Esporte

Airsoft: o vídeo game da vida real

Os operadores componentes da equipe Esquadrão Suicida Airsoft Samas são: Felipe Mayer Wisniewski, Rafaela Gomes Wisniewski, Luís Henrique Chirnev Braga, Ederson Okonoski, Vitor Alexandre Jurkin Sá, Patricia Fernanda Krychak, Adriano Farias, Luis Afonso Dobkowski Jr., Alex Hoepers Maciel, Eros Gessner, Feliphe Guimarães, Abner Renan de Lima, André Mendes Felizardo, Nicholas Iensen, Jaqueline Josviak Bueno, Emerson Cruz e Jackson Guimarães Kozlowski. (Foto/Montagem: Felipe Mayer Wisniewski)

O esporte Airsoft teve origem no Japão na década de 70, sendo usado no início para treinamentos militares, com reconhecimento e expansão para outros países, hoje é praticado e explorado mundialmente. Os praticantes de Airsoft são chamados de operadores.

É um esporte que simula situações reais e diversas de combate. Se a intenção básica do esporte é simular acontecimentos desse tipo, busca-se o realismo em todos os aspectos. Assim, os equipamentos e as vestimentas utilizadas são bem parecidos com os reais. Os jogos são compostos por duas ou mais equipes, vencendo a equipe que conseguir cumprir seu objetivo primeiro.

Os jogos possuem vários tipos de missões, muitas baseadas em vídeo games, como captura de bandeira, missão de desarmamento de bomba, resgate de reféns, entre outras.

Atualmente, o Airsoft é conhecido como um esporte de combate, praticado por diversos tipos de pessoas como recreação e lazer. Muitos ainda usam com o intuito de treinamento militar.

As armas no Airsoft

A sua proximidade com a realidade faz com que mais pessoas se interessem pela modalidade esportiva, por ser muito semelhante da prática militar, as suas armas são réplicas idênticas de armas reais. No Airsoft elas são enquadradas como armas de pressão, e podem ser elétricas, a gás e à mola.

É um esporte liberado e regulamentado pelo Exército Brasileiro, através da portaria 002-COLOG, de 26 de fevereiro de 2010, e do decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000, conhecido como R-105, e seu anexo I, que fornece a relação dos produtos controlados. Porém existem regras começando pela compra da arma. Toda arma pode ser comprada no Brasil, necessita de nota fiscal, e todos os campos de Airsoft exigem a nota em jogos para comprovação da compra no território brasileiro.

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

A compra fora do país exige uma grande tramitação, a burocracia é muito ampla, e necessita do certificado de importação, a compra pode demorar de seis meses a um ano para chegar.

O ponto chave que diferencia a arma no Airsoft com a real é a identificação obrigatória na ponta da arma, de cor laranja ou vermelho vivo. O calibre dela é 6mm com bolinhas de plástico, é uma arma que não tem como realizar qualquer tipo de alteração como por exemplo a mudança para uma arma de fogo, as engrenagens são frágeis e não aguentariam esse tipo de modificação.

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

Uma das principais condutas é o transporte. Não é permitido andar com as armas pelas ruas. Elas devem ser transportadas dentro da caixa, no porta-malas com nota fiscal, sem bateria e desmuniciada.

Algumas das armas podem ser categorizadas como rifles de assault (M4A1, AK-47 e M4), DMR (M14, M16), snipers e pistolas.

As armas custam a partir de 1.200 reais (rifle), mas os preços podem variar, com rifles que podem chegar a mais de 7 mil reais. Uma pistola elétrica custa aproximadamente 700 reais.

A munição

As esferas são plásticas do mesmo diâmetro (6mm), mas os pesos podem variar, como por exemplo 0.12g, 0.20g, 0.25g e assim por diante. Cada arma necessita de um peso distinto. Uma pistola elétrica por exemplo é recomendado no máximo 0.25g. Quanto mais pesada, a bolinha conseguirá uma melhor estabilidade no ar, porém ela terá um alcance menor. Quanto mais leve, maior o alcance, porém com uma variação maior, sem muita precisão de tiro.

As esferas podem machucar mas não perfuram. Um pacote de boa qualidade de 0.25g com 4 mil bolinhas custa aproximadamente 70 reais.

A segurança é fundamental para a prática do Airsoft

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

Na relação de instrumentos obrigatórios não deve-se priorizar a arma, mas sim a qualidade dos equipamentos de proteção. O principal e obrigatório são os óculos, não existe a opção de jogar sem ele, um tiro no olho pode deixar o operador cego. A máscara também é uma proteção indispensável na hora da prática no Airsoft, proteções faciais não são opcionais, são essenciais.

