Ex-prefeito Argos Fayad cita experiência com foco à renovação ao lado do pré-candidato Renato Possebon, para vice.
(Fotos: Acervo Pessoal)

Argos Fayad é advogado, concorreu a prefeitura em 1992 e se elegeu, pelo PMDB, ficando no mandato entre o início de 1993 e final de 1996. Renato Possebon foi secretário de Finanças da mesma gestão e compõe a chapa, na disputa de 2020, como pré-candidato a vice-prefeito. A composição do MDB não lançou pré-candidatura para disputarem as nove cadeiras da Câmara.

“Em qualquer lugar do mundo a continuidade no poder por longos períodos é desastrosa e perigosa. Leva à acomodação, criação de privilégios, ausência de audácia e coragem para inovar, compromissos espúrios e nocivos, e em muitos casos aumento na corrupção pública”, observa o pré-candidato Argos Fayad na resposta sobre manutenção de grupos políticos no poder e em que se alicerça para a disputa.

Argos explica que o MDB não lança chapa para a Câmara por já existir postulantes suficientes por outros partidos. Ao passo que coloca seu nome na disputa por mudança, com viés de conhecimento em gestão pública e se considerando experiente. “Oferecer uma opção nova e diferente dos demais candidatos, com renovação aliada à experiência e um passado de realizações”.

Desenvolvimento e desafios

“Geração de empregos e renda para a população através da criação de frentes de trabalho temporário, investimentos em obras públicas, atração de empreendimentos novos, oferecendo mão de obra qualificada pelo município através do SENAC, SESI, SENAR, SESC e Escolas Municipais”, aponta o pré-candidato sobre os principais desafios da próxima gestão municipal de São Mateus do Sul.

“Aliada a uma política de divulgação do município e suas potencialidades junto a organismos do Comércio e Indústria a nível Nacional. Entendo que vencendo esse desafio, do emprego e renda, todos os outros serão resolvidos”, complementa, no seu entendimento administrativo, sobre o prisma de divulgar o município e suas oportunidades. Também com foco em novos postos de trabalho.

Quanto à previdência municipal, Argos Fayad, menciona ser “uma questão nunca revelada. Parece caixa preta. Segundo soube são quase R$ 200 milhões, muito mal aplicados e que poderiam servir ou render mais. Se os estudos indicarem déficit é preciso corrigir”. A projeção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021 é de déficit atuarial na casa de R$ 259 milhões.

Outros dois desafios são a Saúde e a Educação. “Há necessidade urgente de ampliar o atendimento contratando mais profissionais, equipando hospital, com tomógrafo por exemplo. Aumentar as especialidades e diminuir os deslocamentos e contratando na rede privada. Na educação o contraturno ou escola integral e novas creches, são medidas importantes”, opina o pré-candidato.

“O dinheiro economizado durante a pandemia, calculado em R$ 5 milhões, deverá ser aplicado no setor”, pressupõe. Argos evita criticar a gestão em Saúde e Educação, mas cogita melhorias. “Em qualquer situação, sempre é possível melhorar. Não gostaria de tecer críticas nesse momento a esses setores essenciais. A própria população ao votar, dirá o que pensa sobre isso”.

Rumos e alinhamento político, o pré-candidato não pretende antecipar antes do pleito eleitoral. “De princípio, sem nenhum alinhamento. Após, todos os alinhamentos que possibilitarem o crescimento e desenvolvimento. Olharemos principalmente para frente, mas também à direita, à esquerda e para trás. Como estivéssemos dirigindo um carro que deseja chegar a um lugar sem acidentar-se no caminho”.

Diferenciais e proposições

Argos sustenta, como diferencial de sua pré-candidatura, a própria história construída quando prefeito de São Mateus do Sul. “Experiência comprovada. Quem sabe faz. Quando falo que posso fazer, comprovo com o que já fiz anteriormente. Não é como os demais que fazem muitas promessas, sem ter respaldo no passado. Mesmo porque, são novatos na política”, argumenta.

“Crescer e desenvolver o município para todos, sem endividamento é o progresso para todos, não só para alguns ou um agrupamento político”, observa. “De tantos mandatos repetidos a atual administração se tornou burocrática, previsível, sem criatividade, sem coragem, sem audácia e sem inovação. O prefeito tornou-se um funcionário público com estabilidade no emprego”.

Na conjuntura administrativa, o pré-candidato cita a importância do servidor público. “Um prefeito, por melhor que seja, mesmo com oito ou dez Secretários extremamente competentes, não faz uma boa gestão se não houver o comprometimento do funcionalismo. Daí a importância de dar ao servidor público a remuneração merecida. Tudo diante do bom senso e da realidade”.

“Não se pode agir com o cobertor curto, ou cobrindo a cabeça ou os pés. Gestores anteriores privilegiaram uns em detrimento de outros. Sequer se candidataram a reeleição como tinham direito. Por outro lado, não se pode ser um carrasco, explorando e menosprezando o funcionalismo. Como tudo na vida, se não houver equilíbrio a coisa desanda”, opina Argos Fayad.

Observações e entendimentos

O pré-candidato entende que “obras concentradas no ano eleitoral, são eleitorais. Somente para iludir a população e tentar que ela esqueça os outros três anos”. Também avalia melhorias e ações. “Somente nos últimos meses se investiu em mobilidade na Ulisses Faria. Muito há o que fazer. Esse um setor de pouco ou nenhum planejamento”. Ao passo que entende a necessidade dos empréstimos sem comprometer o essencial.

“Uma das características do atual prefeito é o equilíbrio fiscal. As duas vezes que ele saiu, os substitutos não deram conta do recado. Esse é um dos meus medos do futuro, um prefeito ou prefeita que não saiba controlar o orçamento e a demanda que surgirá. Gente novata tende a gastar mais do que arrecada ou então, querendo beneficiar a classe a que pertença, dar aumentos exagerados ou fora da realidade”, argumenta.

Reduzir custos, aliado a eficiência na gestão pública, é o que propõe Argos Fayad. “Corte de despesas é minha especialidade. Mas saber onde cortar é que é a questão. A estrutura atual está enxuta, mas ineficiente. Um secretário acumula várias secretarias. Aí nenhuma funciona adequadamente. Precisamos de gente capaz e competente. Um bom funcionário faz a diferença”.

O pré-candidato vê na Agricultura um setor ‘que melhor responde às crises’. Mas entende que a estrutura do departamento público municipal, criado por sua gestão quando prefeito, se ‘tornou um órgão burocrático e sem ação’. A perspectiva do advogado é de inovar, municipalizando licenças ambientais, por meio de convênio com o Estado. “Isso permitirá uma agilidade na concessão de licenças”, explica.

Argos observa que a medida traz benefício aos agricultores, especialmente aos pequenos e que pode diminuir muito o prazo por uma licença de uso. “Quanto às estradas, não fosse a construção da Usina do Calxisto, construída quase toda na minha gestão, 1993-1996, não teríamos estradas decentes”, frisa sobre estradas rurais que, segundo ele, com esta estrutura ‘beneficiou’ futuros gestores.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Pedido de vistas interrompe 2ª votação de dois projetos de lei na Câmara de Vereadores
Vereadores da base e oposição citam ‘falha’ em transporte de paciente
Redes sociais e divulgação de Prefeituras e Câmaras estão suspensas