Especial

A vitória contra um câncer e o recomeço profissional

Ao todo, foram 13 sessões de quimioterapia que fizeram a jovem vencer um câncer no útero. Dia 15 de março de 2015 nasceu uma nova mulher. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Simpatia, alegria e gratidão: esses três sentimentos resumem e muito a vida da são-mateuense Crislaine Oliveira, de 27 anos, que abriu as portas de sua vida e contou um pouquinho sobre a história de vitória contra um câncer no útero e o amor descoberto por uma profissão que retribui todo sentimento de agradecimento sentido por ela durante o tratamento.

Nascida em São Mateus do Sul mas de família mineira, que esbanja carinho e fraternidade, Crislaine foi criada em um ambiente bastante unido. “Sempre falo que sou extremamente grata por tudo que meus pais e minha irmã fizeram em minha vida”, afirma. Além desse aconchego, o amor incondicional pela Laís, sua filhinha de 5 anos, construiu uma relação de cooperação com a família paterna da pequenina, que hoje manifesta o carinho pelas duas. “Esse sentimento que eles sentem por nós é algo que vou levar para sempre”, diz.

Aos 21 anos, Crislaine descobriu que se tornaria mãe. Mesmo com o receio e o baque que isso trouxe em sua vida, a jovem recebeu um grande apoio dos familiares. “Sempre falo que a Laís não foi planejada, mas sim muito esperada por todos que desde o início a amaram muito”, afirma. Após o nascimento de sua filha, a rotina de Crislaine mudou completamente, e a Laís passou a ser o principal motivo de alegria de toda a família. “Ela é um anjo! Sou até suspeita em falar porque sou a mãe (risos), mas a Laís é muito educada e se adapta em todos os lugares que frequenta”, diz orgulhosa.

Após alguns meses do nascimento da filha, Crislaine começou a sentir alguns sintomas diferentes no seu corpo. “Dos 30 dias do mês, 25 eu estava com sangramento. Eu havia perdido muito peso e as pessoas me falavam que poderia ser por conta da amamentação”, relembra. Chegando a pesar 42 quilos, a são-mateuense resolve fazer alguns exames para ver como estava sua saúde, e uma forte anemia foi diagnosticada. Por conta dos sangramentos Crislaine procurou um ginecologista, e após a coleta dos exames, foi encontrado no seu útero um carcinoma no estágio dois. O carcinoma é o tipo de câncer mais comum nos seres humanos, podendo surgir em praticamente todos os tecidos do nosso corpo. A jovem foi encaminhada para um médico oncologista na capital Curitiba. “Não avisei ninguém da minha família desse diagnóstico e fui sozinha na minha primeira consulta. É da minha personalidade não alarmar para tantas pessoas”, diz.

Chegando no hospital de tratamento de câncer, Crislaine ficou assustada com o sofrimento de tantas pessoas. “Acho que um dos nossos principais problemas é não pensar que algo tão ruim acontecerá conosco”, diz. A forma abrupta que o médico a atendeu mexeu ainda mais com o psicológico da jovem, que ouviu que a única forma de cura para a doença era a retirada do útero. “Fiquei sem saber o que fazer”, admite. Voltando para São Mateus do Sul desnorteada, Crislaine afirma que um de seus maiores medos era não ver a filha crescer. “Muitos pensam que o câncer é uma sentença de morte”, expressa.

No meio desse caos, Crislaine conta que muitos anjos apareceram em sua vida. “Tive o apoio de pessoas da área da saúde, como o Doutor Eduardo e o Doutor Mário, que me ajudaram e deram indicações para procurar a opinião de um segundo médico”, conta. Encaminhada para o Instituto Paranaense de Oncologia (Ispon), em Ponta Grossa, a são-mateuense conheceu a Doutora Ana Carolina, que foi uma das principais motivadoras durante o seu tratamento. “A abordagem foi completamente diferente. Ela compreendeu a minha situação”, afirma. A médica explicou todo processo de tratamento que seria feito, e as sessões de quimioterapia iniciaram logo em seguida. “Nesse dia a retirada do meu útero passou a ser a segunda opção.”

A oncologista também explicou quais seriam as possíveis reações que Crislaine teria durante o tratamento. “Só depois que estava com o diagnóstico completo em mãos, que eu fui avisar a minha família que eu estava com câncer”, diz. Mesmo durante o tratamento, a são-mateuense não deixou de trabalhar, e afirma que o contato com o público a ajudou muito durante toda a luta contra o câncer. Ao todo foram 13 sessões de quimioterapia que fizeram a jovem vencer a doença, sem a necessidade de retirar o útero.

Crislaine está cursando Técnico em Enfermagem e se sente realizada no caminho profissional. (Foto: Acervo Pessoal)

Entre as histórias de vida encontradas no Ispon durante o tratamento, Crislaine afirma que os grupos de apoio fortalecem ainda mais o ânimo de viver. “Quando comecei a perder o cabelo parecia que a minha força estava indo junto. Pensava comigo que eu precisava encontrar uma maneira de não me abalar com isso, e lá no Ispon minha autoestima começou a voltar”, relembra. Nos grupos de apoio a troca de lenços passou a ser muito comum no cotidiano da jovem. “O turbante, que hoje as pessoas costumam me ver usando, me traz uma força que é difícil de explicar”, afirma. O tratamento de Crislaine foi um processo silencioso e o momento de cura foi uma data de renascimento. Dia 15 de março de 2015 nasceu uma nova mulher.

O caminho profissional que está sendo traçado pela são-mateuense tem uma importante ligação com a saúde e com a gratidão pelos “anjos” que passaram em sua vida. Há alguns anos Crislaine iniciou uma graduação em Biologia, mas percebeu que esse não era o ramo que gostaria de seguir. Após a realização de um curso de inspeção de equipamentos, ela começou a trabalhar em uma clínica médica, que a aproximou ainda mais da Enfermagem. “Sempre gostei de cuidar das pessoas e ter esse contato. Via que o meu lugar era ali! Me sinto muito a vontade em dizer que hoje eu escolhi uma profissão que quero levar para a vida inteira”, admite.

Atualmente Crislaine está finalizando o curso de Técnico em Enfermagem, mas possui também um curso de especialização na área de Socorrista. “Quero no futuro fazer uma graduação na área e realizar um dos meus principais sonhos que é montar uma equipe para fazer um trabalho voluntário pelo interior de São Mateus do Sul”, afirma.

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Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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