(Imagem Ilustrativa)

Dias desses estava eu discutindo num grupo de WhatsApp, formado por amigos, sobre as modificações que têm ocorridos em nossas vidas, e o quão estamos preparados (ou não) para atendê-las, ainda brinquei que a gente vai se adaptando, pois eu que gosto de um bom bate papo, me adaptei em conversar via on-line.

Falando nisso, como você está se adaptando a tudo isso, já parou pra pensar? Tem coisas que vêm para o bem e outras nem tanto, mas a verdade é que somos altamente adaptáveis, o nosso problema é a “preguiça” da mudança, como diria um professor que tive. Se não fôssemos adaptáveis já teríamos sumido da face da Terra. Exemplos tivemos aos montes, mas as adaptações foram ou seguiram no ritmo que a gente queria mudar. A vinda cada vez mais rápida de coisas, aparelhos modernos e também de costumes e comportamentos, deixaram alguns para trás, outros se adaptaram, e outros ainda foram além e criaram conflitos.

Sempre gostei de música, no caso ouvir, nunca aprendi a tocar nada, e colecionava muitos LPs ou Long Play para os mais velhos, vinil para alguns e relíquia para outros. Chegaram os CDs, que demorou um pouco pra pegar, pois eram caros, assim como os DVDs, mas depois que se popularizaram, criou um sério problema para a indústria da música, pois também viraram digital e ninguém mais comprou disco, estava disponível na internet, e o show que era barato passou a custar uma fortuna. A televisão que nunca teve concorrência dos filmes de locadoras, passaram a temer quem matou as locadoras, os canais pagos e distribuidoras de filmes on-line, como a Netflix, as notícias da TV estão disponíveis na internet a qualquer momento e as vezes ao vivo. Sobrou as novelas, mas tem forte concorrência dos seriados.

Tem escolas que estão permitindo os alunos filmarem as aulas, e depois com aplicativos que transformam o que foi falado em texto, evitam que os alunos “percam tempo” escrevendo, que o digam as redações.

A pandemia antecipou alguns costumes que estavam crescendo nas grandes e médias cidades, e já chegou nas pequenas cidades, como os serviços delivery. Não se imaginava algum a algum tempo, pedir um lanche numa lanchonete que fica a 5 ou 6 quarteirões de casa. Nos grandes centros sim, rapidez, segurança, comodidade, mas lá já estão usando drones e em alguns países testando carros autônomos sem motoristas. Trabalhar em casa era sonho de muitos e possibilidade de poucos, de repente virou quase que obrigatório para muitos, e vai continuar sendo depois da pandemia passar, pois as empresas gostaram da novidade, nós é que estamos sofrendo para nos adaptar.

Muitos reclamam de ferrovias tirando empregos de motoristas, outros que muitos caminhões causam acidentes, e agora que estão criando caminhões sem motoristas? Daqui há pouco os ônibus também não terão motoristas e nem cobradores. Ninguém mais manda carta, só mensagem on-line, o dinheiro físico está sumindo, faz tempo que existe o cartão plástico de débito, mas agora todo nosso pouco dinheiro está disponível no celular, que era pra falar, mas pouco falamos nele, muito mais mensagens, inclusive robôs falando com a gente e intimidam dizendo “respondam apenas sim ou não”. Até banco ficou eletrônico, se faz tudo por senhas e nem dinheiro vivo aparece mais, nem agências, basta liberar nos caixas dos supermercados e a transferência feita com sucesso, resolve.

Missas e cultos via internet, com ofertas e dízimos on-line, depois é possível tomar a Santa Ceia, delivery bastando passar na frente das igrejas em determinados horários.

O que dizer dos carros elétricos? Não vai apenas fazer cair o preço do petróleo, mas acabar com tantos serviços de oficinas, pois os motores elétricos praticamente não estragam, vai salvar apenas borracharia, suspenção, pintura e lataria, pois barbeiros ainda existirão e determinados itens possuem desgastes.

Bom, a pandemia vai passar mas ela de certa maneira, a despeito de todas as tristezas, nos deu um choque de adaptação para o futuro, que teimamos em não ver que chega, mesmo que a gente não queira. E ao contrário do que falavam antes sobre as empresas, “é se adaptar ou morrer”, pois agora é sobre nossa vida pessoal, e na verdade morrer não é opção, mas sim sofrer, temos que nos adaptar para não sofrer. A palavra chave que muitos querem ignorar, mas não vão conseguir, não é futuro, tecnologia, avanços, tudo isso sempre aconteceu, mas era lentamente, agora é quase tudo pra ontem, temos que nos “adaptar”. Quais coisas que faz hoje que não fazia há 5, 10 anos? Você se adaptou e nem viu.

Hugo Lopes Júnior
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