!
Luís Ferraz
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