Policial

Abordagem policial a médico cubano causa repercussão nas redes sociais

Da esquerda para direita Juan Miguel Mandina Blanco e Joel Garcia Sanchez, que foram abordados pela equipe da Polícia Militar após atitudes consideradas suspeitas. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Na sexta-feira (6), o médico cubano Joel Garcia Sanchez, juntamente de seu irmão Juan Miguel Mandina Blanco, foram considerados suspeitos em tradicional loja são-mateuense. Em entrevista exclusiva para a equipe da Gazeta Informativa, o médico afirmou que as informações do Boletim de Ocorrência (BO) estavam precipitadas.“Constatava que nós dois estávamos dentro da loja, sendo que apenas meu irmão estava lá enquanto eu esperava na fila do banco”, explica Joel.

Chegando há uma semana em São Mateus do Sul, o irmão do médico estava de passeio pelas ruas do município. Enquanto Joel precisava ir até o banco, Juan adentrou na loja. “Uma funcionária perguntou se eu precisava de ajuda, e eu disse que não”, explica o cubano de sotaque marcante.

Após alguns instantes, ele saiu da loja e foi até o encontro do irmão. Percebendo o fluxo de alguns Policiais na rua, eles acabaram ficando com medo. “Até falei para o Juan que poderia estar acontecendo alguma coisa grave, quando percebemos que toda aquela movimentação era por nossa causa”, diz Joel.

Os cubanos foram abordados pela equipe de Policiais Militares de São Mateus do Sul dentro do banco. Segundo eles, os Policias foram educados no momento da abordagem. Após a vistoria, e constatando que os rapazes não portavam nada de ilegal, foi feito o BO sobre o fato.

De acordo com o médico, um dos motivos para a abordagem foi o fato de que as vendedoras não estavam conseguindo compreender o que o cubano estava dizendo. “Para mim isso é um exemplo claro de xenofobia”, ressalta Joel. É enquadrado como xenofobia a desconfiança, o temor ou antipatia pelas pessoas que vêm de outro país.

Revoltado com a situação, Joel expressou sua indignação em um grupo de reclamações no Facebook, e recebeu um retorno positivo de apoio dos moradores do município. “Fiquei muito feliz pelas mensagens das pessoas que entenderam a nossa situação”, diz o médico.

Sem receber ao menos um pedido de desculpas das funcionárias da loja, o médico fala de maneira comparativa. “Imagina se eu, na profissão que exerço e vindo de outro país, começo a tratar mal meus pacientes por ‘não entender direito o que eles estão falando”’, desabafa.

Para o Capitão da 3ª Companhia da Polícia Militar (PM) de São Mateus do Sul, Ederson Pinheiro Crevelin, a PM trabalha de forma preventiva em casos de suspeita. “Quando alguém ver algo ou alguém suspeito deve ligar para o 190 e a PM vai realizar a abordagem para identificar as pessoas e verificar o que está ocorrendo. Qualquer um pode ser abordado pela PM, não interessa quem é, ou qual profissão exerça”, explica.

A equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com a proprietária da loja e ela não se manifestou sobre o caso.

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