Quanto mais próximo você conseguir chegar da realidade militar mais atraído ficará pelo esporte. O fardamento não é obrigatório, mas a estética realista para uma missão no Airsoft motiva ainda mais na parte prática. O coturno evita possíveis torções no pé, e perfurações durante as missões.

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

Princípios do Airsoft

A conduta é avaliada dentro e fora do campo. O intuito não é o incentivo a violência e a aprendizagem relacionada a arma de fogo, o foco principal é a noção de trabalho em equipe, melhoria na coordenação motora e noções táticas e estratégicas. Além de melhorar o condicionamento físico, os reflexos e o esporte compensa todo o esforço na adrenalina que ocasiona.

A base para a prática esportiva do Airsoft é a honra. Assim, quando um jogador for atingido, imediatamente ele acusa o acerto e sai do jogo. A honestidade dos jogadores é então, fundamental para o desenrolar do esporte e sua popularização pelo mundo. Sem ela, o Airsoft não sobrevive.

Airsoft em São Mateus do Sul

Felipe Mayer Wisniewski conheceu o esporte em dezembro de 2016 através do cunhado policial, “ele trouxe uma pistola de Airsoft e para mim aquilo era um brinquedo”, diz, e buscando interesse cada vez mais sobre o esporte e o conhecimento de armas na modalidade, Felipe entrou em grupos influentes e se aperfeiçoou, organizando dessa forma o primeiro workshop sobre Airsoft em São Mateus do Sul, com um lojista especialista de Curitiba.

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

Com a movimentação de pessoas interessadas, o primeiro jogo aconteceu e os primeiros operadores foram Ederson Okonoski, Luís Henrique Chirnev Braga, Adriano Farias, Vitor Alexandre Jurkin Sá e Felipe Mayer, e dessa forma o Airsoft Samas foi fundado com o intuito de ensinar quem deseja conhecer mais sobre o esporte, e também para quem está jogando e não faz parte da equipe oficial. Hoje possui cerca de 30 operadores.

A equipe são-mateuense que participa de competições, o Esquadrão Suicida Airsoft Samas (E.S.A.S.) possui 17 operadores que participam de vários eventos e missões fora do município, são eles que colaboram com a organização dos campos e que estão na área profissional da modalidade.

A limitação de idade se baseia da seguinte maneira: a compra da arma só é possível com a maioridade. Para participar do Airsoft Samas sendo menor de idade precisa do termo de responsabilidade assinado pelos pais ou responsáveis. Se a idade for abaixo de 15 anos, a norma se estabiliza com a liberação dos pais ou responsáveis e também o acompanhamento do mesmo no campo de jogo.

Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa

Os campos são ao ar livre montados com paletes de madeira, pneus e tambores que formam barreiras. Em São Mateus do Sul o Airsoft Samas possui 2 campos ao ar livre para a prática esportiva e existe há menos de 1 ano.

É importante a divulgação e disseminação de informações como estas para as pessoas que não possuem o conhecimento sobre o esporte. Se você perceber em algum campo aberto uma movimentação de pessoas com características da prática do Airsoft, não se assuste, isso não trará ameaça para você.

“Muitas pessoas ainda não conhecem o Airsoft e o tratam com preconceito e receio. Então é muito importante o conhecimento das pessoas aqui da cidade. A arma do Airsoft possui uma identificação laranja ou vermelha, então ela não ocasiona riscos para a vida. Se vocês perceberem alguém praticando, é um jogo, não uma ameaça, não somos bandidos”, frisa Felipe.

Airsoft é um esporte como qualquer outro, o operador adquire coragem, tática, o praticante se envolve em um ciclo de amizade e busca de forma honrosa lidar com as decisões da vida.

Se você se interessou pelo esporte, quer conhecer mais, ou disponibilizar um campo fixo para a prática, entre em contato com o Felipe Mayer pelo telefone (42) 98860-6566 ou com algum dos administradores do grupo no facebook, e agende uma experiência nesse esporte que busca mais alcance e reconhecimento em São Mateus do Sul.

A equipe da Gazeta Informativa vestiu, literalmente, o uniforme e deu alguns tiros para sentir na pele a emoção do jogo e ver como funciona, para então poder escrever, da melhor maneira possível, esta matéria. Assim como escrever uma reportagem sobre um tipo de comida, é preciso provar e sentir o gosto para depois escrever, então, só assim é possível obter o melhor resultado no texto. (Foto: Gazeta Informativa)

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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