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Acadêmico constrói protótipo de veículo elétrico autossuficiente em energia

O veículo tem uma autonomia de 46 minutos, atinge uma velocidade de 50 Km por hora, demora 4 horas para recarregar suas baterias através da luz solar, e 6 horas através da rede elétrica. (Foto: Jardel Eugenio Silva/Arquivo Pessoal)

Dia 25 de junho, às 14 horas, em Marcílio Dias, Distrito de Canoinhas (SC), Jardel Eugenio Silva, 40 anos, natural de União da Vitória (PR), residente em São Mateus do Sul, há mais de 10 anos, defendeu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em Engenharia Elétrica, na Universidade do Contestado (UnC).

O universitário construiu um protótipo de veículo elétrico autossuficiente em energia, que foi submetido a avaliações, pelos professores: Prof. Me. Luis Eduardo Palomino Bolivar, Prof. Leonardo Peters e Prof. Me. Marcos Paulo Hirth, e obteve aprovação com nota máxima. O protótipo chama-se VE CONTESTADO – 01 e foi desenvolvido ao longo de três anos de estudos e pesquisas sobre orientação do Professor Me. Luis Eduardo Palomino Bolívar até sua conclusão com êxito.

O orientador do projeto, Prof. Me. Luis Eduardo Palomino Bolivar, afirma que Jardel tem espírito de engenheiro. “O veículo VE CONTESTADO – 01 é o resultado de muitas horas de estudo e empenho do acadêmico Jardel para demonstrar que aquilo que foi projetado há anos, realmente estava bem calculado e que as disciplinas a cursar complementaria os conhecimentos. Em minha condição de orientador, devo reconhecer que o Jardel é um aluno que atende às recomendações do orientador e vai além da média dos alunos. Sem dúvida é um trabalho nota 10 e um aluno também nota 10. Esse é o espírito do engenheiro. Acredito que seja virtude do perfil dos alunos de Engenharia a paciência e perseverança. O Jardel demonstrou que tem estas condições”, diz.

Para o orientador, Jardel é um aluno que já está preparado para assumir responsabilidades como engenheiro. “Tenho certeza que o nome do curso de Engenharia Elétrica, da UnC, estará bem representado no Engenheiro Jardel”, diz.

Jardel é empresário e trabalha como técnico de manutenção em laboratório fotográfico digital, especificamente manutenção de laser e conserto de placas eletrônicas. Além de estar se formando em Engenharia Elétrica, é também Bacharel em Ciências Econômicas, formado pelo Centro Universitário de União da Vitória – UNIUV, em 2003, antiga Face. “O primeiro curso me ensinou a ser um empresário, o segundo curso é amor pela área da tecnologia e desenvolvimento. Ao longo desses meus 40 anos aprendi que não existe nada mais gratificante do que trabalhar na área que gosta. Foi um grande desafio voltar para uma sala de aula depois de muitos anos longe, mudar toda rotina diária, estudar com colegas bem mais novos, mas também é muito gratificante a troca de conhecimentos e experiência”, comenta Jardel.

Jardel destaca que é sua esposa, quem gerencia suas empresas, com isso conseguiu fazer uma segunda graduação. “Agradeço muito a ela, por fazer parte da minha vida e estar presente nos melhores momentos da minha vida”.

O protótipo

Ficha Técnica

De acordo com Jardel, o VE CONTESTADO – 01 surgiu com o objetivo de comprovar que é possível construir veículos autossuficiente em energia e com maior eficiência energética, pois os veículos com motor a combustão interna (MCI), além de serem poluentes, sua eficiência é surpreendentemente baixa. “Todo calor expelido como gases da exaustão ou que vai para o radiador é energia desperdiçada, o motor também usa uma quantia considerável de energia para acionar bombas, ventiladores e geradores em funcionamento. De tal forma que a eficiência global desse motor é de 20%. Isto é, cerca de 20% do conteúdo da energia térmica do combustível é convertida em trabalho mecânico (Gonzales, E. R., out 2000). Enquanto um motor elétrico Brushless (BLDC) tem uma eficiência bem razoável, aproximadamente 88%”, explica.

Conforme Jardel, o protótipo VE CONTESTADO – 01 é um sucesso. “Superou as expectativas, tem uma autonomia de 46 minutos, atinge uma velocidade de 50Km por hora, demora 4 horas para recarregar suas baterias através da luz solar, e 6 horas através da rede elétrica”, conta.

Uma das primeiras dificuldades no desenvolvimento do protótipo, foi encontrar literaturas específicas para usar como referencial teórico, pois apesar do carro elétrico ser um conceito antigo, (pois os veículos elétricos estão entre os primeiros carros construídos durante os anos iniciais da indústria automobilística. O primeiro veículo independente a rodar com eletricidade foi construído na década de 1830, na Escócia. A fonte de energia para esse veículo não era recarregável, um problema considerável) quase não se encontra literaturas que tenha abordagem científica, teve que importar de Portugal e dos Estados Unidos.

Jardel conta que a ideia de construir o VE CONTESTADO – 01 surgiu 3 anos atrás, após ter uma conversa com o seu coordenador do curso, Prof. Me. Luis Eduardo Palomino Bolívar, sobre qual seria o tema para seu TCC. “Então surgiu o desafio em lançar um produto energeticamente eficiente e ecologicamente correto, com isso surgiu a ideia em construir um carro elétrico”, diz.

A primeira etapa da construção do VE CONTESTADO – 01 foi definir a plataforma mecânica a ser usada, segunda etapa tipo de motor, terceira etapa tipo de baterias, quarta etapa tipos de células fotovoltaicas. Após essas etapas, teve que escolher os fabricantes (fornecedores). “Do início ao fim, da pesquisa ao desenvolvimento do protótipo foi feito por mim, sobre orientação Prof. Me. Luis Eduardo Palomino Bolívar, só terceirizei a mão-de-obra de, pintura, e soldagens”, ressalta.
O protótipo teve um custo de aproximadamente 17 mil reais. “Não tive patrocínio só apoio e orientação do Grupo de pesquisa em Energias Alternativas e Renováveis, da UnC, onde o professor Palomino atua como líder do grupo”, frisa.

A conclusão do projeto

Segundo Jardel, o veículo elétrico é o futuro, suas limitações ainda são as baterias, a partir do momento que sua tecnologia melhorar tornando-as mais densas em energia, com um custo de produção mais baixo, o veículo movido a motor de combustão interna vai virar passado. “Pois os motores elétricos funcionam o tempo todo e raramente requer manutenção, e não há muita coisa em um motor elétrico que pode se desgastar e, quando isso acontecer, vai ser relativamente simples para substituir, devido sua simplicidade. Manter um carro elétrico, vai custar cerca de um terço do custo atual de manutenção de um carro movido a motor a combustão interna. Isto é, até que a bateria começa a se desgastar, e isso vai a acontecer desde o primeiro dia, mas a perda é tão pequena no início, que mesmo depois de vários ciclos de carga e descarga parecerá imperceptível”, explica.

Jardel faz planos para o futuro: “Pretendo fazer mestrado e doutorado na área de Engenharia Elétrica. Trabalhar na área de pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos, e apoiar novas pesquisas de aperfeiçoamento do VE – CONTESTADO 01. Lecionar, na área de robótica e automação e converter um veículo popular de pequeno porte para elétrico”, finaliza.

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