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Era no começo da tarde de dezembro, época do ano que o calor começava a preencher mais forte os lugares sem muita sombra. Eu ainda estava no ensino médio e depois da aula saí junto com os meus avós para procurarmos alguns presentes de fim de ano para os outros netos. Como privilégio para quem vive em cidade pequena, fomos andando de loja em loja para tentar encontrar os produtos mais em conta.

Lembro que paramos em uma loja recém inaugurada que hoje é de grande renome aqui no município. Não somos de família rica e minha avó não anda de salto alto por aí. Era calor, eu segurava a mochila de um lado e o moletom do colégio do outro; e o meu avô um guarda-chuva na mão pois segundo ele “o tempo ia virar para chuva”. Entramos nessa loja e logo na entrada fomos encarados dos “pés à cabeça” pelas funcionárias que estavam encostadas próximo ao balcão. Fiquei incomodada não por mim, mas por ver que os meus avós ficaram sem jeito por essa olhada tão repentina. Mas tudo bem, vimos alguns produtos sem se quer receber um comunicado singelo de “boa tarde”.

Lembro que era época da greve nacional dos caminhoneiros: e que frio faziam durante as coberturas que realizávamos pelo jornal… Com a correria de trabalho e com o choque de temperatura, fiquei com uma “bonita” infecção na garganta. Durante uma tarde fui para o Pronto Atendimento pois não conseguia se quer engolir a própria saliva. Os corredores estavam lotados como (infelizmente) é de praxe. Fiquei aguardando para ser atendida com previsão de espera de mais de três horas. Eu realmente estava muito mal para voltar para casa e precisaria mesmo tomar algum remédio controlado para melhorar o quanto antes. Saí da sala de espera e fui para o corredor.

Aquele dia eu realmente chorei de dor, pois era horrível ter que ficar de minuto a minuto indo para o banheiro jogar a própria saliva. “Não adianta chorar porque não vamos passar você para ‘frente’”, disse uma técnica em enfermagem que parecia estar de saco cheio do próprio emprego. Eu não queria ser atendida com privilégio, tão menos tirar a vez de pessoas que estavam com problemas mais graves do que eu. Eu queria apenas ficar quietinha, e o choro era uma forma de tentar colocar para fora todo incômodo que estava sentindo.

Sabe, algo que me decepciona e muito é a falta de empatia. Com certeza você já deve ter passado por momentos parecidos com esses: preconceitos em comércios pela “falta” de poder aquisitivo e o desmerecimento de dores durante um atendimento na saúde. Ninguém entra em uma loja sem interesse em algum produto. Ninguém em sã consciência procura um Pronto Atendimento quando está tudo bem. Essas atitudes não acontecem apenas nessas áreas, mas em tantas outras. “Antes de ser um excelente profissional, seja um bom ser humano!”

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