São Mateus do Sul está na lista de municípios brasileiros com agrotóxicos detectados
na água potável; Sanepar esclarece os dados pesquisados. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Há tempos profissionais das áreas da saúde e ambientalistas destacam a importância da água para a sobrevivência da biodiversidade, porém, no mês de abril, o Ministério da Saúde juntamente com uma investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye divulgaram alguns dados – estudados entre 2014 e 2017 –, sobre os números de agrotóxicos presentes na água potável.

A pesquisa divulga um mapa de dados pertencentes ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde, que informa a quantidade e os tipos de agrotóxicos encontrados em cidades brasileiras, identificado como “coquetel tóxico”. No ranking, o Paraná aparece em segundo lugar, com 326 cidades com os produtos encontrados.

Em São Mateus do Sul, segundo a pesquisa, foram detectados 27 tipos de agrotóxicos, e 11 deles são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Porém, a pesquisa informa que nenhum agrotóxico foi detectado acima dos limites brasileiros no município entre 2014 e 2017.

Esclarecimento

A equipe da Gazeta Informativa entrou em contato com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) da regional de União da Vitória – responsável pela estação de tratamento de água do município –, e eles afirmaram que realizam análises de monitoramento exigidas legalmente, através da Portaria de Consolidação nº 5, anexo XX, do Ministério da Saúde, da água produzida pela Estação de Tratamento. “São 94 parâmetros no total, realizados em laboratório próprio certificado conforme exigência do próprio Ministério da Saúde. Os resultados das análises realizadas em São Mateus do Sul atendem aos Valores Máximos Permitidos (VMP) pela Portaria 5”, esclarecem.

A Sanepar afirma que a empresa é obrigada a informar semestralmente todos os resultados das análises realizadas nos 345 municípios atendidos por ela. Eles analisam os 27 agrotóxicos, que são os reportados. “Por exigências de normas internacionais de laboratório, nossos limites de detecção são baixíssimos, podem chegar até 1.000 vezes a menos que o VMP da Portaria 5. Por isso, quando é divulgado que foram detectados, significa que analisamos, mas não foi encontrado acima do VMP, porém temos que expressar o resultado como menor que o limite de detecção, e não zero”, garantem.

Questionados sobre as análises realizadas na água em São Mateus do Sul – em que o Rio Taquaral é o responsável pelo abastecimento da cidade –, a Sanepar informa que os estudos são feitos de acordo com o parâmetro e do ponto de coleta. “Realizados análises de hora em hora, diárias, semanais, mensais, trimestrais e semestrais conforme a legislação”, apontam. Os materiais utilizados para esses estudos são equipamentos como: colorímetro, turbidímetro, espectrofotômetro, cromatógrafos líquidos e gasosos com detetor de massa, espectrômetro de plasma induzido com detetor de massa.

A Sanepar informa que não é responsável em cessar os problemas com o descarte inadequado de agrotóxicos – função que deve ser vigiada por órgãos ambientais competentes –, mas realiza o monitoramento diário e qualquer alteração a equipe de profissionais deverá realizar medidas preventivas e/ou corretivas.

O trabalho da Secretaria de Agricultura

Para Manoel Ferreto, engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura de São Mateus do Sul, o município realiza ações de conscientização com os agricultores, enfatizando a importância do descarte adequado das embalagens vazias de agrotóxicos. “A Secretaria participa do programa que destina as embalagens corretamente, e damos todo o apoio de credenciamento à produção orgânica”, informa. A metodologia orgânica tira os produtores da agricultora tradicional – que utiliza agrotóxicos para aumento da produtividade –, incentivando os agricultores para a produção realizada naturalmente. “A Secretaria de Meio Ambiente, em parceria com algumas entidades também está realizando o projeto Taquaral 10, que enfoca na proteção das margens do Rio Taquaral que abastece a cidade”, diz.

Rio Taquaral que abastece a cidade de São Mateus do Sul. (Acervo Gazeta Informativa)

Ferreto informa que os agrotóxicos devem ser utilizados com parecer técnico de um engenheiro agrônomo, que orientará o produtor rural no momento da compra através do receituário agronômico. “Se olharmos em nossa região que produz em larga escala, como a batata por exemplo, a plantação exige um alto investimento. Se não for realizado um controle de pragas e doenças, o agricultor acaba comprometendo toda sua produção”, explica.

O lado ambiental

Para a engenheira ambiental e técnica em agronegócio, Suelen Polak Ramos, quando o assunto é a conservação da água e o uso de agrotóxicos, existem alguns padrões a serem seguidos. Ela explica que o agrotóxico – que é autorizado pelo Ministério da Agricultura –, deve ser utilizado em uma quantidade específica, que é analisada por entidades agrícolas que controlam seu uso no município, como a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em São Mateus do Sul. “Em contrapartida, na área ambiental em defesa à qualidade, contamos com o apoio da Águas Paraná, que faz a linha de outorga de uso da água. Toda a intervenção que altera a quantidade e/ou qualidade do corpo hídrico precisa passar por essa licença”, explica. A liberação é um processo administrativo que analisa a potencialidade da água, seja para a linha de irrigação, abastecimento doméstico e público, agricultura, combate a incêndio, entre outros. “No meio rural, existem as Áreas de Preservação Permanente (APP) pré-definidas em lei, que servem para reter resíduos sólidos. A conservação das águas, tanto na linha de captação quanto de lançamento, devem ser analisadas por profissionais responsabilizados na área”, enfoca.

(Imagem Ilustrativa)

No pedido de outorga para o uso da água para fins industriais por exemplo, é analisado a bacia hídrica nos pedidos jusante – fluxo normal da água, de um ponto mais alto para um ponto mais baixo –, e montante – direção de um ponto mais baixo para o mais alto –, para um parecer favorável (ou não) para a utilização do recurso natural. “Para a perfuração de poço profundo, também é necessário a liberação do uso da água”, explica a engenheira ambiental.

Os agrotóxicos possuem a finalidade de manutenção da produção agrícola, porém o maior risco é o uso excessivo e o descarte inadequado das embalagens vazias, que podem prejudicar os mananciais. “O produtor precisa se sensibilizar que o agrotóxico é sim permitido por lei mas com quantidades específicas”, diz. Quando um produtor adquire um agrotóxico, ele necessita da nota de comprovação da compra para, no fim da safra, fazer a devolução da embalagem com a tríplice lavagem já realizada. Na região, a Associação dos Comerciantes de Defensivos Agrícolas do Vale do Iguaçu (Acodevale) é licenciada para a linha de recebimento das embalagens. “O produtor rural deve ter responsabilidade ambiental e social. Ele precisa ter em mente que deve produzir favorável ao meio ambiente, seguindo o desenvolvimento sustentável. O recurso pode sim ser utilizado, mas precisa ser restituído em melhores condições para as futuras gerações”, afirma.

CHARGE:

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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